TRADUZIR-SE: DESCOBRINDO A POESIA DE FERREIRA GULLAR







TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo;
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera;
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta;
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente;
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem;
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?
Ferreira Gullar


Estou descobrindo a poesia. Nunca fui de ler muita poesia, não sou daquelas que recitam versos de memória, sabe dos autores e estilos, mas começo a perceber que a poesia é a expressão da palavra que não é domesticada. A palavra pode ser além dos significados atribuídos, da norma culta.
Fui percebendo que a poesia exercita em mim uma observação e um estado de alerta que auxilia na minha prática, pois a palavra pode ter muitos sentidos...
Compreender a poesia do outro, a poesia da sua dor e a poesia da sua "cura" no labirinto das suas palavras que mostram e escondem... Aprender. Aprender sobre mim. Sempre.
Regina Bomfim


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