CELEBRANDO TOM JOBIM: CHOVENDO NA ROSEIRA


​Tentei seguir indiferente, mas não consegui deixar de celebrar Tom Jobim. Vivo, completaria 90 anos no dia 25 de janeiro. Este blog além de trazer reflexões, tem um compromisso com as artes por esta ser uma das mais fortes e belas expressões do humano​ na sua incessante busca de compreender o mundo. O PSICOLOGIA EM FOCO traz o signo de todas as  manifestações artísticas, em especial a música.


Tom foi um apaixonado pelo Brasil e ao mesmo tempo com as influências que  sua música trazia, mantendo seu estilo único, conseguiu como poucos, ser universal.  Sempre esteve na minha vida como cantora, nas descobertas de que poderia cantar e na emoção que seus acordes considerados por uns complexos e por outros simples sempre me trouxeram. 

Quero apenas saudar um homem que com seus estudos alcançou a excelência mas sem nenhuma afetação, porque no fundo queria apenas, aprender, se expressar compartilhando a sua arte que em todos os momentos dos mais intimistas aos mais amplos temas seja da natureza ou da brasilidade, colocou a experiência de se expressar através da música em primeiro lugar, apesar de todas as críticas e elogios. 

Sua música será sempre eterna, mesmo não muito executada no país que tanto amou, mas sendo fonte de estudo, pesquisa, sendo revisitado na interpretação de artistas  mas sobretudo trazendo o encanto que muitos lugares no mundo aprenderam a valorizar. Não quis ser óbvia em minhas escolhas para homenageá-lo. Escolhi Chovendo na roseira  instrumental, uma canção que a mim sugere a influência que ele teve do jazz.

Decidir falar sobre Jobim acabou me levando á leitura de sua biografia fascinante e, por este motivo, corrijo uma parte deste texto dizendo que a música escolhida para homenageá-lo em nada tem de influência do jazz. Ao contrário, Jobim é e foi muito imitado. Chovendo na roseira é uma valsa, seus acordes e cromatismos podem ser encontrados no jazz produzido no tempo que esta canção foi criada. Dá para sentir, me corrijam se estiver enganada, Michel Legrand, Burt Bacharah ... usando as influências "jobinianas"​a seu modo.
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Tom sempre falou, com toda a ironia que lhe era peculiar, que fazer sucesso no Brasil era uma ofensa pessoal, por sempre nos vermos como subalternos imitadores e não criadores potentes em nossas belezas como povo.  Ele enfrentou muito este tipo de crítica falando de um purismo que no fundo, não existe. Ele tinha suas influências mas das mesmas criava algo muito próprio. 

Como acreditava no seu trabalho seguiu o seu caminho criando, se renovando até o fim da vida ciente de que estava deixando um legado para a música popular brasileira.

Aos mais jovens ou pessoas não jovens, acostumados à outras sonoridades, faço um convite para quem deseja descobrir e aprender sobre outras texturas musicais. Não me canso de me fascinar com suas canções...

Receba, Tom Jobim, um singelo agradecimento por ter deixado uma obra tão linda, uma declaração de amor ao povo brasileiro - você que tinha brasileiro no sobrenome. Parabéns, Tom Jobim!

Regina Bomfim

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