APOCALIPSE NOW?


Em tempos de eleições no Brasil, em tempos de tantas convulsões pelo mundo em todos os setores da vida humana, a palavra ética ecoa como necessidade e perplexidade tão falada, mas sua prática revela algumas fraturas. 


Ética se apreende muito pelo exemplo. Nossos avós, nossos pais em tempos antigos diziam: "Nessa família não se faz isso!" ou se mostrava a recusa daquilo que era considerado indevido.A honestidade como um valor exemplar. A ética não é apenas algo a ser falado. É importante mostrá-la, indicá-la. 

A ética não está apenas relacionada ao campo da política, mas também é assunto e vivência na família, à convivência, ao lugar que moramos. Se a ética é exemplar, a escola e a família são lugares prioritários em que o exercício ético por parte dos adultos e crianças se faz necessário.

 Ética não é uma coisa que apenas mostramos, uma coisa de fachada, é preciso coerência para que isso se implante. Esta implantação, ao meu ver, é muito mais um sentido interno, um gesto de comprometimento que interiorizado funciona sem que uma instância externa exerça algum controle, coisa que o indivíduo atinge quando vai conquistando autonomia. 

Isto é construção, um processo gradual de uma mudança que com certeza, ainda não vemos, isto é fato. 

 Pelo contrário. Só vemos o quanto nós seres humanos temos criado impasses que estão cada vez mais inviabilizando a nossa própria sobrevivência neste planeta. Como um "elástico" sendo esticado ao máximo cuja "costura começa a se desfazer ponto a ponto". 

Resta saber em que "ponto" nossa humanidade vai começar a despertar. Na minha visão, uma hora "o calo vai começar a apertar" e este aperto vai começar a ficar visível no momento em que o privilégio começar a não ser protetor. 

 Por mais que veja todas as coisas que acontecem no mundo, não consigo ser uma pessoa apocalíptica, porque não precisa ter profundos conhecimentos de história para perceber os avanços da humanidade não apenas na tecnologia, na saúde, mas na capacidade do humano de superar a si mesmo. As Paralimpíadas estão aí para nos mostrar, nas situações diversas que comovem e acontecem gestos de solidariedade. Há muita gente boa por aí fazendo coisas fantásticas que não são muito noticiadas, mas acontecem.

 Algumas pessoas já estão revendo seus conceitos. É um processo já em curso, que já existe. 

 Para dar uma "espanada" nesta onda de descrença que assola o mundo, faço minhas as lindas e tocantes palavras do antropólogo e psicólogo Roberto Crema: 

 "(...) Creio no homem. Creio na sua essência de luz, na sua inclinação para a saúde, na sua vocação para a vida. Creio no seu potencial evolutivo e na sua possibilidade de despertar. Creio no homem mesmo quando ele me chega disfarçado de doente, de fracassado, de impotente. Creio no homem mesmo quando está manipulando e sendo manipulado; mesmo quando destruído pela existência; mesmo quando reduzido a farrapo humano. Creio no homem mesmo quando mendigando, exibindo suas feridas; mesmo quando produzindo bombas nucleares. Creio no homem mesmo apesar dele mesmo. Creio no homem porque creio no homem."

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