O HOME OFFICE FOI FEITO PARA VOCÊ?






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As vantagens são inegáveis, mas desempenhar funções corporativas em casa pode dificultar a ascensão profissional

Fonte Boa Chance

"Muitas das nossas melhores decisões e ideias vêm de discussões na cafeteria ou nos corredores, vêm do encontro com novas pessoas e de reuniões improvisadas". Esse trecho é de uma mensagem escrita pela CEO do Yahoo! Marisa Mayer no início de 2013, para justificar aos colaboradores o fim da política de home office da empresa, com sede nos EUA. A decisão foi polêmica e considerada por alguns especialistas um contrassenso numa época em que o trabalho remoto cresce nas empresas em todo mundo, inclusive no Brasil.



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Segundo o Top Employers Institute, em 2014, 15% das companhias brasileiras instituíram esse formato para seus colaboradores. No ano anterior, esse índice era de 6%. Na opinião do coach e consultor de RH Alexandre Prates trabalhar o esquema de home office é uma via de mão dupla.

De um lado, os profissionais que atuam nesse formato têm a oportunidade de evitar o trânsito caótico para chegar à empresa e outros estresses do dia a dia, flexibilizar horários, ter qualidade de vida e mais contato com a família. Por outro,desempenhar funções corporativas em casa pode significar dificuldades de ascender profissionalmente, causar isolamento  e reduzir as chances de desenvolvimento na área gerencial.
- Vejo no mercado muitos profissionais que trabalham em home office voltar para o escritório por decisão própria ou escolha da empresa. Para as companhias não adianta querer tornar a rotina de seus funcionários mais flexível, sem antes criar uma ferramenta eficiente de medição do desempenho dos profissionais. Quanto aos colaboradores que optam por este sistema, uma das coisas que mais sentem falta é do vínculo próximo com seus líderes.

Um levantamento divulgado no ano passado pelos pesquisadores Kimberly Elsbach e Daniel Cable, da Universidade da Califórnia e da London Business School, respectivamente, constatou que o profissional que trabalha em casa tem até 25% menos chance de ser promovido do que quem atua presencialmente. Eles afirmam que os colaboradores presenciais são mais lembrados entre aqueles que cumprem suas jornadas de trabalho. Assim, concluiu o estudo, o tempo que a pessoa passa no escritório pode facilitar futuras promoções.

VIVÊNCIA NA EMPRESA

Um ano longe dos escritórios corporativos é o período máximo para quem deseja alcançar um posto de liderança na empresa, afirma Alexandre. O profissional que trabalha remotamente e tem a pretensão de crescer na carreira deve ter o dobro de determinação na entrega de resultados e tentar aumentar gradativamente sua presença na companhia. O vínculo e a proximidade física ajudam e são fundamentais para o funcionário ser mais visto, reconhecido e lembrado pelos gestores.

Para o consultor, trabalhar sem bater cartão todos os dias é para perfis específicos de funcionários, cabe em determinadas situações e tem tempo limitado, dependendo da ambição do profissional em relação à carreira.
- Não há como alcançar um cargo de gestão sem ter vivência na empresa. quem tem planos de ser promovido não pode ficar, por exemplo, cinco anos trabalhando em casa.

Na avaliação do sócio fundador da Cinco global, consultoria especializada em gestão estratégica, Amauri Nóbrega, é preciso considerar a possibilidade de aumento da produtividade de funcionários que optam pelo home office. Segundo a pesquisa Global Evolving Workforce, patrocinado pelas empresas Dell e Intel, em fevereiro deste ano, 5% dos brasileiros acreditam que são mais produtivos ao trabalhar de casa ou de forma remota e somente 14% afirmam o contrário.
- Um funcionário feliz, que produza bem, sem dúvida, será valorizado pelo gestor. Essa questão de ascensão profissional para aqueles que atuam remotamente é relativa. Muitos conseguem ter ganhos salariais com o desempenho à distância, se tornam indispensáveis para o chefe. Tudo depende também da produtividade e da capacidade de autogerenciamento da pessoa.

A professora de Gestão de Mudança e sócia da Atitude Transformadora Consultoria, Sandra Santos, ressalta que a tecnologia é uma grande aliada de quem adere ao home office, mas o ideal é que haja equilíbrio entre o trabalho em casa e a presença física do profissional no escritório da empresa.

A relação humana e a atividade presencial em grupo ainda são fundamentais para estimular a criatividade e a inovação e, por consequência, desenvolver novais ideias e negócios. Para ela, é imprescindível que as empresas incentivadoras do home office estimulem o relacionamento presencial frequente entre os funcionários remotos.
- eu mesma já senti na pele o que é trabalhar em casa. a sensação de liberdade realmente é uma vantagem incomparável, mas sentia falta de interagir com meus colegar de trabalho de uma forma mais próxima, menos virtual.



ÍNDICE ABAIXO

Resultado de imagem para trabalhar em casaO número de empresas que aderem ao home office cresceu, mas o índice no Brasil (15%) ainda é irrelevante se comparado ao de outros países. O Reino Unido, por exemplo, tem uma das mais elevadas taxas entre as companhias, com 65%, seguido pela Holanda (60%) e da Alemanha (58%), segundo a pesquisa feita pela Top Employers Institute.

A percepção das empresas de que a legislação trabalhista não é propícia a este modelo de atuação e a falta de cultura dos gestores em relação ao tema são as principais causas para este baixo índice, na avaliação dos consultores. Segundo Amauri Nóbrega, há muitos exemplos de líderes que não conseguem lidar bem com o gerenciamento a distância, e a tendência é achar que os funcionários em casa não produzem como deveriam, falta confiança.
- É preciso haver evolução das relações de trabalho no Brasil, entre gestor e funcionário, para que o home office alcance taxas de países desenvolvidos. Essa política deve ser muito bem definida e formalizada, com obrigações e deveres claros para as duas partes.

Entre os segmentos que mais aderem ao esquema home office estão o de tecnologia da informação, vendas, marketing, design e contábil. Já os funcionários de departamento financeiro e de RH, por exemplo, dificilmente conseguem autorização para trabalhar 100% do tempo em casa, pois estes setores dependem de uma relação muito próxima com outras áreas da empresa.

A DIFÍCIL ARTE DA DISCIPLINA

Trabalhar em casa exige organização para não afetar a produtividade

A rotina de Michelle Sandrini de segunda a sexta-feira é acordar às 7 h, tomar banho, trocar de roupa e preparar o café da manhã. Assim que está pronta para mais um dia de trabalho, ela vai ao espaço reservado em sua casa e começa o expediente, às 9 h em ponto. O primeiro "bom dia" para os colegas de trabalho é dito ao telefone ou escrito em ferramentas de comunicação utilizadas pela equipe. A consultora de projetos do segmento da Tecnologia da Informação atua em home office há seis anos e se diz bastante habituada hoje.
- Tenho uma visão positiva sobre home office. Uma vez estabelecida uma boa rotina trabalho, a única preocupação é cuidar para que ele não invada a vida pessoal excessivamente. Sem dúvida, é preciso estabelecer um limite de horário para parar de trabalhar, atender telefonemas etc.

Mas tudo tem seu preço e ela paga pelo conforto de trabalhar no próprio lar. A parte social, por exemplo, é prejudicada com este formato, pois exige um esforço para se relacionar com os seus colegas de trabalho, combinar uma reunião presencial no escritório da empresa ou marcar um happy hour ocasionalmente.
- Trabalhar em grupo, no ambiente da empresa pode ser mais eficaz. Mas, se a companhia for estruturada para implementar uma política de home office, o avanço na carreira não é um problema para o funcionário que vai pouco a empresa.

OPINIÕES DIVERSAS

A opinião de Michelle não é unanimidade no mercado. Muitos encaram a empreitada de trabalhar remotamente, mas esperam a oportunidade de voltar ao escritório. É o caso da relações públicas Fabiane Klafke, que atua em casa, em São Paulo, para uma empresa de advocacia com sede em Porto alegre.

Para ela, a flexibilidade de horário, o exercício cotidiano de disciplina e de organização e o fato de evitar o trânsito caótico da capital paulista são os ganhos do home office. Mas, apesar dos benefícios, Fabiane sente falta do contato humano, das pausas para o cafezinho e das conversas do corredor com colegas de trabalho. Na sua opinião, nenhuma tecnologia é capaz de substituir esses momentos de interação "olho no olho".
- Acada 15 dias vou a Porto Alegre para reuniões com os diretores. Não abro mão  desse contato, sei que faz diferença. Se a empresa fizesse uma proposta para voltar a trabalhar no escritório, aceitaria sem pestanejar.

Já a especialista em Marketing Amanda Mayumi não esperou a chamado do chefe para voltar à rotina junto aos colegas de trabalho. O breve período em que atuou em home office foi o suficiente para entender que esse modelo não combina com sua forma de trabalhar  e ela pediu à empresa para retornar ao escritório.
-Não era disciplinada como deveria, tirava três horas de almoço, trabalhava de pijama. Minha produtividade caiu muito.

O mesmo aconteceu com o analista Cláudio Schmidt, de 23 anos, para quem os jovens em início de carreira deveriam evitar o esquema de home office.
- Sou muito distraído em casa, perco a eficiência. No escritório, podemos fazer contatos e networking. Para quem está começando a vida profissional, isso é fundamental.

Nataglia Guaraná, consultora comercial, ganhou da Philips uma infraestrutura básica para trabalhar em casa: notebook, telefone celular e internet. a empresa implementou mundialmente o programa Workplace Innovation, que estimula os funcionários a trabalharem em home office alguns dias da semana. O apoio da companhia foi essencial para que ela se adaptasse ao estilo proposto
- Hoje tenho mais qualidade de vida. Quando nos habituamos a trabalhar dessa forma, é possível ver muitas vantagens. E quando a empresa te apoia nessa questão, o risco de achar que a carreira não vai decolar não faz sentido.

DICAS PARA QUEM QUER TRABALHAR EM HOME OFFICE

PRIORIDADE É PRIORIDADE
Tenha uma agenda diária muito bem definida, elencando as prioridades e mantendo o foco no que precisa ser feito. Se tiver vontade de terminar o expediente mais cedo, certifique-se de que está tudo certo. O "amanhã eu faço" é perigoso, fuja disso.
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SEM PREGUIÇA
Nada de pijama ou trabalhar na cama até as 11 h. Manter um ar de preguiça naturalmente fará com que seu desempenho diminua. Arrume-se para o trabalho e seja profissional.
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DISCIPLINE SUA FAMÍLIA E AMIGOS
Eles precisam saber que em determinados horários você está trabalhando. Se não deixar isso claro, as pessoas invadirão seu espaço. Jamais permita que a liberdade seja um tiro no próprio pé. Ser dono da própria rotina é incrível, mas seja sincero consigo mesmo. Você está pronto para ser livre?

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