28 de set de 2011

Repassando: a quem possa ajudar






Amigos, a CASA DE FRANCISCO DE ASSIS, à Rua Alice 308 - Laranjeiras, Tels: 2265-9499 e 2557-0100, www.casadefranciscodeassis.org.br e e-mail: cfassis@uol.com.br, mantém diversos médicos com as especialidades abaixo, que atendem com hora marcada pessoas com renda comprovada de até 3 (três) salários mínimos, ao custo de R$10,00 a R$15,00. Para aqueles que não possam pagar os valores citados anteriormente, será feita uma avaliação com a Assistente Social para ser concedida gratuidade:
- Homeopatia (Crianças)                                           - Cromoterapia
- Pediatria e Otorrinolaringologia                               - Psicologia Infantil
- Pediatria                                                                 - Fonoaudióloga  (CRECHE)
- Psiquiatria                                                               - Nutricionista
- Psicologia                                                                - Odontologia - Crianças e Adultos
- Cardiologia                                                              - Ginecologia
- Fisioterapia                                                             - Serviço Social
- Jurídico
LIGAR HORÁRIO COMERCIAL E FALAR/AGENDAR C/CARMEN
Atendimento gratuito
AJUDE A DIVULGAR- ALGUEM PODE ESTAR PRECISANDO
A Clínica de Enfermagem Arte do Cuidado, da UniverCidade, presta atendimento gratuito e está agendando para preventivo ginecológico.
Qualquer mulher interessada deve ligar para os seguintes números:
2219-8100/ 2233-8389 ramais 225/226.
· Endereço: Av. Presidente Vargas, nº 2700. Praça XI, ao lado do prédio do Metrô, Rio de Janeiro .
· Funcionamento: de segunda à sexta das 08h00min às 11h00min e de 19h00min às 22h00min, aos sábados de 08:00h às 11:00h.
Também são realizados EXAMES LABORATORIAIS, tudo gratuito.
Ajude a divulgar, há muitas pessoas que não tem essa oportunidade








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25 de set de 2011



Meu amigo Max publicou um texto no Facebook que vem de encontro a tudo que tenho sentido nestes últimos tempos. Não sei se há um autor, creio ser de autoria deste meu sensível amigo, pois ele é capaz deste olhar ao mesmo tempo poético e preciso, pelo seu modo sempre lúcido, ao mesmo tempo obstinado e doce. 

Ao copiar o referido texto, faço uma homenagem a ele, por nossos olhares e nossas almas terem se encontrado um dia e nos tornarmos amigos.

Este blog é e sempre será essa mistura de textos autorais e textos que me emocionam, neste contínuo ato de ser sujeito e objeto frente a tudo que me toca a alma e isso busco sempre compartilhar como quem apenas se mostra sem a pretensão de exemplificar coisa alguma, quero sim, é me mostrar marcada pelo que sei e pelo que muito ainda ignoro, mas jogando flores no ar... Quem quiser pegar....


O Filósofo sabe que Rosa é apenas o nome da flor,
Que uma flor não é apenas uma flor, 
Quando a terra treme 
A calma prevalece
Quando os raios assombram
É hora de calar
Conhece a Rosa ela logo murcha.
Vê antes de florir,
Com calma antes de sorrir
Ante as catástrofes naturais
Harmoniza-se aos abalos naturais,
Passado. Ufa! O mau tempo...
Canta seu mantra Rosa que ecoa no universo
E quem com lágrimas contempla os destroços
Ouve novos versos do amanhecer.
Quem sabe desbloqueiem o caminho em paz.

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24 de set de 2011

Poesia, a arte do estranhamento




"É preciso, portanto recuperar por detrás do momento hábito o momento do estranhamento. Esta recuperação se chama pensar..." Cabe à filosofia e também à poesia recuperar a estranheza das coisas, mostrar que o cotidiano e o habitual, em sua aparente monotonia, esconde o mistério do ser" ( Jardim, citado no livro Psicologia Fenomenológico Existencial de Waldemar Angerami Camom Org. vários autores).

Clássica e Pioneira
Edição reúne obra completa de Yu Xuanji, poeta chinesa do século IX morta aos 25 anos

Por Gilberto Scofield Jr.

Um dos períodos de maior efervescência econômica e cultural da China aconteceu durante a Dinastia Tang (618 a 906), considerada por muitos historiadores como a Era de Ouro da poesia chinesa na longa série de dinastias imperiais (regionais e nacionais) que governaram o país até 1912. Trata-se de uma produção herdeira da poesia clássica expressa em cantos antigos, como o Shi Jing ("Livro de Poesia"), na Dinastia Zhou (1045-256 a.C.), ou Chu-ci ("Cantos do País de Chu"), no período dos Reinos Combatentes (século IV a.C). Há, no entanto, entre os chineses a compreensão de que a antologia "Poemas completos da DInastia Tang" - uma compilação de cerca de 50 mil poemas de mais de dois mil autores, organizada durante o ´seculo XVII na Dinastia Qing (a última da China Imperial) - e até hoje a mais importante e expressiva mostra do que foi a poesia clássica chinesa, inspiradora de poetas chineses até hoje, incluindo as sofríveis investidas literárias do líder Mao Tsé-Tung no mundo dos versos.

Pois foi neste caldeirão cultural da DInastia Tang que a Editora da Unesp, em parceria com o Instituto Confúcio da universidade, foram buscar a primeira mulher chinesa a ter sua obra completa traduzida do original diretamente para o português: a cortesã e sacerdotisa taoísta Yu Xuanji (844-869). A Unesp acaba de mandar para as livrarias de todo o país a "Poesia completa de Yu Xuanji", uma coletânia de 48 poemas e cinco fragmentos da jovem poeta, morta aos 25 anos. Numa época onde as mulheres não podiam participar dos exames públicos para cargos no governo, mas tinham relativa liberdade  para se educar. Yu Xuanji se destacou falando da condição e sentimentos femininos, incluindo considerações de caráter sensual, algo impensável na época.

Trabalho precioso pelo ineditismo e cuidado de edição

O livro traz as poesias em edição bilíngue chinês-português e uma breve apresentação da vida da poeta com base na bibliografia que sobreviveu ao longo dos milênios num país cujos governantes - do déspota Shi Huang Di que em 206 a.C. ordenou a destruição de todos os livros do império, exceto os de agricultura e medicina, até Mao Tsé-Tung, cuja Revolução Cultural (1966-1976) praticamente exterminou a produção cultural do país - não são exatamente reconhecidos pelas ações de preservação histórica.

Trata-se de um trabalho de fôlego e precioso pelo ineditismo e pelo cuidado de edição. O trabalho de pesquisa de material e tradução ficou a cargo do poeta e diplomata Ricardo Primo Portugal, que trabalha e vive na China desde 2005 (em Pequim, Xangai e, desde o ano passado, em Guangzhou, antiga Cantão) e sua mulher a tradutora e intérprete de inglês e português Tan Xiao, de quem partiu a idéia de trazer Yu Xuanji para o português.

- A Dinastia Tang foi caracterizada por uma cultura cosmopolita, esclarecida, tolerante, que realizava intercâmbio constante com o exterior e que já era depositária de uma tradição milenar - diz Ricardo Portugal, co-organizador de uma antologia de Mario Quintana, curiosamente o primeiro poeta brasileiro traduzido para o chinês - Era uma ambiência cultural coesa, na qual a produção literária era muito prolífica, e com um nível muito elevado e bem definido de elaboração formal. Para se ter uma idéia, só na poesia, aqueles 300 anos legaram ao mundo mais de 2300 autores até hoje lembrados (190 deles mulheres), dos quais vários são citados sempre como os mais importantes expoentes da cultura chinesa - Li Bai, Tu Fu, Wang Wei, Bai Juyi, Meng Haoren. Foi um tempo de gigantes.

- A sugestão de Portugal e Tan Xiao coincidiu com o nosso interesse em ampliar o intercâmbio cultural entre Brasil e China - conta Luís Antônio Paulino, diretor executivo do Instituto Confúcio na Unesp.

Portugal observa que a Dinastia Tang foi um dos períodos da história do mundo em que a condição da mulher era, comparativamente mais igualitária  em relação aos homens; uma condição bem mais favorável que aquela encontrada em outros períodos, inclusive posteriores na própria China. Ainda que excluídas do sistema dos exames imperiais que selecionavam a elite dominante e impedidas de exercerem funções administrativas, muitas filhas de famílias abastadas chinesas podiam adquirir educação e conhecimento literário. Mesmo assim, as "moças de família" não eram, em geral, encorajadas a escrever poesia.

- Nessa sociedade floresceu uma casta de cortesãs cultas, amiúde mais livres que as esposas. As mais talentosas eram versadas nas artes clássicas (música, poesia, caligrafia e pintura). Também as sacerdotisas taoístas eram mulheres de vida autônoma, que gozavam de considerável liberdade em suas relações sociais. Muitas participavam ativamente da vida cultural e literária da época, mantendo festas e saraus em suas residências. Yu Xuanji foi, em diferentes momentos da sua vida, concubina (a segunda esposa de um funcionário), cortesã e monja taoísta
- Diz o diplomata.

Antes de Yu Xuanji, diz ele, não se falava de amor na poesia chinesa de maneira tão aberta e sensual. Pela primeira vez, uma voz assertiva e explícita em relação ao desejo da mulher e da sua vontade de igualdade social foi ouvida por muitos. Além disso, segundo os historiadores Yu Xuanji foi uma poeta que escreveu sobre temas universais com desenvoltura, assumindo também uma diccção grandiosa que nada fica devendo aos grandes poetas homens do seu tempo. No poema "A um mestre alquimista", a poeta faz uma alusão ao ato sexual com versos "Primavera: deitar-se, o teto é alto/só acordar à chuva, ao final da tarde".

Por isso mesmo, os poemas de Yu Xuanji sofriam mais com os moralistas da época do que com os humores tiramos em busca de maneiras de apagar seus próprio erros dos livros de História.

- No casa da poeta, as campanhas deste ou daquele governante tiveram efeito menos deletério que a longa sucessão de ambientes sociais moralistas e repressivos em relação à mulher. Sabe-se que uma parte considerável da obra da poeta se perdeu já no final da Dinastia Tang. Contribuiu para isso o fato dela ser uma personagem controversa, de vida livre e pouco convencional - Lembra Portugal.

Riqueza fonética da língua, um desafio para a tradução

Mas talvez o desafio maior do livro seja a própria tradução direta do chinês. Afinal a poesia chinesa é essencialmente musical, revelando elaborados jogos de sonoridades por conta dos caracteres, que misturam significados a sons. Esta sonoridade essencial, aliada a um poema que usa e abusa de vivências pessoais e referência biográficas como o de Yu Xuanji, tornaram a tarefa de traduzir a poesia chinesa em um trabalho extremamente sofisticado.

- A língua chinesa é foneticamente muito rica e é tonal, isto é, um poema clássico terá fórmulas de arranjos dos tons das palavras pelos versos. A poesia clássica é rimada e trabalhada, ainda em assonâncias e alterações internas ao verso. Além disso, o código escrito do chinês tem uma riqueza própria. A escrita é bastante independente da língua falada, em um código que combina imagens  visuais e sonoras. Ainda por cima, a poesia clássica trabalha contextos e referências de séculos atrás. Então, a tradução tem que ser muito criteriosa, acompanhada pesquisa histórica - observa o diplomata.

Fonte:

Para saber mais:

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22 de set de 2011


Alzheimer: Mitos E Verdades

Evento Especial - 21 de setembro – Dia Mundial da Doença de Alzheimer
Conhecida por seu sintoma mais comum - a perda de memória - a doença de Alzheimer se manifesta de forma diferente em cada paciente. Descubra as verdades e os mitos sobre a Doença e aprenda a identificá-la corretamente nesta edição do Viver Bem.

Data: 22 de setembro (quinta-feira)

Local: Auditório do Hospital Barra D'Or – Av. Ayrton Senna, 2541 – Barra da Tijuca

Horário:
 15h

Palestrante: André Lima – Neurologista do Hospital Barra D’Or e Membro da Academia Brasileira de Neurologia

Inscrições: Envie seu nome, profissão e idade para marketing@barrador.com.br com o Assunto “Inscrição Viver Bem”

Fonte:www.redelabsdor.com.br
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18 de set de 2011







Gestão de Pessoas


Ética - do discurso à prática


Por Rosmari Capra - Sales (representante de Ética da L'Oreal Brasil


Ser e ter uma atitude ética nos dias atuais também representa crescimento para os negócios, sobretudo em uma sociedade em que é o ser humano, e não a máquina, o fator decisivo. colocar em prática esta atitude, contudo, nem sempre deixa de ser um trabalho complexo. Este ano, reconhecida pela segunda vez como uma das empresas mais éticas do mundo pelo Instituto Ethisphere (*), a L' Oreal Brasil foi a primeira no País a criar um Programa de Ética, colocando aos seus colaboradores e ao mercado que este valor está presente em todos os níveis de seu negócio: desde o contato com cada funcionário, passando pela relação com os consumidores, até as negociações comerciais com os clientes e fornecedores.


"Estamos fazendo um trabalho para estimular o espírito ético entre os colaboradores e comunicar que este pode ser traduzido em cada gesto correto, transparente e íntegro que eles realizam em seu ambiente de trabalho; manter esta estrutura atualizada e sempre ativa é um grande desafio, principalmente em uma empresa que possui muitos funcionários com perfis diferenciados construindo sua carreira profissional", destaca Rosmari Capra- Sales, representante de Ética (nomeada para este cargo em 2009) e diretora de Planejamento Fiscal e Contabilidade da L' Oreal Brasil.


Por escrito


Segundo a executiva, um exemplo típico de observação da conduta ética que pode ajudar a eliminar eventuais problemas na comunicação interna na empresa é o da sempre polêmica questão da indicação de parentes e/ou amigos para um cargo na empresa. "Funcionários da L' Oreal podem recomendar parentes e/ou amigos. No entanto, para garantir a transparência e boa governança, é necessário que esta recomendação seja feita por escrito, evitando qualquer envolvimento no processo de decisão e qualquer ação que possa influenciar direta ou indiretamente neste processo", informa Rosmari.


A empresa acredita que a disseminação da Ética no ambiente corporativo e a colocação em prática de seu conceito são essenciais, pois cada funcionário possui uma idéia pré-determinada sobre o tema, de acordo com sua vivência, cultura e nível educacional.


Proativo


Rosmani acrescenta que o programa de Ética da L´Oreal é proativo e sustenta o crescimento do grupo com base em três pilares: respeito pelas pessoas, respeito pela lei e respeito pelos costumes locais. Em seu texto, o funcionário encontra diretrizes que passam por temas como segurança e qualidade do produto; representando a empresa, informação confidencial; saúde, proteção e segurança; assédio e comportamento agressivo; conflito de interesses; contribuição para a comunidade; consciência ambiental; o papel do gestor; impostos; concorrência leal; seleção de  igualdade de Tratamento de Fornecedores, entre outros.


Como as trocas de conhecimentos em um mundo globalizado são altamente enriquecedoras, a empresa criou ainda o Dia da Ética, quando acontece uma conversa aberta pela internet (webcast) entre Jean-Paul Agon, CEO do Grupo L"Oreal  e funcionários de todas as 130 filiais da emresa espalhadas pelo mundo. É o momento em que todos aproveitam a oportunidade para refletir e tirar dúvidas sobre o impacto de suas atitudes.


No Brasil, os colaboradores foram convidados a enviar suas perguntas antes e durante o evento, e os funcionários das Fábricas (Rio e São Paulo) tanbém participaram, ao incluírem suas dúvidas nas urnas disponíveis no RH, dias antes, para que as perguntas fossem traduzidas no dia.


Outra inciativa da L´Oreal para criar uma aproximação maior com a realidade do colaborador e  os conflitos éticos encontrados no dia a dia, foi a apresentação de uma peça teatral sobre assuntos envolvendo questões éticas delicadas e corriqueiras do cotidiano.


No Brasil o tema vem aos poucos sendo aprimorado e, sem dúvida, existem outras organizações nos mais diversos segmentos com exemplos a serem destacados pela coluna da ABRH-RJ.


(*) O Instituto Ethisphere (dedicado à reflexão sobre a criação e compartilhamento de melhores práticas em ética empresarial, direitos humanos, responsabilidade social corporativa, combate à corrupção e sustentabilidade) realizou avaliação World´s Most Ethical Companies (Empresas mais Éticas do Mundo) que teve  número recorde de indicações de empresas em mais de 100 países e 36 áreas.


Fonte: Jornal O Globo  Boa Chance/ Coluna da ABRH-RJ (Associação Brasileira de Recursos Humanos do Rio de Janeiro)
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17 de set de 2011

Uma reflexão bastante atual

*Genealogia da Malandragem*
*O brasileiro sempre tem um "jeitinho" para tudo. Saiba que relação existe
entre a peculiar malandragem do brasileiro e a construção da Ética e da
moral na visão de nietzsche*

Por João E. Neto*

* João E. Neto é graduado e mestre em Filosofia pela Universidade Federal de
Pernambuco (UFPE), doutorando em Filosofia pela Universidade de São Paulo
(USP), bacharel em Comunicação Social (Jornalismo) pela Universidade
Católica de Pernambuco (Unicap) e membro do Grupo de Estudos Nietzsche (GEN)

FONTE: REVISTA FILOSOFIA
http://filosofiacienciaevida.uol.com.br/ESFI/Edicoes/37/artigo144493-1.asp

Costuma-se apontar a corrupção como uma das maiores mazelas da sociedade
brasileira. Geralmente, quando questionada acerca desse assunto, a opinião
pública tem como alvo favorito de críticas a classe política. É curioso, no
entanto, que boa parte dessas pessoas que avaliam negativamente seus
representantes costuma recorrer, cotidianamente, a pequenos artifícios que
burlam o costume ético e, muitas vezes, até a lei. Estamos nos referindo ao
nosso *jeitinho brasileiro*, à *malandragem *e ao jogo *de cintura*,
"categorias" que, já incorporadas à nossa cultura, convivem lado a lado com
os valores ético-morais mais tradicionais. A "ética" do *jeitinho *e
da *malandragem
*coexiste, paralelamente, com a ética oficial. O cidadão que cobra dos
políticos o cumprimento dos preceitos da ética tradicional é o mesmo que usa
o expediente do *jeitinho *e da malandragem.
[image: TV GLOBO/JOÃO MIGUEL JUNIOR] *Ao contrário dos personagens
malandros de nossa história, geralmente matutos desprivilegiados,
Zeca, de Caminho
das Índias (Globo), é um garoto de classe média que, apoiado por seus pais,
usa sua malandragem não por sobrevivência, mas para perturbar os outros e
com a certeza de impunidade*

Claro que a desonestidade não é uma exclusividade nacional. Mas é
interessante ressaltar a peculiaridade brasileira na admissão das
"categorias" *jeitinho *e *malandragem *como elementos paradigmáticos à ação
"moral". No nosso país, curiosamente, exaltam-se, ao mesmo tempo, dois tipos
aparentemente incompatíveis: o honesto e o malandro. Nesse sentido, como bem
observou o antropólogo Renato da Silva Queiroz, a cultura brasileira é
permeada por uma ambiguidade ética em que termos como "honesto", "corrupto",
"esperto", "otário", "malandro" e "mané" se misturam num confuso caldeirão
moral. Esse caráter peculiar de nossa sociedade exige-nos alguns
questionamentos: o que levou a cultura brasileira a essa ambiguidade moral?
O que fez que nossa sociedade cultivasse certa glorificação da malandragem?
E mais: será que essa exaltação do tipo "malandro" tem sido proveitosa para
o Brasil? Ela tem contribuído para o engrandecimento de nossa cultura ou
para sua degeneração?

No final do século XIX, o filósofo Friedrich Nietzsche se propõe a realizar
uma crítica dos valores morais e, com isso, inaugura o seu *procedimento
genealógico*. Rompendo com a tradição metafísico-religiosa que considera os
valores como sendo eternos, universais e imutáveis, o pensador alemão passa
a pensá-los por um viés histórico. Ou seja, no entender de Nietzsche, os
juízos de valor, antes concebidos como absolutos, teriam sido, na verdade,
criados numa determinada época e a partir de uma cultura específica. Tomando
como ponto de partida essa perspectiva, o pensador alemão enxergou a
necessidade de realizar um exame acerca das condições históricas por meio
das quais os valores foram engendrados. E coloca as seguintes questões: de
que forma esses paradigmas morais teriam sido gerados? Por quais povos e em
que época? Em que condições se desenvolveram e se modificaram? Para efetivar
essa investigação, Nietzsche põe a seu serviço os recursos da História, da
Filologia, e da Fisiologia. Apesar disso, ao recorrer a essas disciplinas, o
filósofo não assume o papel de um cientista positivista, que busca
*fatos *históricos,
fisiológicos ou antropológicos. Nietzsche está longe de ser um pensador, que
se pretende isento e "objetivo". Para ele, a investigação genealógica já é
um procedimento que se realiza a partir de uma determinada perspectiva
valorativa. Sua análise deve ser entendida como uma hipótese interpretativa
que tem como pano de fundo o referencial das ciências, mas não como um
método científico que se embasa em fatos.
*Essa exaltação do tipo "malandro" tem sido proveitosa para o Brasil? Ela
tem contribuído para engrandecer nossa cultura ou para degenerá-la?*

*A DIALÉTICA DA MALANDRAGEM*

Em 1970, o crítico literário Antônio Candido publicou *Dialética da
malandragem*
, uma referência obrigatória para qualquer estudo filosófico que
aborde o tema da *malandragem *brasileira. O trabalho, um ensaio sobre
*Memórias
de um Sargento de Milícias *- romance publicado em 1854 por manuel Antônio
de Almeida (1831-1861) -, toma o personagem principal do livro, *Leonardo
Pataca Filho*, como o primeiro malandro da literatura brasileira. mostrando
que *Leonardo *transita, cotidianamente, entre a ordem estabelecida e as
condutas transgressivas, Cândido afirma que esse romance, já no século XiX,
retrata - retrospectivamente - a ambiguidade ética da sociedade brasileira,
na época de Dom joão Vi. A desarmonia entre as instituições ético-legais e
as práticas sociais efetivas não seria novidade: "Há um traço saboroso que
funde no terreno do símbolo essas confusões de hemisférios e esta subversão
final de valores. (...) É burla e é sério, porque a sociedade que formiga
nas *Memórias *é sugestiva. (...) manifesta (...) o jogo dialético da ordem
e da desordem". (A título de curiosidade, é bom lembrar que, em 1946, época
em que a difamação de Nietzsche estava em seu apogeu, o mesmo Antônio
Cândido publicou o ensaio *O Portador*, um dos primeiros textos a apontar a
necessidade de se recuperar o pensa-mento nietzschiano).

*SUSPENSÃO DOS VALORES*
[image: TV GLOBO/JOÃO MIGUEL JÚNIOR] *Bezerra da Silva, autor da letra da
música Malandro é Malandro e Mané é Mané. No Brasil, a malandragem ganhou
valor positivo como traço de personalidade. É como se de um lado estivessem
os malandros e, de outro, os "manés"*

O procedimento genealógico, no entanto, não se restringe apenas a essa
pesquisa das origens dos valores, pois, com o seu "método", o filósofo
propõe, simultaneamente, uma avaliação desses mesmos juízos de valores.
Assim, ele nos interroga, também, acerca do "valor desses valores". Em *Para
a genealogia da moral*, livro publicado em 1887, Nietzsche usa seu
procedimento, por exemplo, para examinar a dicotomia ocidental entre os
valores "bem x mal". Considerando esses referenciais como fruto da criação
humana, o filósofo questiona até que ponto eles têm sido benéficos à nossa
civilização: "Sob que condições o homem inventou para si os juízos de valor
'bom' e 'mau'? Que valor têm eles? Obstruíram ou promoveram até agora o
crescimento do homem? São indícios de miséria, empobrecimento, degeneração
da vida? Ou, ao contrário, revela-se neles a plenitude, a força, a vontade
de vida? (...) O próprio valor destes valores deverá ser colocado em
questão" a partir do critério *vida*.

Se, por um lado, Nietzsche considera que os referenciais éticos são sempre
relativos a uma cultura específica e, por essa razão, não podem constituir
um critério absoluto de avaliação, por outro lado, ele necessitou de um novo
critério pelo qual pudesse avaliar os valores. Nietzsche precisava de um
valor que estivesse além de toda perspectiva moral e que servisse, ao mesmo
tempo, como referência para julgar qualquer moral.
* "Jeitinho brasileiro" e "malandragem" na Política*

Brasileiro, que é malandro, sempre dá um jeitinho de lucrar. Quem está no
poder, rondado pelas oportunidades de usar a influência do cargo para ganhar
algo por fora, tem usado e abusado desta "ética frouxa" que nossa cultura da
malandragem estimula. A seguir, alguns escândalos políticos brasileiros, do
presente e do passado, que bem ilustram esse hábito de tentar levar
vantagem.
[image: IMAGENS: AGÊNCIA BRASIL] *O deputado Fernando Gabeira, (PV) que
admitiu ter usado sua cota de passagens aéreas de forma irregular*

*Farra das passagens aéreas*

O escândalo das passagens aéreas explodiu quando um site tornou público que
parlamentares estavam usando suas cotas mensais de passagens aéreas cedidas
pelo estado para promover viagens de turismo - até ao exterior - a
familiares e amigos.

Nada no regimento especificava que era proibido doar as passagens a
terceiros, apenas o bom-senso e a Ética. Como brasileiro sempre dá um
jeitinho de sair lucrando, os parlamentares, aproveitando a brecha na lei,
estavam financiando viagens de familiares e amigos, viajando a passeio, etc.

O esquema foi além da simples malandragem e virou desvio de verba:
assessores passaram a repassar a sobra do mês para agências de viagem, que
vendiam bilhetes para pessoas comuns, pagavam com o crédito da Câmara e
dividiam com os assessores o dinheiro dado por quem adquiriu a passagem.

O escândalo fez muitos parlamentares devolverem o dinheiro gasto em
passagens não usadas a trabalho e o Congresso rever o regimento a respeito
das viagens aéreas.
[image: IMAGENS: AGÊNCIA BRASIL] *O deputado João Paulo Cunha (PT),
interrogado por acusações de pertencer ao esquema do mensalão*

*Compra de votos pelo "mensalão"*

A maior crise política sofrida pelo governo do presidente Lula ficou
conhecida como "mensalão" e está ligada a um suposto esquema de compra de
votos de parlamentares. Deputados receberiam uma espécie de mesada para
votar a favor de projetos de interesse do Poder executivo. no governo, o
jeitinho era o seguinte: pagar para ganhar votos favoráveis e evitar
problemas.

A suposta venda de voto, que deu origem à crise foi só o estopim para a
descoberta de uma série de outros escândalos de corrupção relacionados ao
"mensalão", como o caso Celso Daniel, o escândalo dos Correios, o dos Bingos
e do banco Opportunity, que acabou associado ao esquema do "valerioduto".
[image: IMAGENS: AGÊNCIA BRASIL] *Matilde Ribeiro (PT)*

*Cartão corporativo *

Que tal um cartão em que a fatura no final do mês fica por conta do Governo?
O escândalo dos cartões corporativos foi motivado pelo uso indevido de um
cartão criado para pagar despesas pequenas e urgentes de funcionários do
governo em missões de trabalho, mas foram descobertas compras de ursos de
pelúcia, reformas de mesa de sinuca e até pagamentos de diárias no hotel
Copacabana Palace. Alguns mais malandros, usavam a estratégia de sacar o
dinheiro e pagar em espécie, assim não deixavam vestígios da ilegalidade, a
menos que fossem investigados - e foram. As primeiras denúncias levaram à
demissão da Ministra da Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, do
PT, a pessoa que mais realizou gastos com o cartão em 2007.
[image: IMAGENS: AGÊNCIA BRASIL] *Ex-presidente Fernando Collor de Mello*

*Impeachment de Collor*

A renúncia, em 29 de dezembro de 1992, do então presidente Fernando Collor
de mello para evitar seu *impeachment *faz parte daquele que talvez tenha
sido o maior escândalo político brasileiro. Apesar de ter renunciado, o
processo teve seguimento e Collor foi condenado à perda do mandato e à
inelegibilidade por oito anos. Nunca antes um político da América Latina
havia sido deposto do cargo por *impeachment*.

Foi aberta uma Comissão Parlamentar de inquérito (CPI) que descobriu que o
presidente e familiares haviam tido despesas pessoais pagas com o dinheiro
recolhido ilegalmente pelo "esquema PC", que envolvia uma rede de "laranjas"
e de "contas fantasmas". A reforma da Casa da Dinda (residência de Collor em
Brasília) e um carro Fiat Eelba foram tidos como exemplos de bens e serviços
pagos com dinheiro do esquema ilícito. Tais descobertas serviram de base
para a abertura do processo de impeachment.

*"Mordomia" quase oficial*

No governo militar de ernesto Geisel (1974-1979), quando a censura e a
repressão apenas começavam a arrefecer, o jornalista ricardo Kotscho
escreveu uma matéria descrendo as "mordomias" de que desfrutavam tecnocratas
e militares no governo. A certeza de impunidade era tanta que tais
mordomias, como longas listas de comes e bebes para residências oficiais,
compras de flores e de peças de decoração, distribuição de dividendos em
empresas estatais deficitárias e salários astronômicos, eram
publicadas no *Diário
Oficial*, conta o próprio jornalista, no livro *Do golpe ao planalto*.
[image: IMAGENS: AGÊNCIA BRASIL] *Ernesto Geisel, durante jantar
oferecido a Jimmy Carter, em1978*

No entender de Nietzsche, esse paradigma seria a *vida*. Vejamos como
argumenta o pensador em *Crepúsculo dos ídolos*: "É preciso estender ao
máximo as mãos e fazer uma tentativa de apreender essa espantosa
*finesse *[finura],
a de que o valor da vida não pode ser estimado. Não por um vivente, pois ele
é parte interessada, até mesmo um objeto da disputa, e não juiz; e não por
um morto, por outro motivo". Nesse sentido, a vida seria um critério de
avaliação impossível de ser avaliado, pois qualquer avaliação sempre se dá
por meio de uma determinada perspectiva inserida na vida.

Ao examinar o desenvolvimento histórico da civilização ocidental, Nietzsche
chega à conclusão de que os fundamentos morais que têm norteado o Ocidente
foram engendrados a partir de uma perspectiva negadora da vida e do mundo
terreno. Isso porque a Ética ocidental - fundada nos pilares do cristianismo
e platonismo - teria como referência moral os valores concebidos a partir de
um além. Em ambas as perspectivas fundadoras existiria uma predileção a um
mundo extraterreno em detrimento do mundo terreno. No caso do cristianismo,
a esperança de redenção no reino de deus teria provocado a negação da vida e
do mundo terreno.

*Para Nietzsche, os fundamentos morais que têm norteado o ocidente foram
engendrados a partir de uma perspectiva negadora da vida e do mundo terreno*

O platonismo, por sua vez, ao conceber o mundo das ideias como o âmbito da
verdade e da eternidade, teria considerado o mundo terreno como aparente e
transitório e, por essa razão, inferior. O procedimento genealógico nos
propõe uma forma de investigação filosófica que, além de indagar pela
procedência histórica dos valores morais, realiza também um julgamento
desses valores.

Colocando a *vida *como o critério avaliador, a "genealogia" pergunta: qual
o papel dos paradigmas morais vigentes? Eles servem para conservar e
engrandecer a vida? Ou promovem sua decadência? Nesse sentido, se adotarmos
o procedimento genealógico como referência metodológica, teremos que pensar
o fenômeno da malandragem como resultado de processos histórico-culturais.
Indo além, poderíamos questionar até que ponto ele tem sido favorável ao
engrandecimento e conservação da vida.

Nas Ciências Sociais há quem entenda o surgimento do *jeitinho *e da
*malandragem
*como consequência da imposição de uma cultura legal e formalista
proveniente da monarquia portuguesa e da igreja católica. Não sendo um
resultado legítimo da construção popular, as instituições ético-legais
abririam espaço à transgressão. Por outro lado, há também quem enxergue a
raiz da "malemolência" brasileira no nosso caráter cultural mestiço.
[image: ARQUIVO CIÊNCIA & VIDA] *Do embate entre a necessidade de vida e a
lei (ou valores morais) surge a malandragem. A venda de CDs piratas é um
exemplo. Apesar de ir contra a Ética formalizada, esse comércio é
disseminado e encontra muitas justificativas*

*HERANÇA DE TRADIÇÕES*

Por sermos um amálgama de diversas tradições, não teríamos conseguido fixar
uma ética coesa. Além dessas teses, diversas outras são apontadas como causa
da malandragem tupiniquim: a colonização voltada à exploração, a imposição
do formalismo legal como herança do direito latino e, até mesmo, a
miscigenação biológica. Apesar dessa heterogeneidade de hipóteses, um
elemento comum permeia boa parte dos estudos: a noção de que o *jeitinho*, a
malandragem e congêneres surgem como uma espécie de "mecanismo de adaptação
às situações perversas da sociedade brasileira", como ressaltou a
antropóloga Lívia Barbosa, em seu livro *O jeitinho brasileiro*.

Seguindo essa pista fornecida pelas Ciências Sociais, podemos arriscar uma
hipótese genealógica para essas "atitudes desviantes": produto de uma
combinação entre a árdua condição social e o histórico desamparo do poder
público, o *jeitinho *e a malandragem constituiriam um instrumento de
sobrevivência. Assim, essas transgressões seriam uma espécie de infração
aceitável socialmente que, na maioria das vezes, justificar-se-ia, ou por
uma facilidade em relação aos trâmites burocráticos das instituições
oficiais, ou por uma necessidade resultante da dura realidade socioeconômica
brasileira. Em ambos os casos, essas violações ético-legais seriam uma
espécie de "drible" nas adversidades da vida num país, historicamente,
repleto de desigualdades. Tomando esse raciocínio como premissa, podemos
dizer que, no Brasil, burlar as regras morais e legais foi algo que se impôs
como forma de adaptação ao "ambiente hostil". O brasileiro precisou
ser *malandro
*para sobreviver numa sociedade cruel e de enorme abandono do poder público.
A origem e fundamento mais remoto da malandragem foi a conservação da vida:
a vida se impôs perante as leis e os costumes éticos formalizados, fazendo
as circunstâncias efetivas se sobreporem à moral vigente.
* **O brasileiro precisou ser malandro para sobreviver numa sociedade cruel
e de enorme abandono do poder público*

[image: AGÊNCIA BRASIL / WILSON DIAS]

*Há uma série de teorias sobre o que deu origem ao jeitinho brasileiro. Uma
delas o atribui à nossa formação mestiça, com contribuições culturais
diversas, o que teria nos impedido de fixar uma Ética coesa*

Fazer uma fotocópia "clandestina" de um livro - do ponto de vista da Ética
formalizada - seria algo reprovável e até mesmo ilegal, porém esta prática é
uma das mais comuns em muitas universidades brasileiras. Apesar de se tratar
de algo desviante de uma Ética tradicionalmente instituída, essa atitude não
é difícil de ser justificada. No Brasil, onde o investimento em Educação é
ainda escasso, e acesso aos livros de qualidade é muito limitado, os
estudantes - em sua grande maioria com restrições econômicas - são obrigados
a recorrer a meios extraoficiais. Além desse exemplo, poderíamos citar
diversas outras situações em que as condições efetivas da vida no Brasil se
impõem ao "formalismo" ético.

A mãe que fura a fila do atendimento médico de um sistema de saúde saturado
para salvar o filho; o morador de uma comunidade carente que faz uma
"gambiarra" (ligação clandestina com a rede elétrica) por não ter acesso
econômico aos meios legais de distribuição de energia elétrica; o motorista
que avança o sinal vermelho à noite para não ser assaltado; ou mesmo um
saque de alimentos a um caminhão tombado na estrada.

Mas não se trata de justificar,aqui, uma transgressão generalizada. Como foi
dito anteriormente, essa posição assume a "conservação da vida" como
fundamento originário desse tipo de burla, mas - é necessário ressaltar -
isso não significa dizer que, ainda hoje, a "vida" continue sendo o único
referencial criador para toda atitude de infração à legalidade e ao costume
ético tradicional.

*APOLOGIA À MALANDRAGEM*

Com o desenrolar histórico, a própria transgressão teria se transformado em
uma espécie de modelo "ético". A antropóloga Lívia Barbosa vai nessa mesma
direção: "de drama social do cotidiano [o *jeitinho *brasileiro] passou a
elemento da identidade social. (...) de simples mecanismo adaptativo,
reflexo de nossas condições de subdesenvolvimento, o *jeitinho *se
transformou em elemento paradigmático de nossa identidade (...)".

[image: ARQUIVO CIÊNCIA & VIDA] *Histórias infantis são repletas de lições
morais. Para Nietzsche, valores como "bom" e "mau" não existem por si, foram
criados historicamente. Ele defende que cada um decida sua moral - um
raciocínio que daria espaço à malandragem*

Se até o momento defendemos que a conservação da vida foi o ponto de partida
para o surgimento do *jeitinho *e da malandragem, agora, além desse
fundamento, um fator derivado - também impulsionador e potencializador da
transgressão - teria surgido no desenrolar histórico-cultural do
Brasil: a *apologia
da malandragem*.

O que queremos dizer é que a exaltação do *tipo esperto *- aquele que sempre
se dá bem e leva vantagem em tudo - ou a glorificação do malandro seria
resultado de processos culturais. O *tipo esperto *teria passado a ser
admirado como um vitorioso na luta pela vida.

A partir disso, o *malandro *passa a ser visto como exemplo a ser seguido,
torna-se um referencial para o "dever ser" e se transforma em um "paradigma
ético paralelo". Assim, a malandragem - que, de início, foi impulsionada
pelas imposições de conservação da vida - se converteu em referência para si
mesma. Tornando-se uma espécie de categoria ético-metafísica, ela se
transformou em valor moral e passou a ser norteada por si mesma. A
malandragem se transfigurou em modelo ético para a própria malandragem.

E ao tornar-se um valor, a malandragem passou a ser compreendida como uma
espécie de essência biológica. Ou seja, se transformou em caráter inerente e
distintivo de certos indivíduos. De um lado, teríamos a "espécie" dos
malandros e, do outro, a dos "manés" - lembremos da clássica tautologia,
tantas vezes cantada pelo sambista Bezerra da Silva: "malandro é malandro e
mané é mané".

[image: ARQUIVO CIÊNCIA & VIDA] *Dom João VI e Carlota Joaquina. Outra
teoria sobre a origem do jeitinho brasileiro é de que ele resultou da
cultura legal e formalista vinda da monarquia portuguesa e do catolicismo. É
uma desarmonia entre as instituições ético-legais e a vida prática*

Conforme esse raciocínio, a "Filosofia ética da malandragem", por incrível
que pareça, teria suas raízes fincadas numa forma de pensar essencialista,
já que, na maioria das vezes, o senso comum concebe o "tipo malandro" como
sendo esperto de nascença, como por exemplo, *Macunaíma*, personagem de
Mário de Andrade e um dos símbolos da malandragem na literatura brasileira.
Há, inclusive, no imaginário cultural do Brasil, a ideia de que o "jogo de
cintura", a "malemolência" e a "ginga" são componentes essenciais do caráter
do povo brasileiro. O agir malandramente já seria fruto do modo de ser do
"esperto brasileiro". Nessa direção, recordemos a "lei de Gerson" - jogador
da seleção de 1970 - que proclamava que todo brasileiro - incluindo ele -
gostava de sempre levar vantagem em tudo.

Diante disso tudo se pode questionar: qual o valor da "ética da
malandragem"? Ela tem servido para conservar e engrandecer a vida? Tudo leva
a crer que, ao promovermos essa a apologia da malandragem, perdemos o
referencial originário, a saber, a vida.

A malandragem gratuita, a da "lei de Gerson", a malandragem pela malandragem
está conduzindo ao caminho contrário da conservação e engrandecimento da
vida. Ao se conceber como um povo essencialmente malandro, um povo pacífico
e cordial - para usar o termo de Sérgio Buarque de Holanda -, um povo que
"resolve" seus problemas na base do *jeitinho*, o brasileiro estaria se
desviando de transformações sociais mais significativas. "Ao funcionar como
válvula de escape, ela [a transgressão pelo *jeitinho*] impede o surgimento
de uma pressão social efetiva que leve a mudanças tão necessárias no nosso
aparato legal e administrativo" (Lívia Barbosa).

Ou seja, por ser constituída de técnicas individuais de sobrevivência,
a *malandragem
*impediria estratégias mais amplas de insurreição popular.

[image: DIVULGAÇÃO] *Gérson, ex-jogador da seleção brasileira de futebol.
Em um comercial de TV, ele afirmava gostar de levar vantagem em tudo, o que
deu origem à expressão "lei de Gérson", associada ao jeito pouco ético e
malandro de ser*

Além disso, *apologia da malandragem *e a *compreensão do povo brasileiro
como essencialmente malandro *traz à tona o perigo da justificação de uma
corrupção generalizada e, por tabela, o efeito colateral de todo um
encadeamento de chagas sociais. Concebida como característica natural, a
corrupção passa a ser entendida como algo inevitável no Brasil. Isso nos
leva a uma licenciosidade ético-legal justificada por uma espécie de
determinação biológica. Essa banalização e justificação da corrupção trazem
como consequência uma desestruturação social que torna as condições de vida
ainda mais precárias. Temos uma espécie de movimento circular, em que os
problemas sociais que engendraram a *malandragem *são realimentados pelo
"modelo ético" da própria malandragem. Será que a necessidade de tanta
*malandragem
*não levará todos nós a assumirmos o papel de "manés"?
* **A compreensão do povo brasileiro como essencialmente malandro traz à
tona o perigo da justificação de uma corrupção generalizada*

*REFERÊNCIAS*

*Sobre Nietzsche e o procedimento genealógico:*

NIETZSCHE, Friedrich. *Genealogia da moral*. Trad. Paulo César de Sousa. São
Paulo: Companhia das Letras, 2005
_________. *Crepúsculo dos ídolos*. Trad. Paulo César de Sousa. São Paulo:
Companhia das Letras, 2006 MARTON, Scarlett. *Nietzsche: a transvaloração
dos valores*. São Paulo: Moderna, 1993
PASCHOAL e FREZZATTI. Antônio Edmilson e Wilson (org). *120 anos de "Para a
genealogia da moral"*. Ijuí: Unijuí, 2008

*Para entender a Malandragem*

ANDRADE, Mario de. *Macunaíma: o herói sem nenhum caráter*. Coleção Buriti
41. 23ª ed. Belo Hori­zonte: Itatiaia, 1986

ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memórias de um sargento de milícias. São Paulo:
Escala Educacional.

BARBOSA, Lívia. O jeitinho brasileiro. Rio de Janeiro: Campus, 1992

DAMATTA, Roberto. Carnavais malandros e heróis - para uma sociologia do
dilema brasileiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1979

CANDIDO, Antonio. "Dialética da Malandragem". In: ____ O discurso e a
cidade. São Paulo: Duas Cida­des, 1993 *
www.unioeste.br/prppg/mestrados/letras/leitura/DIALETICA*<http://www.unioeste.br/prppg/mestrados/letras/leitura/DIALETICA>
_MALANDRAGEM.rtf

HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. 26ª ed. Rio de Janeiro: José
Olympio,1995

PRADO JR., Caio. Formação do Brasil contemporâneo. São Paulo: Brasiliense,
2000

SCHWARCZ. Lilia Moritz. Complexo de Zé Carioca. Notas sobre uma identidade
mestiça e malandra. In:
*www.anpocs.org.br/portal/publicacoes/rbcs*<http://www.anpocs.org.br/portal/publicacoes/rbcs>_00_29/rbcs29_03.
htm



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11 de set de 2011



De modo geral, gosto de criar e de trazer textos das mais diversas fontes que provoquem no leitor a reflexão, a pesquisa para que sempre a resposta final parta dele. Este blog não se propõe a dar "dicas", "receitas" de qualquer espécie. 
O texto abaixo tem uma contundência que pode soar como uma atitude de "impor" uma visão de mundo. Não é isso que pretendo, mas convidar para um olhar, mesmo que breve do nosso movimento no mundo, nessa vida que sempre veloz e repleta de solicitações nos pede ações, decisões rápidas. Como estamos nos portando diante do que vem a nós no dia a dia? Sabemos para o que de fato estamos lutando?Se este mesmo que breve olhar ocorrer vou me sentir feliz por alcançar o meu objetivo.  (Regina Bomfim)


A Vida Como Farsa

Se você o tempo todo mostra ao mundo
que tudo, absolutamente tudo, sempre está bem...
que as coisas nunca te abalam ou te preocupam...
Saiba que o corpo irá te desmentir...
As enxaquecas, gastrites, inflamações 
na garganta, entre outras manifestações,
são severos sinas da farsa
que você está fazendo da própria vida.


Não adianta tentar colocar um sorriso no
rosto se o coração está sangrando.. a alma
não tolera essa farsa... o corpo irá gritar com
os mais variados sintomas... o mioma, o cálculo
renal, a taquicardia, infecção urinária 
sempre são sinais de alerta...


Escute o teu coração e veja sua palpitação..
De nada adianta tentar sorrir se não houver
alegria na alma... tente resgatar o que te magoa,
tente superar os percalços, mas não faça da
vida uma farsa... as conseqüências sempre são severas...
não veja nas complicações cardio vasculares 
e nas diversas formas de bronquite apenas
meros sintomas físicos... elas também
mostram nossa fragilidade 
diante dos mais diferentes enfrentamentos...


Não adianta calar se o coração quer gritar...
O grito contido irá doer nas entranhas da alma e irá
machucar as partes do corpo mais sensíveis a tais
agressões... e também não grite quando o
coração quer silêncio... o espírito se desestrutura
diante de barulhos indesejáveis...
não engula dissabores em nome de que
apenas grandes questões
devem te preocupar...


Não são apenas os grandes dissabores
que envenenam a alma e dilaceram o corpo e 
o coração... também são as pequenas coisinhas que
se somam e tornam insuportável o fardo da
própria vida...
não faça da tua vida uma farsa...


É fatal negar os desígnios do corpo... a enxaqueca
é sinal de que a tua tensão excedeu os limites...
A gastrite, esofagite, e a sinusite mostram que a
tua estrutura emocional sucumbiu diante da razão...
Deixe a emoção se mostrar... diante da depressão
assuma estar deprimido... diante da angústia, viva
intensamente o estar angustiado...tente reverter
esse quadro agindo em sentido contrário...
mas não com falso sorriso e titubeios..


Diante das lágrimas assuma a intensidade do
teu choro... nunca tente negar o que te faz
sucumbir... a paz e a serenidade são dádivas
do espírito tranqüilo... nunca
faça da própria vida uma farsa.
Somos humanos e podemos aceitar o fato de
que sucumbimos diante 
dos problemas que afetam nossa humanidade


As tuas disfunções hormonais e de tiróide
são indícios de que você está indo além dos
padecimentos que o corpo e a alma suportam...
A vida não tolera farsas... podemos enganar
todos, mas nunca a nós mesmos... a vida
quando se torna uma farsa se torna um fardo 
insuportável... não deixe sua vida se transformar
em uma grande farsa.. recolha tua dor e sorria
apenas quando o coração estiver em festa....
Não faça da tua vida uma farsa...

Valdemar Augusto Angerami - Camon
Fonte: www.uol.com.br/pensadores
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10 de set de 2011

Melancolia - Artes plásticas, cinema, literatura e até a moda refletem a dor de existir

imagem: reproduções


Este texto contém informações de eventos que não estão ocorrendo mais. Trouxemos o mesmo pela forma abrangente de tratar o tema de fato tão presente na cultura, nas artes, nas ciências, na moda, ou seja, em nós.  E justamente por estar em nós que o assunto se manifesta no mundo nos mais diferentes aspectos atraindo a nossa atenção.  Como é um texto de múltiplas perspectivas, oferece ao leitor a chance de fazer a sua própria pesquisa e chegar às suas próprias conclusões.
Regina Bomfim


Por Bety Orsini

Há uma brisa melancólica flutuando no ar. No cinema, o filme "Melancolia" da Lars Von Trier, está previsto para chegar às telas brasileiras no início de agosto. Por sua vez, nas artes plásticas, o sentimento está presente na exposição "2892" de Daniel Senise, em cartaz na Casa França Brasil. No teatro, o  Grupo Balcão percorre o Brasil com "Tio Vânia", de Tchekhov, representante maior das existências melancólicas. Enquanto isso livros que tratam do tema, como "Saturno nos Trópicos", de Moacyr Scliar, e "O tempo e o Cão", de Maria Lúcia Kehl, conquistam leitores a cada dia. O autor gaúcho descreveu a tragetória da melancolia da passagem da Idade Média para o Renascimento.

Percebendo essa tristeza, a consultora Cristina Franco, defende que essa 'doença da alma' tem sido atacada na moda pelo excesso de cor:
- Esse conjunto quase eufórico de tons é uma reação á melancolia -  afirma Cristina acenando para a 'louca" mistura de cores da estilista alemã Jill Sander bem como para a exuberância da coleção Prada. - Interessante notar ainda, que estão acontecendo no mundo inteiro homenagens a Saint Laurent, que era uma pessoa extremamente melancólica e um mestre na combinação de cores.
O neurologista Marco Antônio Araújo Leite explica que a melancolia designa um subtipo de depressão, outrora chamada endógena.
- Ambas variam quanto à intensidade, ao período de manifestação clínica e à associação com outros distúrbios. Depressão é uma doença comum, qua acomete cerca de vinte por cento das pessoas, porém é mais frequente entre as mulheres com idade entre 20 e 40 anos.
.Sérgio Araújo (fonte imagem)
Lençóis de hospital e motel na exposição "2892", de Daniel Senise



DITADURA DA EUFORIA PERPÉTUA

O médico alerta que não se deve confundi-la com tristeza e explica que, nos últimos anos, os neurocientistas têm demonstrado áreas cerebrais correlacionadas á tristeza em voluntários saudáveis por meio de estudos com tomografia axial computadorizada, com emissão de pósitrons e ressonância nuclear magnética:
- Tristeza é uma condição humana, um estado de ânimo. Como dói a dor de um amor perdido! Quantas são as lágrimas que escorrem pelo rosto diante de uma frustração! Esse sentimento representa uma reação individual a estímulos  externos e é passageiro. É algo por nós expressado quando somos expostos á situações ruins. Todos passamos por momentos de tristeza em nossas vidas: meu time perdeu, minha namorada me largou, meu patrão não reconhece meu esforço... Em geral, o tempo ou incentivos motivacionais promovem melhora de condições como essas. Como diria Paulo Vanzolini: "reconhece a queda e não desanima; levanta sacode a poeira e dá a volta por cima."

A quantidade de pacientes melancólicos que buscam seu divã tem chamado a atenção do psicanalista Carlos Eduardo Leal. Ele pega carona em Freud para falar sobre o tema:
- É importante observar que vivemos sob a ditadura de uma euforia perpétua, um 'dever de felicidade'. Todos nós temos que estar com um sorriso nos lábios, mesmo que  seja falso. Parece que não há mais lugar para momentos de tristeza neste mundo. Associa-se esse estado de euforia à felicidade, ao passo que se correlaciona a tristeza à depressão - explica Leal ou à melancolia - Explica Leal.
- A melancolia traz o peso da sensação de fim de mundo. Ela é a dor de existir.

Recém eleito para a Academia Brasileira de Letras, Marco Lucchesi concorda com Leal. E abre parênteses para explicar que a melancolia o remente irremediavelmente ao poeta alemão Geork Trakl, autor de versos "Enfim sempre regressas, melancolia, ó mansidão da alma solitária".
- Não penso necessariamente no clássico luto e melancolia de Freud, mas me deparo com uma epidemia de euforia que parece marcar o fim do século XX. É proibido emocionar-se. Entristecer-se. É a patrulha química das lágrimas ou a patrulha da sociabilidade.

Uma tristeza contínua, ausência de amor-próprio, desinteresse pelo mundo, tendência ao suicídio: Viviane Mosé lembra que esses sintomas eram tidos como melancólicos e que o termo, muito usado por Freud, aos poucos foi sendo substituído por depressão, a ponto de melancolia e depressão terem virado sinônimo para alguns:
- Em minha opinião existe, sim, uma diferença: a melancolia sempre teve um charme, na medida que desde a Grécia esteve relacionada a gênios, aos filósofos, aos cientistas e aos artistas; já a depressão aparece mais como uma falta, não vem recheada de positividade, como ocorre na melancolia. O fato é que aqueles com pretensão intelectual ou artística acabam por se identificar com esse tipo sofredor. É chique em nossa cultura.

Mesmo reconhecendo que a melancolia se alimenta desse caos humano, social e ambiental, ela é otimista:
- Esta crise pode ser o prenúncio de grandes transformações, do surgimento de seres humanos corajosos e dispostos a superar o atual estado de coisas. Acredito na transformação. vejo melancolia, sim, mas também vejo ação e coragem no mundo de hoje.

Na literatura contemporânea, o crítico josé Castello enxerga uma tendência ao vazio e à impotência existencial:
- De saída penso na obra maravilhosa de João Gilberto Noll, toda la encenada por personagens solitários, extraviados, um tanto cegos. Já ouvi o Noll falar não em melancolia, porém em certo "autismo": o sujeito separado do mundo.

Castello cita ainda o "forte desamparo" nos livros de Cristovão Tezza, a "tristeza" na obra poética de Adélia Prado e a "descrença" nos livros de Raduan Nassar:
-Sem dúvida que existe uma espécie de desespero nos dois grandes livros de Raduan. Penso no forte sentimento de exílio em "Lavoura Arcaica" e, também, nos sentimentos de separação, de solidão e incompreensão.

Melancolia?
- não sei se usaria a palavra melancolia: desamparo, sim - observa Castello, lembrando que os médicos hoje relacionam quase qualquer sintoma à depressão, porém talvez evitem o nome mais correto ("embora mais incômodo, porque não tratável") de melancolia:
- Existem os antidepressivos, mas não existem os 'antimelancólicos'.

O crítico lembra que João Cabral de Melo Neto, derrotado pela melancolia da velhice, vivia "furioso" com os médicos, que sempre lhe prescreviam antidepressivos:
- Ele dizia que não era depressão o que sentia, nem era angústia e sim melancolia; uma espécie de buraco no peito.

O crítico de teatro Macksen Luiz observa que sempre reencenam obras de Tchekov, com seus personagens que vivem em busca de alguma coisa, a qual jamais conseguem alcançar. Agora mesmo, o grupo Balcão está percorrendo o Brasil com "Tio Vânia".
- Toda obra de Tchekov está voltada para uma atmosfera melancólica. Seus personagens quando imaginam que estão em luta por alguma coisa, no íntimo sabem que esta luta está perdida - analisa Macksen autor do blog macksenluiz.blogspot.com.

Macksen lembra que o autor russo é reencenado com frequência, sobretudo por diretores preocupados em renovar a linguagem teatral de alguma forma; diretores que focam a melancolia através de uma linguagem provocativa e inquieta:
- Eles não são melancólicos ao realizar esses espetáculos. Uma vez por ano, pelo menos, tenos uma montagem de Tchekov no Rio e em São Paulo. Enrique Diaz e Bia Lessa, que não são dieretores tradicionais, já montaram - diz Macksen.

LIBRIANOS SÃO OS MAIS ATINGIDOS

No entanto, a astrologia também tem lá suas explicações. A astróloga Mônica Horta afirma que os filhos de Libra estão sendo os mais atingidos por essa onda melancólica:
- Com Saturno cruzando o céu dos librianos, a melancolia fica à flor da pele, embora não seja necessariamente um aspecto ruim. Isso porque, exaltado no signo de Libra, Saturno tem a capa de uma lucidez extraordinária.

Para o escritor Carlos Heitor Cony, a "nostalgia é saudade do que vivi, a melancolia é saudade do que não vivi". O curador de arte Marcos Lontra entende bem o significado da frase. Ele lembra que o Brasil é tropical e exuberante, contudo a melancolia é um traço genético entre nós, os portugueses e os africanos saudosos:
- Até mesmo os jardineiros orientais subiam a encosta do Jardim Botânico, onde hoje existe o que chamamos de Vista Chinesa, e ficavam a olhar o mar, pensando na China ou na Indonésia, tanto faz, pois melancolia não tem pátria... Machado é melancólico, bem como Goeldi. A Bossa Nova, então... Passada a Utopia modernista, a arte hoje parece oscilar entre o cinismo exuberante e a melancolia sedutora, como é o caso da bela exposição da Daniel Senise aqui no Rio. Imperdível - analisa Lontra a respeito da exposição, cuja obra central é formada por setenta lençóis usados num hospital e num motel - Enfim melancolia é isso, reticência, algo que poderia ser escrito, mas não é... E La Nave Va...



Fonte: Jornal O Globo - Caderno Ela p.8 (18/06/2011)
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4 de set de 2011

EDUCAR PARA...


Diante dos recentes acontecimentos, fatos presentes desde de sempre na mais remota história brasileira,  é para pensar na nossa apatia como sociedade num Brasil que inegavelmente aconteceram avanços, mas os mesmos ainda não foram capazes de produzir cidadania. Melhoramos como "poder de compra", mas ter um computador de última geração numa casa cuja rua ainda não esgoto tratado, espera-se meses para consultar um médico e a nossa educação ainda precisando ser de qualidade para todos... Parece que o essencial para uma nação se tornar de fato desenvolvida em bases profundas e não com medidas paliativas, tem sido há anos colocado em segundo plano e nada fazemos para que isso se torne uma prioridade.
A psicologia não pode ficar restrita apenas ao psiquismo humano sem participar e estimular este e outros tipos de discussões que falam diretamente à nossa sociedade, pois o homem com todas as suas complexidades é único, mas habita no mundo como aquele que cria e é também pelo mundo influenciado. É importante que a nossa apatia seja discutida em especial nas escolas e em todos os lugares da nossa sociedade, pois também somos seres políticos, com uma função importante na dinâmica e na transformação social. Somos uma nação que ainda vai influenciar muito a Humanidade. Creio nisso!

Regina Bomfim




Por Paulo Pozzebon
Universidade São Francisco

... a participação política. Este é um dos grandes desafios das sociedades modernas, inclusive o Brasil. Nossa apatia política parece derivar do autoritarismo arraigado, que durante 500 anos modelou a sociedade brasileira e ainda hoje perdura, apesar da conquista da democracia. Apatia que explica o político que usa o dinheiro público como se fosse seu, a baixa qualidade de muitas escolas e hospitais públicos e a constante violência. Tudo isso mudaria se houvesse participação intensa e vigilante da população e se a política fosse encarada como instrumento necessário para a solução de conflitos e para a construção de uma sociedade justa e inclusiva. Tarefa de todos, a participação política é atitude responsável e solidária.
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3 de set de 2011

Conflito de interesse

Por Roberto DaMatta
Para Ana Maria Machado e Merval Pereira

A expressão é parte do vocabulário dos sistemas políticos que perseguem um equilíbrio inalcançável entre pontos de vista particulares e o sistema que sustenta a sociedade movidas por competição eleitoral. Quando há competição eleitoral (como ocorre no liberalismo) há equilíbrio, mas em contrapartida, não há conflito de interesse já que o interesse do Grande Irmão ou do Partido despoticamente sufoca tudo.

Mas no liberalismo de Montesquieu há, de um lado, a motivação por ganhos e, de outro a consciência das implicações (e dos custos) da realização dessas motivações para a coletividade. E quando o Fulano ou o Sicrano souberem? Será que a proposta está de acordo com as normas do sistema? Questionam todos os interessados que querem realizar o seu empenho, o qual demanda visibilidade, pois o sistema precisa como num jogo de futebol, de testemunho público e de "transparência". O que poderá ocorrer se eu for contratado em surdina, digamos pelo Ministério do Turismo, para planejar o panorama do turismo no Brasil nos próximos quatro anos pela modesta quantia de 50 milhões de reais? Como ocorreu a contratação? Quem a propôs? Que tipo de relacionamento eu teria com certas pessoas do Ministério? Quem competia comigo ou quem inventou a idéia e assim por diante são perguntas mais do que legítimas que surgem aos berros ou sussurros, buscando a legitimidade (ou a face externa) do processo. Por que a legitimidade (uma dimensão capital das ações sociais que Max Weber suscitou na sua obra) diz respeito a presença do político ou da totalidade nos processos sociais. Eu posso fazer sozinho mas quem aprova comprando, lendo ou apoiando é a sociedade! A legitimidade fala da reação da coletividade diante de fatos que ocorrem no seu meio. Se os fatos forem opacos ou bizarros (como pode uma pessoa enriquecer 20 vezes em 2 dias; ou porque os "parques de diversão" se transformaram em "parques de aflição" na cidade do Rio de Janeiro), eles trazem de volta a lógica do bom-senso - a voz de todo ao qual também pertencemos.

O poder passou do carisma e da tradição (as pessoas nasciam, não se elegiam reis...) ao sistema burocrático-legal que se interpõe e administra os eternos conflitos entre os interesses particulares e a moralidade coletiva. As leis feitas para todos e o seu aparelho institucional são as almas do sistema democrático. Os interesses são as mãos visíveis dos desejos legítimos (ou escusos) de enriquecer e de ter sucesso. O problema é saber  o que,  como e quando tais interesses se sustentam num jogo no qual muitos agentes começam a oferecer simultaneamente os mesmos bens e serviços de modo cada vez mais igualitário e impessoal ao estado e ao "governo". Impossível, porém, perceber conflitos de interesses num sistema familístico no qual os governantes se apossavam do governo e do "poder", concebido como um modo de liquidar adversários, de ajudar parentes, partidos e amigos; e de aristocratizar quem o alcançava. Nesta concepção não havia uma diferença entre interesses do todo (ou da sociedade) representado pela administração pública e os interesses do "governo" que se confundiam com os segmentos certos de que "agora é a nossa vez".

Antigamente havia quem não pagasse imposto de renda no Brasil. Hoje todos pagamos impostos - mutos impostos. A teoria é puro bem-senso; paga-se mais quem ganha mais; e os impostos pagos são redistribuídos em bens e serviços que contemplam todo o sistema engendrando interdependências. Antigamente prestávamos mais atenção a cobrança; hoje - eis a revolução - prestamos muito mais atenção a redistribuição! A partir da vivência com um mundo mais transparente, repleto de problemas e informatizado, ficou claro que tal "estado" - esse engenho que recolhe e usa os dinheiros de todos - não funciona pensando na coletividade que ele representa e deve servir, mas opera claramente em benefício de uma ou outra entidade que nós no Brasil chamamos de governo e que é, de fato, uma das encarnações mais negativas, senão a mais negativa do estado entre nós.

 È Precisamente isso que precisa ser mudado. Não dá mais para continuar a operar num sistema político no qual "ter poder " é distribuir cargos em vez de usar desses cargos como instrumento de gerenciamento público. Não é mais possível pensar o "poder" como algo ao sabor das pessoas, partidos e interesses - como um recurso para aristocratizar grupos que dele fazer parte por nomeação, vínculo ideológico ou eleição. Está passando o tempo no qual o governo podia ser "dono do Brasil" e como tal gastar bastarda e irresponsavelmente o fruto do nosso trabalho, ignorando o nosso país e pensando exclusivamente nos seus comparsas. O limite da demagogia que inventou esse híbrido de eleição tem tudo a ver com a incoerência entre pessoas e papéis. A final, um ator medíocre não pode interpretar Hamlet, do mesmo modo que é preciso fazer com que o estado e sobretudo o governo sejam servidores da sociedade, a ela devolvendo o resultado do trabalho de seus cidadãos comuns. Afinal, a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus.
Roberto DaMatta é antropólogo
Fonte: Jornal O GLOBO - Opinião p.7 (24/08).
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