JANEIRO BRANCO: MÊS DA SAÚDE MENTAL, SAÚDE MENTAL SEMPRE

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Falar de saúde mental é compreender que esta é, sem medo de ser audaciosa em minha posição, o território, o recurso natural, a tecnologia mais valiosa da existência que cabe ao ser humano explorar. Como ainda somos estrangeiros dentro de nós mesmos, apesar dos  importantes avanços que somos capazes de criar. 

As perspectivas de crescimento dos transtornos mentais e seus inegáveis danos à saúde e à produtividade por cada vez mais incapacitarem ao trabalho e ao desfrutar da vida, torna-se cada vez mais algo que não mais pode ser ignorado, daí a iniciativa de transformar o mês de Janeiro no mês da Saúde Mental -  JANEIRO BRANCO.

Em muitas ocasiões o PSICOLOGIA EM FOCO falou sobre o quanto se tornou insustentável manter a separação corpo e alma - O penso, logo existo de Descartes, somado a todos os pensadores que forjaram a estrutura e o funcionamento do Ocidente, tem se mostrado ineficaz ao longo dos anos para dar conta da comp…


Sobre a dor - Andrea Pavlovitsch



Existe sempre aquela pergunta no ar: o que dói mais, a dor física ou a dor emocional? Na guerra, quando alguém quer fazer alguém sofrer usa a tortura física. E sabemos como o ser humano pode ser cruel ao acessar o seu lado animal, grotesco, que só deseja a vingança e a raiva. Mas será que os causadores de dores físicas, por exemplo, também não são pessoas que sentem tanta dor que ela se torna insuportável? Sentir dor é a sensação da morte o tempo todo perto de nós. È como se algo se arrastasse lento, numa cadencia suave e longa, que parece não ter mais fim. A alegria é rápida, ansiosa. A dor é lenta, é gradual. A dor cutuca em momentos em que não esperamos. Na sola do nosso sapato apertado, na topada na quina da mesinha de centro, no outdoor do Dia dos Namorados, quando você está sem namorado ou numa relação nada agradável. Ás vezes ela aparece logo que a gente acorda, como quando acabamos de fazer uma cirurgia e nos lembramos da dor que estávamos sentindo no dia anterior. Doem as palavras mal ditas. Doe ouvir a verdade de um modo peculiarmente cruel. Dói ouvir a mentira. Dói saber e não saber de algumas coisas na nossa vida. E as dores são necessárias. Sim, as dores nos fazem ver o que temos de bom na vida. Sempre que sentimos dor nos perguntamos, primeiramente, o porquê. O que, afinal, me levou a sentir essa dor. A resposta pode estar pertinho, como no caso da topada na mesa, ou a quilômetros de distância, na sua infância, quando a sua mãe não tinha dinheiro para um sorvete fora de hora. A verdade é que a dor nos fortalece. A dor faz com que possamos ver uma força dentro de nós que nem sabíamos que existia. Nós passamos pela dor, superamos a dor e continuamos a viver. Até que um dia estamos alegres, felizes novamente. Mas se ela cicatriza, as cicatrizes ficam. Conheço pessoas que não suportam o cheiro de crisântemos, pois é o cheiro característico dos velórios e a simples presença das flores a fazem lembrar a dor. Existem pessoas, ao contrário, que gostam de sentir a dor em suas últimas conseqüências, utilizando meios eficazes para isso. A dor permeia a nossa existência desde o mundo é mundo. E não adianta passar a vida toda fungindo dela. Ela corre, na sua rapidez mórbida, em saltos quânticos, e nos alcança. E um dia você vê que ela veio, chegou e passou. Viva a sua dor. Passe por ela. Sinta. Não a esconda numa gaveta no fundo do armário. A dor vivida é dor passada. As cicatrizes ficam, mas não doem mais. Serão só marcas do nosso passado. Mas se não passamos realmente por elas, podem virar fantasmas nos atordoando de madrugada. Dor é feita para ser sentida. Assim como o prazer e a alegria.




Andrea Pavlovitsch


Psicoterapeuta (11)4105 4674

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