A FELICIDADE E A BOA FORMA COMO IMPOSIÇÃO


imagem extraída da Revista Rio Show - Miguel Paiva.

Neste mundo de hoje, ser feliz e ter o corpo em forma é uma "ordem" que, boa parte das pessoas se sentem obrigadas a obedecer a qualquer custo. A depressão, a ansiedade e a obesidade - isso para falar apenas dos problemas de saúde emblemáticos do nosso tempo, que se desenvolvem em contraste a este valor estabelecido, acabam produzindo uma carga extra, pois além da dor íntima há o enfrentar de toda a crítica da sociedade que vê este corpo acima do peso e esta mente pessimista como um atestado de incompetência do outro em gerenciar sua vida.






Há uma sorte de "prescrições", um sem número de você tem que fazer isso.. fazer aquilo... Aí vem a "falta de força de vontade" quando o indivíduo não faz ou escolhe um outro modo de enfrentar o que sente. E vem mais crítica ainda.  Muitas vezes o que o outro quer é apenas ser ouvido, acolhido e não que digam a ele o que deve fazer.

 Para não aborrecer os outros com sua dor, o indivíduo começa a esconder seus sentimentos e com isso sua dor aumenta talvez muito mais pelo motivo de começar a entender que para ser aceito, precisa ser outra pessoa, compreendendo deste modo, que a pessoa que é e o que sente, no fundo é uma coisa ruim. Ser o que se é então é visto como algo ruim, ter outros sentimentos diversos da felicidade, é ser fraco. E nesse cenário, algumas pessoas podem escolher o isolamento.




Mas nos interessa tratar aqui dessa busca da felicidade e beleza a todo custo, das pessoas que são os "reis da festa", mas choram baixinho no quarto, ficam tristes quando não têm nada pra fazer. Me parece que há um desejo constante de ostentar alegria, beleza, ser magro. Há um sistema de códigos sociais que nos são transmitidos das mais diversas formas e que acabam tendo como pano de fundo o consumo e quando obedecer aos apelos do consumo não é possível, a busca do corpo perfeito pode vir como uma alternativa para corresponder ao que socialmente é esperado. É só fechar a boca, aderindo a radicalismos perigosos. Sim, o mundo nos afeta muito mais do que percebemos.

A busca da felicidade e do corpo perfeito parece ser um dos grandes ícones do nosso tempo, um imperativo social de uma época complexa. Não estamos generalizando, mas parece haver em toda essa "festa", pessoas que agonizam silenciosamente num teatro de aparências. Robin Williams, não há como não pensar nele, e em todos os artistas que foram para o caminho das drogas e do álcool. Quais seriam os motivos? Quais a dores que estas pessoas guardavam apesar de uma vida profissional bem sucedida, de possuírem família, filhos?


Quais as bases sobre as quais construímos nosso desejo de felicidade? É importante que se diga que os sentimentos humanos sejam bons ou ruins devem ser aceitos, compreendidos ao invés de serem cegamente repelidos, pois esta repressão violenta é que adoece.

Mudança em termos psicológicos, é muito mais do que trocar um comportamento por outro, mas como disse o psicólogo Carl Rogers, é aceitar suas experiências, partir de onde se está, aceitando a dor, o medo, o pessimismo, a baixa auto estima, a falta de coragem etc como um comportamento que pode nos habitar, assim como o lado generoso, gentil, paciente etc. Temer entendê-los sem assumi-los como parte do processo de desenvolvimento humano é o que traz problemas sérios,.até mesmo crimes.

Esse ato de se congelar no "tem que" nos parece trazer uma ideia equivocada de que tem que ser feliz sempre, de que todo gordinho é simpático etc e acaba por criar um afastamento da riqueza de cada um e da capacidade de construção de novos significados de existir.

Regina Bomfim
Psicóloga
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