21/04/2009

UM ÚNICO DIA DE CONSUMO DE ÁLCOOL AFETA A SAÚDE MENTAL DE CRIANÇA


UM ÚNICO DIA DE CONSUMO DE ÁLCOOL AFETA A SAÚDE MENTAL DA CRIANÇA



O consumo de quatro doses de bebidas alcoólicas em apenas um dia durante a gravidez pode aumentar os riscos de problemas mentais na criança, como o transtornos do déficit de atenção e hiperatividade, segundo estudo publicado na edição de fevereiro da revista Pediatrics. Os resultados indicam que mesmo que não haja um consumo regular de álcool pela gestante, a ingestão de mais de quatro doses em um dia é prejudicial para o desenvolvimento do bebê.

"Padrões de consumo de álcool durante a gestação como episódios de "bebedeira" podem ser tão importantes como os níveis médios de consumo em conferir riscos para saúde mental e de problemas de aprendizado na infância...", escreveram os autores.
Para avaliar se esses padrões de consumo pela gestante podem estar associados com a saúde mental do filho, independentemente do consumo regular de bebidas, os pesquisadores analisaram mais de 6 mil crianças, considerando o "beber pesado" (consumo de quatro a seis doses no dia) no segundo e terceiro trimestre de gestação, e a saúde mental das crianças em dois momentos de sua vida.

Os resultados indicaram que beber quatro doses em um único dia estava associado a um alto risco de problemas de saúde mental, especialmente déficit de atenção e hiperatividade, nas meninas aos 47 meses, e em ambos os sexos aos 81 meses. Essa relação permaneceu significativa mesmo excluindo o consumo regular diário de álcool.

Fonte: http://pediatrics.aappublications.org/
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SUICÍDIO E TRANSTORNO BIPOLAR



SUICÍDIO E TRANSTORNO BIPOLAR


A relação entre eventos da vida, o estresse e a doença psiquiátrica não é sempre direta. A dor psicológica ou o estresse isolado apesar da profunda perda, desapontamento, vergonha ou rejeição, raramente é causa suficiente para o suicídio. O peso da decisão de morrer repousa na interpretação dos eventos e a maioria das pessoas, quando saudável, não interpreta nenhum evento como devastador o suficiente para justificar o ato de se matar.

O suicídio é o ponto final de uma série contínua de pensamentos e comportamentos suicidas. Essa série contínua varia desde comportamentos que acarretam riscos, estende-se por diferentes graus e tipos de pensamentos suicidas e termina com as tentativas de suicídio e a consumação do ato. Para algumas pessoas, o suicídio é um ato repentino; para outras, é uma decisão longamente considerada, com base em desesperança acumulada ou circunstâncias terríveis.

O suicídio é um ato tanto estereotipado quanto altamente individualizado. É o ponto final comum para muitos pacientes com doença psiquiátrica grave. Do ponto de vista funcional, diversos pesquisadores observam que os pacientes que apresentam pensamentos ou atos suicidas têm redução da atividade serotoninérgica cerebral.

O abuso de álcool e de drogas ilícitas pode precipitar quadros psicóticos, piorar sua evolução ou dificultar procura de tratamento especializado. Os usuários de drogas, habitualmente, inicam seu uso na adolescência, o que tem relação com a elevação em trêsvezes da incidência de suicídio nessa faixa etária, nos últimos 30 anos.

Os transtornos do humor (depressão e psicose maníaco depressiva) são de longe, as condições psiquiátricas mais comumente associadas ao suicídio. No mínimo 25% a 50% dos pacientes com Transtorno Bipolar tentam suicídio, pelo menos uma vez. As mulheres fazem tentativas de suicídio com frequência duas a três vezes maior que o homem. O risco de suicídio, ao longo da vida, nesse quadro, é cerca de 15%. Os períodos de depressão são os que apresentam o maior risco.

Com exceção do Lítio, que é o único tratamento realmente eficaz contra o suicídio, notadamente pouco se sabe sobre a contribuição de outros tratamentos na redução da mortalidade em pessoas com graves transtornos de humor, em particular, na Depressão Bipolar. O lítio demonstra em seu uso crônico, uma redução de até setes vezes no risco de suicídio. Provavelmente, sua ação anti-suicídio está relacionada à sua propriedade serotoninérgica*e antiagressividade, e pode ser independente de su eficácia em evitar a ocorrência de novos episódios da doença.

Antidepressivos do grupo dos Inibidores Seletivos de Recaptação de Serotonina, anticonvulsionantes e antipsicóticos são drogas que estão em estudo em relação à sua ação anti-suicídio, pórém dados mais definidos ainda são aguardados.
A psicoterapia pode ser extremamente útil, não só sustentando o tratamento e seus possíveis efeitos colaterais, mas ensinando o paciente como se sobrepor aos pensamentos suicidas.

O suicídio é, geralmente, uma manifestação de grave angústia psiquiátrica que, frequentemente, está associada a uma forma diagnosticável e tratável de depressão ou de outra doença mental. Em situações clínicas, a avaliação do risco de suicídio deve preceder qualquer tentativa de tratar doenças psiquiátricas e perguntar ao paciente diretamente sobre pensamentos ou planos de cometer suicídio é parte essencial de uma anamnese*bem feita.
 
Glossário:
Serotoninérgica: Vem de serotonina que é uma substância produzida no cérebro relacionada à sensação de bem estar.
Anamnese: entrevista inicial que orienta o profissional na direção a ser dada ao tratamento.
Texto baseado na Rsenha de Neuropsiquiatria, resumo dos artigos da revista Clin Psyquiatry, 2000: 61 (sup 9) dos autores: Alec Coppen, Charles B. Nemeroff, Charles L Bowden, Jai N. Giedd, Jair C. Soares e Samuel Gershon, Kay R. Jamilson, Michael T. Compton, Robert H. Lenox
Fonte: Ballone GJ, Moura EC - Lítio e Litioterapia, in PsuiqWeb, Internet, disponível em www.psiweb.med.br / Jornal Momento Psi 

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19/04/2009

ACHAMOS QUE SABEMOS - MARTHA MEDEIROS


ACHAMOS QUE SABEMOS


Outro dia assisti a um filme no DVD do qual nunca ouvido falar - talvez porque nem chegou a passar nos cinemas. Chama-se "Vida de Casado", um drama enxuto, com apenas 90 minutos de duração e jeito de clássico. Gostei bastante. Um homem casado há muitos anos se apaixona por uma bela garota e com ela quer viver, mas não sabe como terminar seu casamento sem que isso humilhe sua venerável esposa, então decide que é melhor matá-la para que ela não sofra: não é uma solução amorosa? Não tem o brilhantismo de um Woody Allen, mas o roteiro tem certo parentesco com "crimes e pecados". Se fosse possível resumir o filme numa única frase, seria: "Ninguém sabe o que está se passando pela cabeça da pessoa que está dormindo ao nosso lado".

Será que sabemos, de verdade, o que acontece à nossa volta? Achamos que sabemos.

Achamos que sabemos quais são as ambições de nosso filhos, o que eles planejam para suas vidas, esquecendo que a complexidade humana também é atributo dos que nasceram do nosso ventre, e que por mais íntimos e abertos que eles sejam conosco, jamais teremos noção exata de seus desejos mais secretos.

Achamos que sabemos o que o amor de nossa vida sente por nós, baseados em suas declarações afetuosas, seus olhares ternos, suas gentilezas intermináveis e sua permanência, mas isso diz tudo mesmo? Nem sempre temos conhecimento das carências mais profundas daquele que vive sob nosso teto, e não porque ele esteja sonegando alguns dos seus sentimentos, mas porque nem ele consegue explicar para si mesmo o que lhe dói e o que ainda lhe falta.

Achamos que sabemos quais são as melhores escolhas para nossa vida e é verdade que alguma intuição temos disso, mas certeza, nenhuma. Achamos que sabemos como será envelhecer, como será ter consciência de que se está vivendo os últimos anos que nos restam, como será perder a rigidez e a saúde do corpo, achamos que sabemos como se deve enfrentar tudo isso, mas que susto levaremos quando chegar a hora.

Achamos que sabemos o que pensam as pessoas que conversam conosco e que até nos fazem confidências, aceitamos cada palavra dita e nos sentimos honrados pelas informações recebidas, sem levar em conta que muito do que está sendo dito pode ser da boca pra fora, uma encenação que pretende justamente mascarar a verdade, aquela verdade que só sobrevive no silêncio de cada um.

Achamos que sabemos decodificar sinais, perceber humores, adivinhar pensamentos, e às vezes acertamos, mas erramos tanto. Achamos que sabemos o que as pessoas pensam de nós. Achamos que sabemos amar, achamos que sabemos conviver e achamos que sabemos quem de fato somos, até que somos pegos de surpresa por nossas próprias reações.

Achar é o mais longe que podemos ir nesse universo repleto de segredos, sussurros, incompreensões, traumas, sombras, urgências, saudades, desordens emocionais, sentimentos velados, todas essas abstrações que não podemos tocar, pegar nem compreender com exatidão. Mas nos conforta achar que sabemos.
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