Na violência sexual, silêncio é a atitude mais comum



Rosely Sayão - Colunista da Folha


Quando o assunto é bullying, fazemos o maior barulho. Reportagens, colunas, palestras, orientações, conselhos, livros e mais livros.


Acreditamos que adquirindo muita informação  a esse respeito, nossos filhos ficarão mais seguros. Já quando o assunto é violência  sexual contra crianças e adolescentes... Silêncio é o que fazemos.



O constrangimento que sentimos em relação a essa situação é tamanho que preferimos ignorar o assunto ou, pelo menos, encontrar boas justificativas para isso.
Acreditar, por exemplo, que esse é um fato que não atinge famílias como a que pertencemos, costuma ser uma delas.


Acontece. em todo tipo de família, de todas as classes sociais, com crianças de todas as idades. e mais em geral, são pessoas próximas , bem próximas à família que praticam tais atos.


Tios, avós, amigos íntimos da família, padrastos, vizinhos que partilham da intimidade da casa, etc. São esses entre outros, os personagens principais, segundo estudos apontam, dos abusos sexuais contra os mais novos.


É um caso bem sério esse, principalmente quando nos lembramos de duas características no nosso mundo:


A primeira: os mais novos estão eroticamente hiperestimulados. Acham "normal" viver uma experiência deste tipo, portanto.


A segunda: Nos tempos atuais, crianças e jovens não sabem mais que têm direito à intimidade. aliás, eles nem sabem o que é isso.


Nos canais abertos, em horários que as crianças estão expostas à TV, há uma exploração de "reality shows". Eles não sabem, portanto o que é intimidade.


Temos muitos motivos para não permanecer em silêncio quanto a assunto tão importante. Nossa questão é saber tratar do tema com a delicadeza que ele exige.


Fonte Folha de São Paulo (22/05)
Leia mais em: http://matizesfeministas.blogspot.com.br/2012/05/o-depoimento-de-xuxa-e-o-abuso-sexual.html





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