MARTIN LUTHER KING JR







Por: Lucia Magalhães

Quatro de abril de 1968, 18 horas, cidade de Memphis, Tenessee. Uma pessoa armada de fuzil com mira telescópica e silencioso dispara: é um tiro certeiro. Um homem de 39 anos cai, num terraço em frente: está morto o pastor batista Marthin Luther King Jr. Sua morte abala o país, em especial a comunidade negra: ele foi o pacifista cristão que lutou incansavelmente pelo fim da discriminação racial nos EUA. O que o distinguiu foi o modo como conseguiu mudar a situação dos afro-americanos, através de protestos pacíficos.


Com alma de idealista, amou a Igualdade, a Liberdade e a Fraternidade sobre todas as coisas. Elegeu os ideais maiores de Cristo e de Mahatma Gandhi, como fonte de inspiração e experimentou a coragem, a determinação e a paciência tão necessárias à prática do amor ao próximo e da não violência. Suas palavras ficam até hoje, como um nobre sonho pela Humanidade: "Há de chegar um dia em que os filhos de Deus, negros e brancos, hebreus e pagãos, protestantes e católicos hão de juntar suas mãos e cantar as palavras de um antigo spirirual negro: LIVRES, ENFIM, Ó GRANDE DEUS TODO PODEROSO, ESTAMOS ENFIM LIVRES".

Aos 19 anos, King se tornaria pastor batista, como o pai. Durante a pós-graduação em Boston, conheceu a cantora lírica Coretta Scott, com quem se casou em 1953 e teve  quatro filhos. No ano seguinte, mudou-se com a família para a igreja Batista de Montgomery, Alabama. Ali King seria um pregador diferente. A maioria dos pastores negros representava para os brancos uma força de conservadorismo, bastante útil ao estabelecido; no caso de Matin Luther King Jr. parecia um braço de Deus que vinha - para desafio e desconforto de todos - como um pacifísta. O próprio profeta Bahá´u´lláh no séc. XIX chaga a comentar tão formidável incógnita: a humanidade clama por um Mensageiro da Paz, e quando ele vem não lhe nega insultos, perseguição e até a morte.

Desde menino, King sentira o impacto do segregacionismo. Volta e meia sua família era ameaçada por telefonemas anônimos e cartas ofensivas. Seu pai Martin Luther King Sr., era líder do "Movimento Para os Direitos Civis" e sua mãe, Alberta, mulher de fé, criou seus três filhos corajosamente. King nasceu no dia 15 de janeiro de 1929, em Atlanta, Estado da Geórgia EUA. Nos tempos de escola, apesar de ser o melhor da classe, tinha que ouvir dos colegas: "tu és un nigger,não podes brincar conosco!". ao que sua mãe replicava: Não te deixes impressionar. Tu vales tanto quanto qualquer outro, não te esqueças!"

Neste lar, propício às primeiras lições de missionário, ele e seus dois irmãos ouviam histórias de escravos roubados da Àfrica e deportados para as plantações de ricos latifundiários americanos. E ali ficaram, inexoravelmente ligados à terra: para além dela, escolas, banheiros, lanchonetes, teatros, transporte público não podiam ser compartilhados; os racistas da Ku-Klux-Kan mantinham pela força e pelo terror todo o injusto segregacionismo.
Ora, esta clara injustiça para com 20 milhões de negros: o trabalho pouco remunerado, a proibição de votar, a repressão implacável da polícia (o linchamento era prática habitual) e a colocação deles na indústria pesada e no front, durante a primeira guerra mundial - provocavam efeitos, que, então, não se podia reverter. 

Começaram a surgir aqui e ali violentas figuras estimulando o revide e liderando lutas armadas. Paralelamente, muitos artistas e pensadores aliavam seus talentos ao novo surto de valorização do negro. do desejo de exaltação da raça, Marcus Garvey prega um retorno à África. "O negro é bonito" - dizia; "Vocês foram grandes e o serão de novo!" Dessa Renascença negra, King herda o entusiasmo - e repete a frase "sou negro sim, com muito orgulho!", como um louvor à vida.

Em 1955 a prática pacífica da desobediência civil enfim foi posta à prova, quando duas muheres se tornaram alvo da comoção geral: primeiro, a cantora negra Ben Smith, vítima de acidente de carro, morre sem conseguir atendimento nos hospitais do Mississipi; depois a jovem costureira Rosa Parks, esposa de um dos líderes negros Montgomery, se recusa a dar o seu lugar a uma mulher branca, como de praxe - e é presa. Logo foi proposto um biocote de 24 horas aos ônibus da cidade. King apoiou o movimento e foi além: num comício, propôs que nesse boicote fosse estendido até que se revogasse a lei de segregação nos transportes. Os negros aderiram em massa e iam sob sol e chuva a pé, cantando: "eu prefiro na chuva caminhar, que em dias frios em casa me esconder; prefiro ser feliz, embora louco, que conformado viver!" A luta durou um ano. Por fim, "Montgmery Lines" rendeu-se - e este benefício se alastrou pelo país.

A família de Luther King é ameaçada, sua casa é bombardeada várias vezes. embora preso, humilhado e agredido, ele repetia: "nosso método será o da persuação, não o da violência". Mesmo levando soco na boca, em pleno comício televisionado, pelo que foi duramente criticado por outros líderes radicais, especialmente por Malcom X - líder negro muçulmano que o considerava um atraso à vitória malgrado tudo isso, o grande pacifista  clamava: " essa corrente de ódio tem que ser quebrada, somente depois brotará a fraternidade". No seu apelo não se via nem violência nem covardia; ele previu que essas manifestações com ampla cobertura da mídia, iriam pressionar a opinião pública e fariam cumprir os direitos civis - tema que se tornou o principal assunto político da década de sessenta, nos Estados Unidos.
Em 1957, além das atividades da paróquia e de presidir a recém-fundada Liderança Cristã do Sul, Luther Ling se expõe cada vez mais. Começa a viajar, fazendo aqui e acolá centenas de discursos - até quem 1958, uma mulher fanática lhe enterra um punhal no peito. Durante sua convalescência avalia o antigo sonho - e, se determina a visitar o túmulo de Mahatma Gandhi. Na Índia, o Sr. Nehru, antigo amigo de Gandhi, o acolhe como chefe de nação e por todo a parte aquele povo místico se comove com os cânticos interpretados por Coretta e com os discursos inspiradores de Martin Luther King Jr... Seu ideal não diminuíra, pelo contrário: se era verdade, como dizia os extremistas, que um poder se derruba com outro poder - para ele, esse poder invencível era o Amor. Voltando à pátria, segue na luta, por todo o país. Nesse período, deixa com pesar sua paróquia - porque agora ele tinha o tamanho da América. Seu sonho de integração não esmorecia - e os 350 discursos deste período só aumentaram o número de seus admiradores.

A luta juvenil para não haver separação também nos bares e lanchonetes é chamda "sit-in" - e por mais essa vitória King pagará duramente. Lançado na prisão por insignificante infração na estrada, é atado por grossas correntes, jogado entre assassinos e ladrões e,  com uniforme de presidiário, é condenado a seis meses de trabalhos forçados. Coretta, inconformada, pede ajuda ao governo federal: o senador Kennedy intervem e King  é solto. O impasse estava no ar.

Na sexta- feira santa de 1963, celebrava-se o centenário da extinção da escravatura, assinada por Lincoln. Encabeçando uma grande multidão de brancos e negros,  Martin Luther king  marchou para a sede da Prefeitura. Trinta mil manifestantes foram presos e a América toda ficou assustada com tamanha crueldade. Só a libertação do líder negro pode acalmar os ânimos.

O Presidente Kennedy falou então em defesa dos negros  - e King julgou ser hora propícia para a marcha pacífica sobre Washington. De fato: no alvorecer de 28 de agosto de 1963 americnos de toda a parte chegam à capital. Duzentas mil pessoas marcham cantando e levando cartazes, um deles com verso de Hugles: "TAMBÉM SOU AMÉRICA!".Foi um dia inesquecível, na verdade uma celebração das conquistas recentes, mudança histórica na democracia americana. Kennedy decide lançar uma campanha en favor das minorias oprimidas, mas não pôde ir além: em Dallas, o ódio assassinou o Presidente.

Um triste pressentimento invade a alma do grande pacifista. Sua popularidade diminui e muitos seguidores o abandonam: cresciam nos guetos as vozes da violência e se misturaram às marchas pacíficas, criando tumulto e evasão. Por fim, a liderança lhe é arrebatada pelo fundador do Black Power, S. Carmicael. Mas nada impede que, irrredutível, continue sua missão. Em 14 de outubro de 1964, o reconhecimento mundial lhe chega através do Prêmio Nobel da Paz. É o mais novo pacifista a recebê-lo, por lederar resistência não violenta e por trabalhar pelo fim do preconceito racial nos Estados Unidos da América. Outros pacifistas dele se aproximam, especialmente Tich Nhat Hanh, em 1967 - por ocasião da sua oposição à guerra do Vietnã. Desse moge budista, engajado na mesma linha comum de resistência e ação pacifista, chegou a afirmar: "esse irmão vietnamita é quem deveria ganhar o Nobel..."
Tenta organizar outra marcha, mas não lhe é concedida a licença para desfilar. Ainda assim decide realizá-la, mesmo sem autorização, no dia quatro de abril de 1968 - dia fatal de sua morte. Suas palavras ficam conosco, como um verdadeiro testamento. "Estarei a favor da paz e da não violência de maneira absoluta". Após sua morte, recebu medalhas, homenagens póstumas - e sempre na terceira segunda-feira de janeiro é feriado nacional na América, em honra de  Martin Luther King Jr.

Pensamentos de Martin Luther King Jr.
  • Pouca coisa é necessária para transformar inteiramente uma vida: amor no coração e sorriso nos lábios
  • Se soubesse que o mundo se desintegraria amanhã, ainda assim plantaria a minha macieira. O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos. Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos.
  • Eu também sou vítima de sonhos adiados, de esperanças dilaceradas, mas apesar disso, eu ainda tenho um sonho, porque a gente não pode dsistir da vida.
  • Suba o primeiro degrau com fé. Não é necessário que você veja toda a escada. Apenas dê o primeiro passo.
  • Não procuremos satisfazer nossa sede de liberdadde bebendo na taça da amargura e do ódio. Precisamos conduzir nossa luta, para sempre, no alto plano da dignidade e da disciplina. Precisamos não permitir que nosso protesto criativo gere violência física. Muitas vezes, precisamos elevar-nos às majestosas alturas do encontro da força física com a força da alma.
  • Eu tenho um sonho de que, um dia, esta nação se erguerá e viverá o verdadeiro significado de seus princípios: "Achamos que estas verdades são evidentes por elas mesmas, que todos os homens são gerados iguais.
  • Eu tenho um sonho que, um dia, nas rubras colinas da Geórgia, os filhos de antigos escravos e os filhos dos antigos senhores de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade.
  • Eu tenho um sonho de que meus quatro filhos, um dia, viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter


Matrtin Luther KIng Jr. é a inspiração mais importante do Blog Psicologia em Foco. Porque construir o melhor em si mesmo implica em aceitar e valorizar os outros .



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