JANEIRO BRANCO: MÊS DA SAÚDE MENTAL, SAÚDE MENTAL SEMPRE

Recebi este GIF via Whatsapp, espero que funcione na sua mídia
Falar de saúde mental é compreender que esta é, sem medo de ser audaciosa em minha posição, o território, o recurso natural, a tecnologia mais valiosa da existência que cabe ao ser humano explorar. Como ainda somos estrangeiros dentro de nós mesmos, apesar dos  importantes avanços que somos capazes de criar. 

As perspectivas de crescimento dos transtornos mentais e seus inegáveis danos à saúde e à produtividade por cada vez mais incapacitarem ao trabalho e ao desfrutar da vida, torna-se cada vez mais algo que não mais pode ser ignorado, daí a iniciativa de transformar o mês de Janeiro no mês da Saúde Mental -  JANEIRO BRANCO.

Em muitas ocasiões o PSICOLOGIA EM FOCO falou sobre o quanto se tornou insustentável manter a separação corpo e alma - O penso, logo existo de Descartes, somado a todos os pensadores que forjaram a estrutura e o funcionamento do Ocidente, tem se mostrado ineficaz ao longo dos anos para dar conta da comp…


Você está pronto para o sucesso?

Estou aqui sentada, no meio do meu feriado, assistindo o Luciano Huck dar uma entrevista para Fernanda Young na GNT. Ela diz que ele é considerado "mala" por algumas pessoas e ele responde, muito complacentemente "pois é, não dá pra agradar todo mundo, toda unanimidade é burra".


Ao mesmo tempo abro os meus e-mails e vejo um de crítica a um dos meus textos. Não vou falar sobre o que porque entraria em outras vertentes que não interessam, mas senti meu corpo gelar quando vi que se tratava de uma crítica. E sim, preciso aprender mais sobre isso. 


Uma vez eu ouvi a frase "Você está mesmo preparado para o sucesso?". A primeira reação quando ouvimos isso é dizer um sonoro "Claro que sim", não é mesmo? Quem não quer o sucesso, ser reconhecido como uma pessoa do bem, que fala coisas legais, que é seguido pelas pessoas? Quem não quer os louros que isso nos trás como o dinheiro, a fama e principalmente as oportunidades que podem vir junto com o sucesso? É. Mas não é bem assim. E existe sim um "não" poderoso que pode ecoar lá dentro da gente e nos fazer sentir um frio no corpo quando escuta uma crítica. 


As pessoas de sucesso são atacadas. Veementemente atacadas. E não estou falando de mim não, que não estou neste ponto. Mas pensei em pessoas como o Luciano Huck. Eu, particularmente, gosto dele. É um cara de boas idéias e boas intenções, por mais que eu acredite que muitas vezes seu programa é meio pedante demais, mas mesmo assim eu gosto. Gosto de pessoas que se preocupam em transformar e ajudar na transformação dos outros, mas, com certeza, e você até pode ser uma destas pessoas, algumas não gostam. Ou muitas não gostam e tem críticas ferrenhas a fazer a ele. 


E tem razão. E tem direito! Não existe essa de querer agradar todo mundo com o que você faz, ou escreve, ou apresenta. Na hora em que você se coloca numa posição mais importante do que maioria, de mais poder e prestígio, você tem que pagar o preço. Porque é um direito das pessoas não gostar das outras, assim como tem gente na TV e na mídia que eu não suporto. É um direito que fere, em algum grau, o direito dos outros? Não sei, depende de como você lida com isso. 


Alguns textos meus já geraram muita discussão e controvérsia. Já recebi críticas cruéis, já li coisa até sobre a minha pessoa por coisas que eu escrevi (o que me parece injusto, porque eu inteira não sou só o que eu escrevo). Mas claro que escritores colocam muito de si no papel. E claro que eu não vivi todas as experiências do Universo. Eu vivi algumas coisas e escrevo sobre as coisas que eu vivi ou que vi outras pessoas vivendo. Sei de algumas dores de perceber, de sentir e foi pra isso que o Universo me muniu de uma sensibilidade extrema (que em alguns graus até me atrapalha), para que eu possa sentir experiências e não necessariamente precise participar delas. E eu escrevo do ponto de vista geral, do todo. Não falo sobre problemas específicos a não ser que eu tenha realmente passado por eles. 


Já vi muita coisa. Dentro do meu consultório, na minha vida. Já passei por coisas que eu não conto e que, na realidade, são só histórias. E destas historias eu tirei os aprendizados que eu tenho hoje. E sim, ainda tem muitas, muita coisa lá fora que eu preciso aprender. Mas não posso deixar de escrever porque alguém se sentiu ofendido, ou porque eu falei de algo que a pessoa entende diferente. As pessoas têm o direito de entender e sentir diferente. Vivemos um mundo com muitos graus de entendimento (e não leia isso como superior ou inferior, mas sim como experiências paralelas) e é claro que nem tudo o que eu disser, escrever, passar as pessoas vão se identificar. Mas a minha grande lição com este e-mail em específico, por exemplo, é o que eu estou deixando entrar em mim vindo do outro. 


Pessoas são pessoas. Só isso. E aqui e agora eu abdico da minha necessidade infantil de agradar a gregos e troianos. Ser a gente mesmo, assumir isso é se bancar. Bancar quem você é no Universo. Isso é simplesmente maravilhoso e atrai todas as energias boas para você. E o preço é ler críticas ao seu trabalho e não se deixar derrubar por isso. 


Não sinto mais gelo. Sinto um calor. De uma pessoa que pode sim ter criticado, mas porque isso a tocou de alguma maneira e possivelmente a fez pensar. Repensar. Ficar com raiva, não sei, mas qualquer coisa que sim, ela precisava sentir e entender. Tudo está sempre certo. 
Andrea Pavlovitsch 
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