Inovar é melhorar a vida das pessoas



Pra que serve a inovação se não melhorar a vida das pessoas? Se inovar não tiver esta finalidade, será apenas uma felicidade que um dia descobriremos que não nos serve. O século XX foi fundado em tantas promessas de conforto e modernidade, promessas que se cumpriram e outras tantas que aguardam o entendimento da humanidade despertar para o fato de que precisamos um dos outros e de cada elemento que existe no mundo. Usufruímos intensamente de algo que existe antes de nós.

Entrevista: 
Lorenzo Bustani

Fonte: O Globo - Boa Chance (p.8)

O que pode ser feito para melhorar a vida das pessoas? É essa questão que move o brasileiro Lorenzo Bustani, dono da consultoria Mandalah, eleito um dos cem empresários mais criativos do mundo, pela revista americana "Fast Company'. A receita diz ele, é promover a "inovação consciente"

*Como você define "inovação consciente'
A idéia só é inovadora se ela melhora a vida das pessoas, e isso tem a ver com a geração de uma nova consciência nas empresas. Queremos mostrar o papel que elas exercem na sociedade e de que forma seus produtos, serviços e estratégias podem não só manter a saudável e necessária busca por lucro, mas incorporar também valores sociais e humanos. Aliar lucro a propósito é a receita da inovação consciente.

*Como criar um novo produto ou serviço?
Primeiramente, deve ser um serviço ou produto que venha a somar, agregar, capaz de contribuir para um mundo melhor. E que busque sucesso e gere lucro para a empresa, pois é do lucro que a inovação consciente se alimenta, levando ao conceito de valor compartilhado, no qual todos saem ganhando.

*Quais são os desafios para inovar no país?
Atravessamos um momento muito fértil para a inovação; mas fertilidade é uma coisa,  plantar e regar as sementes do jeito certo é outra. Acho que as dificuldade vêm exatamente desse processo de transição. Muitas das nossas empresas ainda pagam o preço da exagerada informalidade, não dão prioridade ao conceito sustentável, carecem de infraestrutura em TI e não apostam na cultura da experimentação. Mas nosso mercado está deixando de ser refém do "jeitinho brasileiro" e entrando na era do profissionalismo. Está vendo que tudo funciona em cadeia. Com isso, a tendência natural é que a inovação consciente encontre os caminhos que ela merece. Potencial é oque não lhe falta