JANEIRO BRANCO: MÊS DA SAÚDE MENTAL, SAÚDE MENTAL SEMPRE

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Falar de saúde mental é compreender que esta é, sem medo de ser audaciosa em minha posição, o território, o recurso natural, a tecnologia mais valiosa da existência que cabe ao ser humano explorar. Como ainda somos estrangeiros dentro de nós mesmos, apesar dos  importantes avanços que somos capazes de criar. 

As perspectivas de crescimento dos transtornos mentais e seus inegáveis danos à saúde e à produtividade por cada vez mais incapacitarem ao trabalho e ao desfrutar da vida, torna-se cada vez mais algo que não mais pode ser ignorado, daí a iniciativa de transformar o mês de Janeiro no mês da Saúde Mental -  JANEIRO BRANCO.

Em muitas ocasiões o PSICOLOGIA EM FOCO falou sobre o quanto se tornou insustentável manter a separação corpo e alma - O penso, logo existo de Descartes, somado a todos os pensadores que forjaram a estrutura e o funcionamento do Ocidente, tem se mostrado ineficaz ao longo dos anos para dar conta da comp…




Por Édson Carlos - é presidente do Instituto Trata Brasil
Fonte: Jornal O Globo - Opinião (05/06)

Muita controvérsia paira sobre a Rio+ 20 e ninguém sabe ao certo como e o que acontecerá nestas duas semanas em que o mundo estará atento ao Brasil. São tantas atividades, tantas autoridades e temas, que fica difícil saber ao certo, mesmo para aqueles mais interessados, onde ir, o que visitar, ao que assistir.

A expectativa não é fruto somente do bombardeiro de informações que aumenta com a chegada da conferência, mas principalmente da relevância que o tema ambiental tomou em nossas vidas. Sabemos que os impactos na natureza transpassam as barreiras do meio ambiente e nos alertam em todas as demais áreas da vida, principalmente em nossa saúde.

As discussões sobre a Rio+ 20 são, portanto, muito pertinentes, mas a maior parte da população assiste à chegada da conferência sem entender bem o que esperar, se é que se pode esperar algo. Temos que aproveitar a oportunidade para debater os grandes temas internacionais - o futuro do clima, da energia, da água, da vida nas cidades, mas principalmente discutir a pobreza, o mais importante de todas os impactos ambientais.

Temos que chamar a atenção dos envolvidos para as graves lacunas que ainda separam os países que perpetuam as desigualdades. É fato que somente o fator econômico não é suficiente para resolver os problemas, como o Brasil está provando. Avançar nos indicadores ambientais e sociais tem sido muito mais difícil do que do que melhorar a posição entre os países ricos. Melhorar estes índices depende fortemente dos poderes locais e da mobilização do cidadão sobre suas mazelas, da cobrança sem trégua às autoridades.

É fundamental que a Rio + 20 olhe para o micro. Em muitos países ainda não se consegue dar ao cidadão menos favorecido o que existe de mais básico. Perpetuamos doenças da Idade Média e continuamos sendo vítimas de descasos históricos. A falta de saneamento básico é a melhor demonstração de que o essencial continua sendo deixado em segundo plano. Não dispor de serviços como água tratada, coleta e tratamento dos esgotos afronta a dignidade humana. Segundo a própria Organização das Nações Unidas, a falta desses serviços afeta mais de 2 bilhões de pessoas em todo mundo, particularmente as crianças, os pobres e os desfavorecidos. A ONU projeta que, a continuar assim, em 2015 serão quase 3 bilhões.

Os índices brasileiros são vergonhosos. Um em cada cinco brasileiros ainda não têm suas casas conectadas a uma rede de esgoto e muito pouco do esgoto coletado é tratado. Perdemos quase 40% da água tratada que deveria chegar às nossas torneiras. Como explicar que uma das maiores economias do mundo fique nessa situação, mantendo suas crianças à mercê de diarréia, cólera, hepatite, verminose e tantas outras doenças da água poluída?

Pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas para o Instituto Trata Brasil em 2009 mostrava que, à época quase 700 mil crianças entre 0 e 5 anos eram internadas por diarréia no país, e quase 220 mil trabalhadores tiveram de se afastar do trabalho por causa desse problema. Passaram vinte anos desde a Rio- 92 e continuamos poluindo a pouca água que temos. De acordo com o último Atlas da Agência Nacional das Águas, publicado em 2011, 55% dos seus 5.565 municípios do país podem sofrer desabastecimento de água nos próximos quatro anos e 84% das cidades necessitam de investimentos para adequar seus sistemas produtores de água.

Então o que pensar num cenário onde se estima um aumento da população, projetado no Atlas, de 5 milhões de habitantes até 2025? Ainda segundo o estudo, seriam necessários os 70 bilhões apenas para melhorar, ampliar e proteger os sistemas produtores de água; uma boa parte disso para coletar e tratar os esgotos jogados indiscriminadamente nos mesmos locais de onde se retira água para a população.

É impossível, portanto, falar em desenvolvimento sustentável enquanto perdurar esta poluição generalizada, vexatória em todos os sentidos. A solução não é simples, sabemos disso. São necessários muitos recursos e muito investimento, mas o país não pode mais se esconder atrás das dificuldades. Levar saneamento básico a todos é o mínimo, uma obrigação em qualquer lugar lugar do mundo. No Brasil estamos avançando, é verdade, mas ainda a passos lentos. Os recursos do PAC, tão importantes para mudar o cenário, ainda não conseguiram ser essa alavanca, mesmo após cinco anos de programa.

Nestes dias em que celebramos a natureza e a Rio +20, nos cabe torcer para que a salvação da natureza venha com debates que apontem caminhos para reduzir a desigualdade, a pobreza, a desinformação e a inércia, tanto do cidadão quanto das autoridades. Para o Brasil, torcer para que as autoridades discutam o básico, o essencial. que se dediquem às carências mais imediatas do nosso povo. Se isso for conseguido, a Rio + 20 já terá sido um sucesso e deixará o tal legado de que tantos ouvimos falar, mas que nunca conseguimos testemunhar.