CORTES SEM CRITÉRIOS PODEM TRAZER RISCOS AO PRÓPRIO NEGÓCIO



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Leyla Nascimento diz que crise econômica dificultou a tomada de decisões nas empresas e anulou os planejamentos feitos em 2014

Fonte: Boa Chance

"As empresas que demitem profissionais com talento e competência vitais para seu negócio em época de crise, têm dificuldades para retomar o crescimento quando o mercado se recupera". A opinião é a da presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos - Brasil e CEO do Instituto Capacitare, Leyla Nascimento, que afirma: é preciso ter critério no momento de decidir quem fica e quem sai quando o corte de pessoas é inevitável. Sem uma estratégia bem definida, essas escolhas podem colocar em risco o próprio negócio da empresa.



Nessa entrevista, Leyla faz um balanço dos processos de gestão de pessoas implementados pelas empresas durante esse ano, que considerou atípico e um dos mais difíceis já vistos nos 35 anos de experiências que acumula na área de RH. Mas, a despeito das dificuldades, ela afirma que a crise deixará aprendizados importantes tanto para as empresas quanto para os profissionais.

A executiva acredita que, em 2016, as organizações manterão as medidas de restrição adotadas esse ano, mas ressalta: nenhuma companhia deixará de contratar alguém que faça diferença para ela, mesmo em tempos de crise.


Que avaliação a sra. faz da gestão de pessoas nas empresas em 2015? Foi um ano atípico?
Sem dúvida foi atípico e me arrisco a dizer que 2015 foi um dos anos mais mais difíceis que já vi nos 35 anos de experiência que tenho na área de Recursos Humanos. As empresas se viram num cenário imprevisível tanto no campo econômico quanto no político, gerando dificuldades nos momentos de tomada de decisão. Planejamentos feitos no final de 2014 não valem para este ano. Isso se refletiu na relação das companhias com seus funcionários. Especificamente na área de RH das empresas, houve muita dúvida sobre qual caminho deveria ser seguido: investir em treinamentos e desenvolvimento, contratar funcionários ou fazer uma recolocação das equipes de forma a não deixar de valorizá-las nesse momento difícil?

A crise traz aprendizados que talvez não fossem observados em tempos de economia estável. O que os profissionais puderam aprender de mais importante nesse ano?
Nessa crise tivemos muitos segmentos afetados e outros beneficiados, mas no geral, sabemos que este não foi um ano para amadorismos. Momentos difíceis servem também para mostrar que todos os funcionários são responsáveis por fazer a diferença na empresa, e não só o CEO ou os líderes. O trabalho em conjunto em períodos como este é fundamental. As pessoas não estavam acostumadas a ter um olhar mais sistêmico em relação ao negócio e foram, de certa forma, forçadas a trabalhar com essa nova perspectiva. A capacidade de analisar o todo deixou de ser apenas uma função de gestores e passou a ser uma necessidade intrínseca de todos os profissionais de uma organização. Essa competência sempre foi valorizada, a diferença é que nem todas as pessoas tinham atentado para sua importância, especialmente nesses tempos difíceis da economia.

Como decidir quem fica e quem sai, quando os cortes são inevitáveis?
É preciso ter muito cuidado nessas decisões. sabemos que as empresas que, em épocas de crise, demitem profissionais com talento e competência vitais para seu negócio, têm dificuldades para retomar o crescimento quando o mercado se recupera. Às vezes, na ânsia de fechar contas, a empresa opta por escolhas que colocam em risco o próprio negócio. Nós como especialistas da área de RH, sempre alertamos para a necessidade de observar critérios como competência e tempo de casa, antes de optar por quem fica e quem sai da companhia. As decisões têm que ser tomadas com base em dados e indicadores e observar a fundo quais áreas são mais importantes para o negócio para que a queda do número de funcionários não tenha consequências sérias na organização como um todo.

E como manter a competitividade sem condições financeiras para reter talentos?
Esse é um grande desafio. Hoje os profissionais são muito bem informados e conectados em relação à carreira, sobre o que está acontecendo na empresa ao lado, o que essas companhias estão fazendo, Se está contratando ou fazendo outro tipo de investimento. Sabem o valor do seu trabalho, quanto a carreira vale para ele e, por isso, querem estar em uma organização que contribua para o seu crescimento. E essa dinâmica não é uma característica observada apenas entre os profissionais da geração Y. Para reter talentos é preciso entender não só a dinâmica das novas gerações, mas de qualquer profissional. E os líderes podem lidar com isso aproveitando as competências e as habilidades desses colaboradores, valorizando seu trabalho e autorizando a participação deles em projetos importantes e reuniões. Afinal, as decisões sobre o futuro da empresa estão também nas mãos deles e não só na do CEO. Cabe à empresa desenvolver o engajamento das pessoas e, mais uma vez, a comunicação e a informação são as tônicas desse processo.

E o que esperar de 2016? As empresas tendem a repetir o mesmo comportamento deste ano?
Acredito que as companhias serão mais agressivas em busca de resultados em 2016. No ano que vem, provavelmente veremos a manutenção de medidas que muitas empresas tiveram que adotar forçadamente ao longo de 2015. Mas a preocupação de reter os melhores profissionais continuará existindo, assim como a atenção redobrada na contratação de novas pessoas, independentemente do momento econômico e político. Uma empresa jamais deixará de contratar alguém que faça diferença, mesmo em tempos de crise, e faz isso porque precisa de pessoas talentosas. Os profissionais, por sua vez,  devem ter em mente que o momento não é de ganhos salariais como nos últimos anos, mas sim de remunerações compatíveis com a situação atual.




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