domingo, 28 de agosto de 2011



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NÃO EXISTE FÁBRICA DE EXECUTIVOS

Capacidades - Consultores discutem se há ausência de competência dos gestores ou uma cultura de seleção que espera os profissionais prontos. Alguns quesitos como planejamento e objetividade são pontos fracos


Por Bianca Melo

A maioria das empresas querem encontrar no mercado um executivo preparado para satisfazer suas necessidades. Consultores acreditam qu apesar dos profissionais brasileiros estarem antenados às melhores práticas mundiais, ainda ficam para trás em alguns requisitos. Falta de profissionalismo e dificuldade de planejar e executar tarefas são as lacunas mais atadas. O brasileiro, para eles, é em geral muito voltado ao relacionamento cordial e, às vezes, deixa que fatores subjetivos superem a objetividade na hora de tomar uma decisão ou fazer uma avaliação.

"O lado negativo é que a gente pode dizer que nem sempre as melhores pessoas estão nos melhores lugares ou cargos de hierarquia da empresa em função exatamente do conhecimento, mas das amizades. Estatísticas mostram que de dez contratações, sete são indicações" disse o sócio da consultoria de marketing Immersion Estratégia Aplicada, Jorge Saraiva.

A falta de profissionalismo influencia negativamente mas em alguns momentos, pode ter efeitos benéficos. O lado positivo destas relações do brasileiro é que as pessoas são mais comprometidas a contribuirem com as outras pessoas da equipe. De repente não pela empresa, mas sim pelas pessoas que estão ali. Em determinado momento isto vai impactar positivamente a empresa e o ambiente de trabalho, pondera Saraiva.

Para o sócio da Enora Leaders, empresa que realiza cursos para empresas, João Marcelo Furlan, o brasileiro tem dificuldade em cumprir cronogramas e deixa para se preocupar com o prazo na hora em que ele está se esgotando. "Falta respeito cronograma e antecipação. O ato de deixar para última hora impede que realizem o planejamento e, se este for realizado, a execução. Além disso, sobrecarrega os executivos", disse Furlan.

O diretor executivo da Immersion confirma a teoria de que não há respeito ao cronograma. Ele acredita que apenas no final do prazo vem a preocupação. " Na parte de planejamento e execução, o brasileiro está muito acostumado a pegar e fazer. Isto é bom em alguns momentos. Mas na maioria das vezes, estamos sempre um pouco atrás na hora de seguir um cronograma. Quando começa a dar problema é que corre atrás. A preocupação vem depois e não no início do projeto". conclui Saraiva.

Na opinião do sócio da Luz Consultoria, Daniel Pereira, o executivo possui dificuldade de execução das tarefas porque o ensino no Brasil é muito baseado em teorias. " O País ainda é um pouco ultrapssado na utilização de casos e na forma de ensinar um pouco mais prático. Apesar de estar melhorando, ainda é uma coisa relativamente pouco encontrada. Por isso, as pessoas têm dificuldade de execução: Faz-se muita reunião, discute-se muito. As pessoas ainda se baseiam em teorias, quando na realidade, quem vai de fato bater o martelo é a prática", afirma Pereira.

Por medo da crítica, as pessoas buscam soluções ideais. Cabe às empresas ensinarem que somente testando e errando é que se vê se o projeto funciona de verdade. A crítica deve trabalhar a favor. " A empresa deve ensinar a fazer testando, simulando uma rotina. Ensina a começar executando, mesmo que não seja a versão mais completa do mundo, mas que ela seja feita e construída dentro de uma realidade de execução. Os trabalhos devem funcionar como pequenos laboratórios em que vamos testando e fazendo acontecer, ao mesmo tempo em que estudamos", disse Pereira.





Processos Seletivos

O coordenador nacional do curso de RH da universidade Estácio de Sá. Marcos Barros, acredita que há uma cultura organizacional de seleção que espera encontrar já pronto o conjunto das competências nos profissionais do mercado. " Não é um problema do executivo, em primeiro lugar. O foco da área de desenvolvimento está mudando. A empresa espera encontrar já pronto no mercado aquilo que ela precisa. Isto é um engano.", ressaltou o consultor.

"Veja, por exemplo, os progrmas de seleção de trainee. São verdadeiros programas de tortura. "Às vezes são 20 vagas para 30 mil inscritos. E quase sempre o selecionador chega à conclusão de que se ele jogasse fora nove entre dez daqueles candidatos, ainda assim não teria um sequer para ocupar a vaga.

Será que de fato, há a ausência de competência do candidato ou a empresa exige demais? Completou Barros.

A contratação de pessoas deveria estar baseada nas atitudes dos candidatos e naquilo que eles têm como objetivo profissional, opina o sócio da Luz Consultoria, Daniel Pereira. "Nos anúncios de vagas, as empresas buscam o super-homem. Enquanto as pessoas continuarem achando que as universidades e as pós-graduações, vão entregar profissionais prontos , infelizmente vai continuar todo mundo reclamando. Tem que entender o seguinte: pega a pessoa e contrata pela atitude, pela capacidade que você enxerga que ela possa desenvolver.".analisou.

"Existem alguns autores de gestão que defendem que o mais importante não é a pessoa ter a cultura da empresa ou a capacidade técnica naquele momento. O mais importante é o que ela pensa da vida, sua ética,e aonde quer chegar. É muito mais difícil treinar uma pessoa a pensar de forma correta do que treinar para trabalhar com um software, afirma o sócio da Immersion Estratégia Aplicada, Jorge Saraiva.

Segundo consultores, o mercado cresce mais rápido do que a capacidade que as escolas têm de entregar profissionais. É uma armadilha que a próprias organizações se impuseram no passado. Em sua expansão crescente, houve falta de planejamento no desenvolvimento dos seus sucessores. Hoje, por desespero e falta de opção, tentam encontrar estes profissionais no mercado, o que não é o ideal.

"Treinamentos e cursos são a única solução de médio e longo prazo, já que demora-se mais para desenvolver pessoas do que buscá-la no mercado. Porém as empresas conseguem formá-las exatamente com as habilidades necessárias para o negócio, com os valores e a cultura da companhia. Estes programas de desenvolvimento podem ser intensivos também, tendo a eficácia de curto prazo", disse o sócio da Enora Leaders, João Marcelo Furlan.

"Primeiramente a empresa deve olhar para dentro e verificar o que precisa de fato. Depois deve fazer com que a área de desenvolvimento forme os seus sujeitos internos para chegarem a estes aspectos. As organizações têm que perceber que para terem o que desejam, do jetio que elas pensaram, terão que investir na mão-de-obra que já têm". Conclui o coordenador nacional do curso de RH  da Universidade Estácio de Sá.

Fonte: Jornal do  Commércio - Seção: JC e Gerência (23/08)

sábado, 27 de agosto de 2011









A real parceria entre escola e família - Os erros e acertos na construção do mais importante relacionamento na vida da criança


Por Daniela Freixo de Faria
Terapeuta infantil, especializada em psicologia analítica


Acredito demais na parceria entre escola e família e a cada dia percebo como o encontro acontece de forma mais clara e evidente. Mas é fundamental que ambos estejam envolvidos em nome de criança.

Durante muitos anos experimentamos, observamos pais culpando a escola e vice-versa diante de um problema apresentado por uma criança. Hoje, com todo o desenvolvimento, a criança foi extremamente beneficiada. Talvez a família e escola tenham percebido que juntas fazem a real diferenciação perante qualquer desafio.

Este texto é um convite para este novo relacionamento, que coloca todos os envolvidos como responsáveis pelo bem-estar geral desta criança e por caminharem juntos nessa jornada heróica.

A escola, com toda sua oferta de experiências conhece a criança que convive nesse ambiente tão rico e encontra na vivência diária de seu desenvolvimento cognitivo, relacional, afetivo e do seu caminhar rumo à autonomia. Já a família, vive o enlace emocional, relacional, afetivo, de crescimento e troca, acompanhando todo esse movimento que a escola a convida a vivenciar.

Obviamente, todos nós envolvidos, temos boas intenções nesse processo rico e dinâmico, porém será nosso ponto de partida que  em grande parte determinará a nossa caminhada. É a nossa real capacidade de entrega, confiança no outro.
Quando olhamos para a criança, nosso filho, nosso aluno, fica fácil sentir o amor e o carinho surgirem. Fica fácil perceber que todos seguem na mesma direção, a do crescimento, do amadurecimento e do amor. Nosso desafio juntos é descobrir para qual caminho cada criança precisa, pode e fará bem caminhar. É nessa descobertas que mais precisamos desta escuta, desta troca. O que norteia é qual postura realmente colabora com o desenvolvimento dessa criança. Digo isso pois, antigamente, o que acontecia eram pais defendendo seus filhos dos olhares que vinham da escola e vice-versa; a escola defendendo seus professores dos olhares das famílias.

A primeira mudança importante é percebermos que estamos no mesmo barco e que a mesma tempestade ou estado de tranquilidade atinge a todos nós. Ao compreendermos que a criança, por meio de seus comportamentos, falas e até dificuldades expressa seus pedidos de ajuda, podemos todos juntos abrir os canais de escuta, trocar essas impressões e movimentar o que precisa ser movimentado. E assim, não mais perdemos tempo com culpas e nomeações que nada acrescentam.

Essa conversa entre escola e família sem defesa, sem ataque, sem julgamentos, nem culpados ou vilões é premissa indispensável para que o diálogo possa se concretizar. Poderemos realmente colocar a criança em primeiro lugar e fazermos os ajustes necessários. Não há certo e/ou errado. A família vê por um prisma e a escola/professora, analisa por outro. Uma dificuldade em casa ou uma situação que precisa de cuidados pode aparecer na escola e não se manifestar em casa. É uma situação que necessita de ajustes pode surgir na escola, sem sequer ser notada no ambiente familiar.

Por isso devemos ter esse diálogo franco, aberto, entregue e confiante. Esta manifestação só poderá se tornar realidade se considerarmos, família e escola, tais como grandes amigos, confidentes e parceiros.

OUVIR  À SERVIÇO DE NOSSOS FILHOS

A escuta tem grande importância nesse processo, por isso é importante perguntar: de onde internamente escuto a escola? De onde internamente escuto a família? Será que estamos nos dedicando realmente em nome das crianças? Nesse processo de desenvolvimento tão amplo, o mais importante é que criança viva feliz.

Ao nos colocarmos a serviço do amor e da criança, estamos abertos a trocar, a cuidarmos juntos, a ouvir e construirmos o caminho a seguir. Não há certo nem errado, há apenas o melhor para a criança única em questão. Não há resposta pronta, que sirva para todos, há um passo a ser construído para cada criança a cada momento de acordo com o que ela é e o que ela precisa.

Partindo desse lugar de encontro e escuta, o próximo passo é a investigação. Essa palavra que parece falar de algo conclusivo, na verdade traz à tona a abertura, a amplificação, a percepção e sentimentos explícitos, para percebermos realmente o que foi compartilhado. A partir dessa abertura, sabendo das boas intenções de todos os envolvidos, saímos da culpa e chegamos à responsabilidade de fazer parte da vida de uma criança, seja como pais, como professora ou orientadora. Com esse diálogo manifesto de amor e reconhecimento da importância de todos nós na vida de uma criança, o próximo passo surge único, específico e natural. E a criança pose seguir em frente, livre, leve e solta e principalmente feliz.

Fonte: Revista Conhecimento Prático Literatura - Educação p. 53 ed 37 ano 2011


domingo, 21 de agosto de 2011

Psicologia e Ciência: outras perspectivas




" COMO A PSICOLOGIA É UMA CIÊNCIA DAS VIVÊNCIAS, OU DE FATOS, não pode chegar a alcançar a essência pura conforme é proposta pela Fenomenologia, mas procura nela encontrar os fundamentos para sua para a sua investigação científica. Tal investigação não parte apenas da objetividade ou da subjetividade, mas do entrelaçamento de ambas.Ela procura penetrar na própria vivência da pessoa que pretende conhecer, procurando captar o seu modo de existir, o seu ser-no-mundo, como transcendência. A análise do ser-no-mundo da pessoa nos mostra a cada momento, as características do seu existir. Entre estas é de considerável importância a sua maneira de vivenciar o espaço e o tempo. Existe um espaço físico, objetivo caracterizado por seus elementos materiais assim como um tempo delimitado por horas por um passado, presente e um futuro. Mas o importante para a compreensão do ser humano é captar a sua espacialidade e a sua temporalidade ou o modo como vivencia o seu espaço e o seu tempo. A existência humana flui numa oscilação ascendente ou descendente de acordo com o seu humor. Assim, existo de modo amplo, claro, cheio de possibilidades e abertura para o futuro quando estou feliz, alegre: sinto-me nas nuvens. Mas existo de modo restrito, escuro com poucas possibilidades e um estreitamento do futuro quando estou infeliz, triste; - sinto-me pesado, na fossa."

Binswanger

sábado, 20 de agosto de 2011

Infância e Consumo



Por Luiz Fernando Conde Sangenis

As crianças brasileiras são alvo importante para o mercado publicitário. Mais vulneráveis que os adultos aos apelos consumistas, influenciam 80% das decisões de compra  de uma família. A publicidade na TV é o principal instrumento de persuasão do público infantil, que passa quase cinco horas por dia assistindo à programação televisiva. A superexposição infantil aos apelos consumistas provoca graves consequências: obesidade, erotização precoce, consumo de tabaco e àlcool, estresse familiar, banalização da agressividade e da violência, etc. O problema não se restringe à educação escolar e doméstica. A final, crianças que aprendem a consumir de forma inconsequente e desenvolvem critérios e valores distorcidos geram um problema de ordem ética, econômica e social.

domingo, 14 de agosto de 2011

Desobediência faz parte

Os mais novos transgridem mesmo: quando o processo de educação acontece há sempre resistência

Por Rosely Sayão

Mães e pais andam espantados e/ou perplexos com a desobediência dos filhos pequenos, maiores e até mesmo adolescentes. Que coisa não? Por que será que esses pirralhos não entendem que precisam acatar o que seu pais dizem?

Uma leitora conta que é uma mãe dedicada e consciente de que seu maior compromisso na vida hoje é o de educar bem a filha, que tem cinco anos. Diz inclusive que regularmente assiste a palestras e lê coisas de qualidade a respeito do assunto.

O problema, segundo ela, é que mesmo assim se defronta com as birras que a filha faz, com manhas na hora de colocar a roupa ou comer e com pequenos escândalos - Quando a garota quer ter ou fazer alguma coisa que a mãe entender que não deve dar ou permitir naquele momento.

Qual o meu erro? me pergunta essa responsável mãe. Certamente muitos outros pais passam pela mesma situação e se fazem a mesma pergunta.

Um pai agora, um tanto desconsolado e assustado, enfrenta a adolescência do filho. O jovem quer sair sem hora pra voltar e sem dar explicações. Além disso, o garoto sempre trangride as poucas regras que o pai tenta lhe impor.

Depois de dizer que sempre educou o filho de um modo democrático, esse pai confessa não saber o que fazer. "Será que vou ter de castigar meu filho , agora que ele cresceu?", pergunta.

Pelo menos ele não desistiu, como muitos pais de adolescentes têm feito...

Qual é a questão afinal? Por que os mais novos insistem na transgressão?

Será responsabilidade deste mundo tão transformado, a crise de valores, das escolas, das más companhias, das "famílias desestruturadas", como muita gente gosta de afirmar?

Ou será que as crianças nascem diferentes, mais ousadas e com "personalidade forte"? Ou ainda será  que os pais já não sabem mais agir com autoridade?

Não, caro leitor, questão é bem mais simples. Então de largada vamos lembrar de um rincípio básico: sempre que a educação acontece, há resistência no processo.

Pronto: é simples assim. A relação da mãe e do pai com os filhos é sempre tensa. Por que? Porque os pais precisam introduzir o filho na dinâmica familiar, na convivência com os outros, na vida que a cada dia apresenta um pouco mais de desafios e, portanto, compromissos e responsabilidades, entre outras coisas. Ora, isso significa impor a criança uma certa direção.

Comer determinados alimentos desta ou daquela maneira, tomar banho, vestir esta ou aquela roupa, ir para escola, não comer em determinados horários, prestar contas aos pais, respeitar as pessoas etc, etc. Por que a criança deveria acatar isso de bom grado se o que ela quer é bem diferente?

Ela quer ficar vendo televisão, jogando videogame ou futebol, dormindo pela manhã ou acordado de madrugada e se colocar no centro do mundo... Isso é o que ela quer. O jovem quer se grudar nos grupos, ser plenamente aceito por seu pares, quer diversão sem fim... A juventude é curta afinal.

Só isso já seria suficiente para nos fazer reconhecer que eles irão reclamar, resistir, usar todas as estratégias que têm à mão para demonstrar seu descontentamento. É só isso o que expressa a desobediência e a transgressão. Faz parte do jogo, não é verdade?

Mesmo eles tendo aprendido, eles vão insistir na transgressão. Não é assim no futebol, por exemplo? Por isso o jogo exige árbitros e penalidades para as faltas.

Então vamos relaxar: os mais novos sempre vão transgredir, desobedecer. É um direito deles.  É dever dos pais persistir com com o processo educativo em curso, reafirmar posições , fazer valer o ensinado. E ter paciência.

Até quando essa situação persiste? Até a maturidade dos filhos que deve chegar por volta dos 20 anos, se tivermos um pouco de sorte além do empenho investido.

Rosely Sayão - Psicóloga e autora do livro "Como Educar meu Filho?"

Fonte: Folha de São Paulo - Caderno  Equilíbrio p.8 (09/08).

sábado, 13 de agosto de 2011

Pelo fim da violência contra a pessoa idosa



 Todos os anos desde de 2006, no dia 15 de junho a atenção do mundo é voltada para os idosos, em especial para a violência que sofrem. Na data, por iniciativa da Organização da Nações Unidas (ONU) e da Rede Internacional de Prevenção à Violência da Pessoa Idosa, é celebrado o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa que tem o objetivo de mobilizar a sociedade quanto ao tema e quanto à necessidade urgente de se evitar tal desrespeito.

A Psicologia atualmente trabalha integrando o tema do idoso a outras discussões, como as de saúde e de políticas públicas. Alem disso reconhece a importância de a sociedade adquirir consciência acerca do tema. Mariana Cunha, conselheira do CFP, sustenta que "a Psicologia tem a proposta de inserir a questão do idoso em todas as discussões que vem mantendo.A prioridade é promover a tranversalidade com outros temas".

Telefone para denúncias contra maus tratos aos idosos: Disque 100, ramal 2 (Serviço da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República).

Fonte: Jornal de Conselho Federal de Psicologia p.17 (julho/2011).
Para saber mais: http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/direitosdoidoso.htm

domingo, 7 de agosto de 2011

É a tecnologia, estúpido!






Dependentes de gadgets, usuários se esquecem de coisas simples e raciocinam menos

André Machado

O professor do MIT Nicholas Carr já disse em seu livro "The big switch" que a internet está nos deixando mais burros e dificultando o aprendizado. A gora, o jornalista especialista em TI Robert Vamosi, autor de "When gadgets betray us" ("quando os gadets nos traem"), defende que não só a rede, mas nossa dependência crescente de PCs, celulares, tablets e afins, está afetando nossa capacidade de raciocinar. Num trecho do livro, ele dá o exemplo de uma mulher tão concentrada no GPS de seu smartphone no interior da Inglaterra, que ao parar o carro e abrir a porteira de uma fazenda que levava a seu destino, não viu que estacionara sobre uma linha de trem. Logo uma composição passou em alta velocidade e esmagou seu carro, a metros dela. "Pude sentir o vento no meu rosto", contou ela.

O vício em internet (em inglês internet addiction disorder) já afeta entre 5% e 10% dos internautas, segundo números da Universidade de Havard, nos EUA. Estudos no Centro para Comportamento na Internet acrescentam que 6% dos usuários são propensos à compulsão ao acessarem serviços como sites de sexo, jogos e apostas e compras. Já há centros para tratar essa dependência como o ICAS (Internet and Computer Addiction Service) e o reSTART Internet Addiction Recovery Program, que tem até 12 passos que lembram um pouco os dos Alcoólicos Anônimos.

- Relatos de pais sobre a vida tecnológica de seus filhos demonstram que isso acontece com frequência - confirma o psiquiatra Maurício Tostes, do Hospital da UFRJ - É, preciso observar se a compulsão não é uma fuga de frustrações no trabalho, no estudo ou na vida social.






'Não sei nem mais o telefone de casa'

Entre os efeitos da dependência está a perda de velhos hábitos. Por exemplo: com memórias cada vez mais abundantes nos equipamentos, criam-se agendas intermináveis e a antiga capacidade de decorar números acaba ficando de lado.

- Eu não sei mais nem o número de telefone da minha casa - confessa Alexandra Monteiro, Diretora do Laboratório de Telessaúde da UERJ. - Creio que isso se deve à limitações  de nossa memória cerebral que, na nossa geração, não foi treinada para isso e vem perdendo as funções fisiológicas de armazenamento  com o estímulo das diversas mídias.

Bruno Salgado, diretor da empresa de consultoria de segurança Clavis, está tão dependente da tecnologia  em sua vida que, numa viagem a São Paulo na semana passada, usou a internet dentro do táxi todos os dias.

- Eu e meus colegas tínhamos dois eventos para ir - conta- mesmo sem saber o endereço, entrávamos no táxi e pedíamos que nos levasse a determinado bairro. Durante o trajeto, checávamos o endereço pela internet e passávamos ao motorista. Também usávamos a web e o GPS para achar restaurantes nas redondezas de nosso hotel e verificávamos on-lne o que havia no cardápio.

Salgado lembra que hoje nem um apagão impede a navegação on-line, via notebooks e smartphones - pelo menos até o fim da bateria.

A dependência - que pode, segundo as instituições especializadas, ocasionar compulsões específicas como o vício de teclar SMS - é mais visível na geração Y, que já nasceu conectada à rede e vive em função das redes sociais e afins. É o caso da estudante universitária Gabriela Caesar tão apaixonada pelo seu iPhone que quase esqueceu a matemática.

- Nas aulas de matemática na escola era proibido usar calculadora. Quando saí do colégio desaprendi a fazer conta - admite - Uso a calculadora do iPhone para calcular qualquer coisa, como media de determinada matéria da faculdade. Quando recebo o troco? Não confiro. E não sou a única, com colegas às vezes acontece o mesmo.

Gabriela tem todos os seus contatos no iPhone, e usa intensamente o calendário para anotar tudo o que tem de fazer, além de dados das matérias na faculdade. Diz que não precisar se lembrar de nada, pois tem tudo no aplicativo, que a avida. E é igualmente unha e carne com o Google.

- Conheço alguém, ouço algo, já jogo no Mr. Google, o gênio da internet. Também procuro nele informações sobre mim, sobre minha imagem - diz.

- E de novo, não estou só. Você acha que o funcionário do RH que vai me contratar um dia não fará o mesmo?

O mais recente grude de Gabriela é o iPhad 2. Segundo ela, é impossível sair de casa sem checar o Twitter e os e-mails nele. Se vivesse nos EUA, certamente a estudante faria parte dos 35% dos usuários de smartphones que já os checam antes de levantar da cama, segundo a pesquisa da Ericsson.

Para a professora do Departamento de Informática da PUC-Rio Karin Breitman, as agruras e delícias de nosso relacionamento com a computação já eram previstas nos anos 60 pelos teóricos da comunicação Marshall Mcluhan, cujos ensinamentos vêm sendo resgatados agora, em pleno mundo digitalizado.

- Numa frase de 1962, ele já dizia que o computador "apanharia a função enciclopédica do indivíduo e a jogaria numa linha privada com dados rapidamente gerados, e vendáveis" - lembra Karin.

Já para Henrique Cukierman, professor do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação da COP-PPE/UFRJ, toda vez que surge um fato novo na história da humanidade, ganha-se a perde-se algo.

- Quando o homem começou a andar ereto, seu equilíbrio ficou mais instável, mas ele ganhou o movimento     de pinça nas mãos e pôde usar a boca para articular a fala - afirma Cukierman - Da mesma forma, com a tecnologia digital, ganha-se em algumas áreas e perde-se em outras. Além do  mais, a vida do ser humano no coletivo depende de artefatos. Estou falando com você por um deles (o telefone) agora mesmo.


Dicas para fazer uma 'dieta tecnológica'

Como evitar ficar dependente da rede e dos gadgets? Com duas medidas: consciência e administração do tempo. Segundo o reSTART, uma "dieta de tecnologia" prevê desligar celulares durante as refeições, largar redes sociais e games na hora do trabalho/estudo, deixar de lado o gadget quando estiver com amigos e familiares e procurar atividades que estimulem o raciocínio.

- A pessoa deve tentar observar o quanto a tecnologia a está absorvendo, e o quanto deixa de interagir com outras pessoas por causa dela - afirma o psiquiatra Maurício Tostes.

Para Daniel Schtwabe, professor da PUC-Rio, conscientização e bom senso são importantes.

- Com o automóvel também foi assim, hoje conhecemos seus prós e contras - diz- - O problema com a tecnologia é a sua velocidade vertiginosa, que dificulta essa conscientização.

Alguns já procuram equilibrar sua relação com  a TI.

- Quando viajo, gosto de passear e conversar com os locais. Muito melhor que um GPS - conta David Svalter, diretor da Tantum Computing - Gadgets são ferramentas, não sinônimos de qualidade de vida.

O advogado Renato Opice Blum diz que prefere observar e memorizar mapas e recorrer a um aparelho de navegação.

- Assim exercito minha mente, ainda que de forma parcial.

Já Alessandra Archer, que trabalha com tecnologia da educação à distância, não dispensa caderninho e caneta na bolsa.

- É o jeito de não me entregar de todo à tecnologia.


Fonte: Jornal O GLOBO - Digital e Mídia (23/05) p. 19

sábado, 6 de agosto de 2011

Cadê o sucessor que estava aqui?





Nova ordem econômico-tecnológica dificulta a tarefa de CEOs encontrarem seus substitutos

Por Felipe Sil

Há 36 anos no cargo, o presidente da Cofix Construções e Empreendimentos, João Fernandes, até pensou em treinar sua filha para o seu lugar. A jovem, porém, optou por outra área profissional, a psicologia. Fernandes passou, então, a procurar entre seus funcionários alguém com perfil que se adequasse às necessidades do cargo. Tarefa árdua. Não basta competência técnica, diz ele, é preciso ter espírito de liderança e conhecimento dos mais diversos assuntos.

- Tenho feito entrevistas com os diretores e com outros funcionários. Já temos os perfis de todos que trabalham comigo. Há gente muito boa em muitas áreas. Só que não dá para ser competente em uma área específica e deixar a desejar em outra - analisa Fernandes, que aos 66 anos, garante que deixaria o cargo hoje mesmo, para integrar o conselho de administração da companhia, se encontrasse seu sucessor.

A questão é que as habilidades necessárias ao cargo de presidente de uma empresa estão crescendo no mesmo compasso em que 1) a globalização derruba fronteiras, 2) a tecnologia da informação revoluciona processos de trabalho e 3) o crescimento econômico do país estimula a competitividade. Ninguém é eterno na cadeira mais cobiçada de uma organização. Onde encontrar profissionais que atendam a todos esses requisitos  da nova ordem e ainda com capacidade de liderar?

Quando se trata de sucessão geralmente há duas opções: passar o comando aos parentes próximos, como filhos e sobrinhos - uma solução cada vez menos usada - ou buscar perfis gerenciais, na empresa ou fora dela. Num ou no outro caso, enfrenta-se o mesmo problema. Ricardo Cipullo, ex-presidente da Brose do Brasil, realizou a transição em 2008, após 11 anos de cargo. Ele faz coro com Fernandes: as funções de CEO são muito diferentes das exercidas há poucas décadas.

- A competência é circunstancial. Não adianta achar ninguém muito bom em determinada área, mas que não seja eficiente em outra. E devido ao aquecimento do mercado de trabalho, os profissionais tendem a se especializar - explica Cipullo, coordenador do grupo paranaense da Renaissance Executive Foruns formado por 70 presidentes de empresas do país.

Renato Grinberg, especialista em carreiras, ressalta que diante dessas transformações, o cargo exige um profissional generalista - aquele que precisa ter não só a visão ampla dos objetivos da organização e pensamento estratégico, mas também uma visão global dos acontecimentos.

- E isso vai além do conhecimento técnico. Há profissionais que são ótimos especialistas, mas que quando viram gerentes, simplesmente não dão certo.

E A SUSTENTABILIDADE BATE À PORTA

Sócio-presidente  da multinacional de restaurantes corporativos Gran Sapore, Daniel Mendes afirma que a complexidade do CEO é proporcional ao mercado global. Cita a responsabilidade social e a sustentabilidade como preocupações praticamente inexistentes há pouco tempo.

- São muitas obrigações e deveres que não podem ser negligenciados. Além disso, as empresas brasileiras se tornaram mais profissionais, até por força da concorrência internacional - diz Mendes que, apesar de ainda ter 48 anos, já escolheu seu sucessor, mais ainda não divulgou o nome nem para o escolhido. - Pra não chamar a atenção do mercado para ele. 

O empresário crê que uma das soluções para minimizar a tensão e os riscos da transição do cargo é descentralizar o poder:

- O mundo muda constantemente, e é preciso estar sempre atualizado e apto a tomar decisões rápidas. Só que esta não deve ser tarefa exclusiva do presidente, mas de todos os diretores e consequentemente, de todos os funcionários de uma empresa. (Colaborou Luciana Calaza).

PERFIL GENERALISTA É RARIDADE NO MERCADO
Substituição deve ser planejada desde o momento em que o líder cogita deixar o cargo

Que tipo de características de um profissional o mercado está buscando atualmente? Generalistas ou especialistas? Na opinião de consultores de RH, esse perfil vai variar de acordo com o cargo a ser ocupado. Mas, para alguns, ser generalista virou especialidade.

O generalista diz o diretor de Operações da Robert Half no Rio de Janeiro, William Monteath, entende todas as "engrenagens" de uma empresa, como finanças, recursos humanos, operações e TI. De um CEO, ressalta ele, é o que se espera. Segundo o executivo, para alcançar esse nível de conhecimento, o caminho pode ser buscar dentro da empresa a movimentação horizontal.

- Há organizações que estimulam a rotação de diferentes áreas como oportunidade de crescimento. Muitas vezes um gerente de finanças, antes de assumir  um cargo mais elevado passa pela posição de gerente de RH para adquirir conhecimento necessário à ascensão.


'E se a sobrinha for mais competente que o filho?' 

Ricardo Daudt, presidente do Laboratório Daudt, é claro quanto ao desejo de não se aposentar tão cedo do cargo que ocupa há 29 anos. Com 57 anos só quer parar aos 65. De qualquer maneira, a sucessão é um tema que já vem sendo discutido. Daudt diz que, se parasse hoje, não haveria um funcionário com perfil ideal para assumir a cadeira:

- Não vejo ninguém com os conhecimentos gerais necessários para a importância do cargo. Algumas exigências são cinco anos na diretoria, conhecimento do nosso setor e um bom currículo. Se possível ter entre 45 e 55 anos. Além do mais, é preciso lidar com uma realidade diferente, em que o negócio está mais voltado para o marketing, e o trabalho é realizado em várias frentes, criando até a necessidade de delegar funções.

Por sorte, um de seus filhos Gustavo Daudt, aparenta ter o perfil ideal para assumir o cargo. Com isso, a tradição da família que dá nome ao laboratório tende a ser mantida. A instituição fundada em 1882, sempre teve parentes no comando. Mas, frisa o pai. Gustavo ainda não está pronto.

- Ele é interessado, tem capacidade de liderança e boa compreensão da empresa. Isso me dá tranquilidade. Ainda faltam alguns aspectos importantes, acho que até devido à idade. Tenho certeza que daqui a sete anos, ele estará preparado para assumir a presidência - confia o pai.

Gustavo é hoje diretor de Marketing da empresa e já participa de todas as decisões relativas à marca. Formado em Administração com MBA em marketing, está há cinco anos no laboratório e já passou pela área financeira:

- Conheci todas as áreas e tenho contato com todos os diretores. Desde o início meu pai me preparou para ter um conhecimento geral sobre a empresa e não apenas sobre um assunto específico.

Problemas relacionados à sucessão estão entre os temas mais discutidos nos encontros realizados pela Renaissence Executive Forums. A organização, que existe há dez anos, reúne 70 presidentes de empresas (não concorrentes) que, divididos em seis grupos em todo país, encontram-se mensalmente na sede de uma das organizações e discutem temas relacionados à gestão de seus negócios, além de assistirem a palestras variadas como, por exemplo, fonoaudiólogos e monges budistas. Tudo para que se sintam à vontade para ao expor opiniões, anseios e dificuldades.

- A clareza e a transparência diminuem o medo e o receio com relação ao caminho que a empresa quer seguir - diz André Kaufmann, presidente da Renaissence, para quem a escolha de um sucessor é dificultada pela falta de pessoas que tratem  o líder de maneira sincera, pois elas costumam ter medo de decepcioná-los. - Nosso grupo de debate tenta amenizar isso. E busca respostas para questões como: se colocar um parente é a melhor saída; ou o que fazer se a sobrinha é mais competente que o próprio filho.

Fonte: Jornal O GLOBO - Caderno Boa Chance p. 1 e 3 (24/04)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A HEPATITE virou epidemia e muitas pessoas ignoram pela falta de sintomas. 3 milhões de brasileiros estão doentes e apenas 150 mil foram identificados. Vale a pena assistir ao vídeo do link abaixo:

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1667650-15605,00-TRES+MILHOES+DE+BRASILEIROS+TEM+HEPATITES+B+E+C.html

Três milhões de brasileiros têm hepatites B e C

Primeiro episódio da nova série explica a diferença entre os tipos de hepatite e dá detalhes da forma crônica da doença.

“Minha vida era normal, como a de todo garoto de 22 anos. Não sentia sintoma algum, não sentia dor. Nada que me indicasse que eu tinha esse vírus da hepatite”, conta um jovem.

“Fiquei apavorada, assustada, porque eu não tinha informação sobre a doença. Mas como era uma questão de uma gestação, você se preocupa mais”, relata Juíara.

“Não posso andar no sol, pular, correr. A comida que eu comia antes eu não posso comer. É diferente”, explica uma criança.

“Até oito, dez anos atrás, ninguém tinha ideia do que é hepatite. Só sabiam que existia, mas ninguém tinha ideia do que era. Tinham algumas prevenções que não tinham nada a ver. Por exemplo, comer em prato separado”, diz Gilberto.

Nesta série, vamos falar das hepatites e você verá que as hepatites são causadas por vírus completamente diferentes uns dos outros. Alguns provocam uma doença benigna, quase sem complicações. Outros, como os vírus das hepatites B e C, provocam uma infecção crônica, que leva à cirrose e ao câncer de fígado.

Sabe quantos brasileiros existem nessa situação? Três milhões. Sabe quantos foram identificados? Cerca de 150 mil. As hepatites são uma epidemia. Infelizmente, uma epidemia ignorada.

O fígado normal é lisinho e pesa 1,2kg, 1,5kg mais ou menos. É o laboratório químico do organismo. Todo sangue passa por ele. Aí ele produz proteínas e elimina as toxinas, tanto as que vêm de fora quanto aquelas produzidas pelo próprio organismo. Os vírus das hepatites B e C são tão pequenininhos que não adianta colocar no microscópio porque a gente não consegue enxergar.

Eles infectam as células do fígado e isso faz um processo inflamatório crônico. As células vão sendo destruídas e aí o organismo vai perdendo a capacidade de formar proteínas e eliminar toxinas. A pessoa vai ficando intoxicada. Ao mesmo tempo, as células que morrem são substituídas por umas cicatrizes que vão distorcendo a forma do fígado e atrapalhando a circulação.

E, com isso, aumentam os riscos de sangramentos. Isso é um processo silencioso que dura 10, 20, 30 anos. A pessoa está doente, mas não sabe. Só vai apresentar sintomas quando o fígado estiver em péssimas condições.

“Quando eu descobri que estava grávida eu já fui fazer meus exames de pré-natal. E foi quando eu descobri, nesta segunda gestação, que eu era portadora da hepatite B”. A gravidez trouxe felicidade, mas também preocupação para Juíara, de Vacaria, Rio Grande do Sul. O momento do parto é uma das formas mais comuns de transmissão da doença.

Na coxa direita, o bebê toma a vacina contra hepatite B, como as outras crianças. Mas como a mãe tem hepatite B, na coxa esquerda ele recebe a imunoglobulina que contém anticorpos contra o vírus. Além de passar da mãe para o filho, o vírus da hepatite B também é transmitido por objetos cortantes contaminados por sangue.

Uma pesquisa realizada em salões de beleza da cidade de São Paulo mostrou que há muita desinformação. Só 20% das manicures tinham tomado a vacina. Além disso, 8% eram portadoras de hepatite B. Você tem que ter certeza que o material foi esterilizado.

A manicure vai, faz a unha de uma pessoa, sai um pouquinho de sangue e ela depois vai e faz a sua unha, fura sem querer a cutícula, esse vírus – que é uma coisa muito pequena entra e cai na sua circulação. Você usa escova de dentes dos outros? Então, material de manicure é a mesma coisa. Cada um tem que ter o seu. E se usar o material do salão de beleza tem que ter certeza de que ele foi esterilizado adequadamente.

“Em 1979, em fevereiro, nasceu minha filha Rita, a quarta de cinco filhos. Quando nascia algum filho meu, eu fazia doação de sangue. Naquele dia, o médico do hospital falou que eu não poderia mais ser doador porque eu era portador de hepatite B. O único jeito de saber, naquele tempo, era doando sangue. Não tinha exame de sangue como hoje.” Gilberto é um caso típico de hepatite B crônica. Não sentia nada, descobriu por acaso que era portador do vírus e continuou vivendo bem, sem nenhum sintoma de que a doença estava ficando grave.

“Quando foi o ano passado, eu fui ao hospital e a doutora falou para mim: ‘Olha, você está com três nódulos cancerígenos, vai ter que tratar. Se você melhorar, tudo bem. Se não melhorar, entra na fila do transplante”, conta Gilberto.

Como o fígado é um órgão que sofre calado, esses portadores crônicos não sentem nada. Só descobrirão que estavam infectados 20, 30 anos mais tarde, quando vierem a cirrose e o câncer de fígado.

“E a há quase dois anos, quando encontrei a Andrea, no primeiro eu tomei um chope preto, ela tomou um suco. Eu perguntei se a gente podia se encontrar de novo e ela falou: ‘Pode, desde que você não beba’. Aí parei de tomar cerveja, faz quase dois anos”. Os portadores de hepatite B não devem tomar bebidas alcoólicas. O álcool é tóxico para o fígado.

Hepatite B tem vacina. A única forma de acabar com a doença no Brasil. O certo era vacinar todo mundo, mas como o Ministério da Saúde não recebe recursos financeiros suficientes, decidiu estabelecer prioridades. Podem receber a vacina gratuitamente todos na faixa até 24 anos. Além deles, os profissionais de saúde, os policiais, as manicures, os portadores do HIV, além de outros grupos. A vacina tem três doses. Você toma a primeira hoje, a segunda daqui a 30 dias, a terceira daqui a seis meses. Seis meses contados a partir da primeira dose. Precisa tomar as três doses.

Chapecó faz parte de uma região que recebeu grande número de imigrantes italianos no início do século passado. Com eles, veio o vírus da hepatite B. Hoje, 7% dos habitantes da cidade são portadores crônicos do vírus B. Um número altíssimo. A partir de 1995, Chapecó desenvolveu um programa exemplar de vacinação que acabou com a hepatite B entre as crianças e que eliminará o vírus nas gerações futuras.

“A gente prima muito pela prevenção. O que a gente quer é que as pessoas completem o esquema. Façam a primeira, a segunda e a terceira dose. Nós temos uma boa cobertura de vacinação. Sempre acima de 98% das crianças são vacinadas. O Ministério preconiza até 95%, agente tem, sempre, a partir de 98%”, relata a coord. Setor de Tuberculose, Maria Luiza Trizotto.

“Eu estou montando um livro, já estou com 80 e poucos artigos, agora vou fechar o livro. Estou com dificuldade porque não estou me sentindo bem. Então, a única chantagem que eu fiz com Deus foi essa: ‘Vamos maneirar esse câncer aí porque eu preciso fazer o livro”, brinca Gilberto.

“Eu acho que, como mãe ou como qualquer outra pessoa, você deve correr atrás. Quanto mais um filho seu. Foi o que eu fiz. Fui atrás para manter ele livre. Livre da hepatite”, diz Juíara.
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