A EDUCAÇÃO E SEUS ATUAIS DESAFIOS




Pelo que foi observado em trabalhos realizados com educadores, parece haver uma incompatibilidade de idéias entre os teóricos, legisladores e os professores que vivem a rotina na sala de aula. Em geral os professores dizem não serem ouvidos quando alguma modificação é feita pelos legisladores.
A impressão que dá é a existência de um abismo entre teoria e a prática de uma educação que no cotidiano segundo os educadores é repleta de percalços que vão além da tarefa de ensinar.

Vivemos num país que ainda não conseguiu efetivar projetos capazes de produzir  uma qualidade de educação que consiga corresponder ao crescimento da importância do Brasil no cenário da economia mundial.

Que tipo de educação precisamos numa nação de dimensões continentais como a nossa e de características tão peculiares, sendo a mais marcante a diversidade cultural, aliado às diferenças individuais que cada aluno traz das suas vivências anteriores à presença na escola, somando-se a um mundo com avanços tecnológicos que trazem novas formas de lidar com o conhecimento? Analisar a educação no Brasil faz crer ser necessário observar , ouvir todas as partes envolvidas e não apenas importar modelos bem sucedidos.

Não é a educação sozinha, mas um conjunto de fatores técnicos da área e decisões políticas que  considerem a educação como algo efetivamente  interessante, a ponto de mobilizar ações, capazes de mudar de fato o que não tem sido positivo, como atestam os baixos índices nas recentes estatísticas, assim como o analfabetismos funcional, a participação da família, a inclusão, a forma de trabalhar o conteúdo, a formação e valorização dos professores e porque não dizer, a presença do psicólogo nas escolas como um elemento capaz de somar ao processo educativo.

A educação ainda está distante do que é importante para que este País possa crescer ainda mais em bases sólidas. Num debate no último dia 7 feito pela ONG Junior Achievement e o O Globo, que teve a presença da ex-Secretária Municipal de Educação e hoje professora da Uerj, Regina de Assis; com a gerente geral do Canal Futura, Lúciana Araújo e Rosana Mendes da equipe de gestores da Secretaria Municipal de Educação. As três em suas vivências observaram que a escola não acompanhou as mudanças no mundo a ponto de se tornar interessante para os alunos. Sendo assim pra que se manter na escola? A professora Regina de Assis disse que nossa escola ainda é como na Idade Média, pois os avanços tecnológicos trazem ao conhecimento novas configurações que a escola ainda não foi capaz de acompanhar e isso causa desinteresse no aluno. É preciso tornar a educação prazerosa  passando pela formação dos professores que precisa contemplar esta nova realidade.

O jovem recebe informações das mais diversas fontes e a escola precisa aprender a lidar com isso. Esta mudança deve partir do professor. A universidade ainda não dá atenção à educação básica, pois não considera todo o processo de aquisição de conhecimento ao longo da vida do estudante de modo integrado  fomentando no educador este olhar.

A gerente do Canal Futura lançou no dia 17 deste mês o documentário "Destino Educação" para investigar o que fazem os países no topo do ranking de educação no mundo como Canadá, Finlândia, China, Chile e  para comparar e ver o que pode ser utilizado destas experiências no Brasil.  Estes países foram visitados pela equipe de TV cujo resultado está indo ao ar todos os dias 21h e está disponível para professores e instituições de ensino no site Futura Tech: futuratec.org.br.

Rosana Mendes  admitiu que há um abismo entre o setor público e privado:
"-Estamos tentando reduzir este abismo, e lançamos no ano passado um programa de aceleração do aprendizado para corrigir a defasagem aluno/série, com uma metodologia específica. O problema ainda é grande e há muito o que melhorar. Defendo uma educação pública de qualidade e inclusiva" ." (O Globo- Razão Social, 18/10)

Para Regina de Assis, inclusão é fundamental para construir uma escola eficaz:
"- Tem aluno que tem pai alccólatra, mãe prostituta, que é filho de casal homoafetivo, entre outras situações que expressam diversidade. A escola e o professor têm que saber lidar com isso. Têm de saber educar o indivíduo na coletividade. Não adianta alunos serem ótimos em português e matemática se eles não são incentivados a gostarem de si mesmos." (O Globo- Razão Social, 18/10)
Esta ONG que promoveu o debate, incentiva funcionários de empresas privadas a realizar trabalhos em escolas.

Fonte: Jornal O Globo - Revista Razão Social (18/10)

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