Post do Dia

"LEVANTA, SACODE A POEIRA"!

30 de jan de 2011

Viva o luto

Por Márcia Cabrita

Eu fiquei gravemente doente. Ao contrário do que muitos fantasiam, não tirei de letra. Não sei o porquê, mas existe uma idéia estapafúrdia de que quem está com câncer tem que, pelo menos, parecer herói. Nãnãninã não! Quem recebe uma notícia dessa não consegue ter pensamentos belos. Bem... eu não conseguiria. A cobrança de positividade acabou se tornando um problema. Olhava-me no espelho branca, magrela e de cabelos curtinhos (antes de caírem) e achava que estava pronta para fazer figuração em "A lista de Schindler". Achava que não tinha chance de sobreviver à cirurgia, só pessoas que não tinham maus pensamentos sobreviviam. Muitas vezes deixei de comprar coisas pra mim porque tinha que deixar tudo para minha filha. Bem, se na minha cabeça era esse o pensamento que reinanva... Sem chance.

O mundo moderno é incrível. Tudo é maravilhoso, não existe sofrimento! As separações são sempre amigáveis e sem lágrimas, as mães não têm mais o direito de embarangar e ficar em casa lambendo a cria. Um mês depois estão lindas magras, com barriga sarada! Os atores não ficam desempregados, estão sempre felizes com um convite que ainda não pode ser revelado! Quimioterapia é moleza! Vem cá só eu que moro na Disney?

Hoje percebo que precisei viver esse luto. Esse passou. Apesar do medo, fui confiante para o hospital. Mas outras angústias vieram. Sofri pelo que é "o de menos", chorei pelos cabelos, pelas sobrancelhas, pelos cílos e pelo... resto que vocês sabem. Chorei pelas dores, enjoos, injeções e tudo mais. Eu me dei esse direito. Eu me dei o direito de ser humana. A Mulher Maravilha mora na televisão, eu moro na Gávea mesmo. A Mulher Maravilha dá aquele giro e sai linda e poderosa correndo pra salvar pessoas. Se eu fizesse a mesma coisa, cairia estabacada com a careca no chão. Então meu giro foi bem devagarzinho, segurando na mão da minha mãe, minha irmã e de meus queridos amigos e familiares. Girei amparada por Dr. Eduardo Bandeira, Dra. Virgínia Portas, Dr. Celso Portela e todos os enfermeiros e profissionais de saúde que foram maravilhosos comigo. Girei rindo e chorando com centenas de comentários no meu blog em que virei praticamente uma conselheira oncológica. Girei brincando com minha filha, que fez questão de irà escola de lenço na cabeça "igual a mamãe, porque é muito legal". Girei para salvar a mim mesma.

Sinceramente, não acredito em uma seleção divina. Muitas pessoas bacanas e crianças morrem, e isso não é nem um pouquinho justo. Acho um saco quando dizem "fulano perdeu a batalha contra o câncer", "fulana tem tanta vontade e alegria de viver que foi salva" ou "o amor por meus filhos me salvou". Me parece tremendamente injusto.

Quer dizer que quem morre não amava a vida? O amor pelos filhos não era grande o suficiente? A fé foi pouca? Pensamento bem cruel, não é? É uma coisa bem esquisita, isso só ocorre com o câncer, a única doença tão estigmatizada. Ninguém diz que alguém perdeu a batalha para o enfarte, nem que amava tanto a vida que ficou bom da tuberculose.

Re-mis-são. Estou em remissão. Quem não apresenta mais sinais da doença não pode sair gritando que está curada, então saio correndo e gritando que estou em remissão!!!! Eba! Remissão é muito bom!!!

Vi uma foto minha na internet com meus companheiros de "Subversões", Aloísio e Salem, em que estou com um largo sorriso. Eu estava verdadeiramente feliz. Sem a pílula da felicidade, sem fingir meus sentimentos, sem bancar a maravilhosa. Era eu simplesmente feliz. E agora, chega desse assunto! Eu sou atriz e Tô mais preocupada com um convite que não pode ser revelado!


Fonte: Jornal O Globo - Revista 30/01
 Márcia Cabrita é autora do blog Força na Peruca E está em cartaz nas peças "Subversões 21" e " Tango, bolero e tcha tcha tcha"


Obs: Voltaremos a este assunto. Adorei o texto que estou compartilhando com todos.
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29 de jan de 2011

Ir e Voltar

Por José Saramago

Este meu gosto de museus e pedras velhas que no parecer de alguns denunciará uma suspeita tendência por evasões, é pelo contrário, o sinal mais certo de uma viva radicação no mundo em que estou. De fato, não creio que alguém possa com verdade, dizer-se do seu tempo, se não se sentir envolvido num todo geral que abarque o mundo como ele é e como ele foi. Aquele corpo ressequido, dentro da sua caixa de vidro, no Museu Britânico, que foi um corpo vivo há três mil anos, desencadeia imediatamente em mim um processo mental que me mostra a história dos homens como uma imensa rede de braços, uma iluminação de olhos, um rumor de passos dentro de um formigueiro. E quando numa noite de Paris dei com a Notre Dame dentro do nevoeiro, sob a luz amortecida dos projetores, e parecendo toda ela uma construção estranhíssima de pedra roxa, não tive mão em mim que evitasse umas tantas reflexões caseiras que logo me afastaram das pacíficas banalidades estéticas.

Aqui em Portugal, se não exagero, temos a pecha de falar de mais da história que vivemos e fizemos, quando afinal não somos os únicos a medir a história pátria em séculos, e se é verdade que fomos os descobridores e marinheiros, parecemos esquecidos de que todos os povos virados aos mares e aos oceanos algo acabaram também por navegar e descobrir: os gregos como os fenícios,os escandinavos, como os holandeses, os espanhóis, como os italianos.

Bem sabemos que de evidências deste gênero se alimenta a vaidade dos povos, e a xenofobia que quase todos cultivam: por essa via, cada um há-de sentir-se o melhor, o mais ousado, o mais culto, o mais adiantado, uma espécie de eleito de parcialíssima divindade; que dividisse a história em gomos como uma laranja, e a distribuísse ao sabor de suas inclinações. Creio que país nenhum se livra deste pecado de soberba, e isso nos  desculparia se tal comportamento não se agravasse em nós como um claro divórcio entre o que vamos dizendo e o que somos capazes de sentir. Falamos em glórias passadas, das conquistas, das descobertas, como de fantasmas imateriais e que os compêndios escolares não dão vida, nem as pedras mortas substância. Gostaria bem de saber, por exemplo, se o povo português se sente realmente herdeiro de Bartolomeu Dias e de Gil Vicente, de Afonso Henriques e de Luis de Camões, de D. Dinis e de Fernão Lopes. Seria um teste a fazer entre nós, e muito menos gratuito do que poderá parecer a gente apressada que faz todos os dias a revolução cultural.

Claro que não estou a pensar em cultivar um tipo de devoção historicista toda voltada para o passado, para os "bons tempos" em que fomos senhores do mundo ou, mais modestamente, do nosso caminho. Tratar-se-ia, antes, de desnredar esse caminho do amontoado do tempo e dos acontecimentos, de modo a encontrar-nos, como povo, conscientes agora, de um tempo histórico vivido e assumido, perante a nova sociedade (e quem sabe a nova civilização) que em todo mundo se forma, entre os sobressaltos e os estertores do que ainda não há muito tempo, parecia tão sólido tão para durar.

Vistos de longe (e visto de perto depois) damos de algum modo a idéia de vivermos o nosso dia- a-dia como se não tivesse havido ontem e não haja amanhã numa espécie de sonambulismo fatalista que espera resignadamente a repetição do terremoto de 1755. Ou então que um braço salvador (talvez D. Sebastião) nos arranque a todos de um só puxão do vagaroso afundamento em que nos distraímos . Individualmente. Coletivamente.

Esse arrazoado melancólico, ninguém o pediu ao cronista e mais certo é que lho censurem os que do optimismo fizerem profissão e credo. Mas a pergunta: "que seremos amanhã" é para mim uma obssessão, uma voz murmurante, um grito em certas horas de silêncio. A resposta (se algum dia vier a ser dada) é infinitamente plural, mas nela não estará nenhuma contribuição minha, nunca como hoje se pôde brincar menos com coisa sérias, e as exigências da análise que a ela levaria são tais e tão diversificadas, que o simples cronista que eu sou se deverá dar por satisfeito com o aflorar ao de leve as interrogações mais próximas. É o seu modo de estar presente, de intervir, de amar o povo a que pertence.


José Saramago com sua visão filosófica e lírica do cotidiano nos convida a esta reflexão do que fomos e do que seremos. É uma visão que fala do mundo e é uma questão que também cabe a nós como subjetividades. Falar de psicologia sempre foi evocar subjetividades, mas na atualidade a psicologia quer participar das discussões e acontecimentos que também nos faz seres mais sociais, como nunca deixamos de ser. Somos um todo como mundo físico, alojando múltiplas subjetividades afetando e sendo afetados pelo que nos rodeia, com nossas responsabilidades que ora assumimos ora negamos. Esta é a razão deste blog ser tão diverso.


O autor traz referência da sua terra, com seu idioma típico que transcrevemos, mas suas reflexões evocam questões universais. Saramago é um escritor  que tem como matéria prima os acontecimentos do dia a dia, mas em nada é óbvio. Lindo.Teremos mais Saramago por aqui.

Fonte: A Bagagem do Viajante - Crônicas Editora Companhia das Letras
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22 de jan de 2011

Intimidade consigo mesmo

Você já se pegou sonhando em ser outra pessoa, vivendo em outro lugar? Quando nos distanciamos de nossa realidade, distanciamo-nos de nós mesmos. Então, é hora de perguntar: por que está tão difícil levar adiante a vida?

Aceitar estar nesta vida, com este corpo. A falta de contato conosco cria a sensação de solidão e isolamento. O prazer de estar consigo mesmo cria a disponibilidade para estar com o outro. Uma pessoa chata é aquela que não consegue estar consigo mesma e espera que o outro a tolere!

Se pararmos para observar o que pensamos sobre nós mesmos, iremos nos dar conta do quanto nossa auto-avaliação possui o poder de nos aproximar ou nos distanciar de nós mesmos. Para termos uma relação saudável, próxima e direta com nós mesmos, precisamos parar de nos auto-rejeitar.

Quando estamos bem, sentimo-nos confortáveis em nosso corpo: a respiração flui, a barriga está relaxada e as costas estão naturalmente eretas. Quando negamos a nós mesmos, nosso corpo reage, expressando dor. Podemos pensar que estamos bem, mas se nosso estômago começar a doer, irá revelar nossa ansiedade e confusão emocional.

Portanto, se tivermos um relacionamento superficial com nossas emoções, poderemos momentaneamente negar nossos sentimentos, mas nosso corpo irá revelar que estamos, na realidade, nos abandonando.

São muitas as vezes em que dizemos o que não sentimos verdadeiramente. Isso ocorre porque não sentimos o que pensamos! Reconhecer que não estamos sentindo o que deveríamos sentir ou gostaríamos de estar sentindo é um desafio interior que devemos enfrentar.

No entanto, na maioria das vezes buscamos pensar algo justamente como um mecanismo de defesa para não sentir nossos sentimentos. Isto é, em simplesmente senti-los sem julgá-los como ruins ou bom. Senti-los com a intenção de conhecê-los. Sermos abertos para com nossos sentimentos demanda sinceridade e compaixão.

Não basta querer não pensar em algo para deixar de senti-lo. Os sentimentos não desaparecem só porque são indesejáveis. Aliás, pensar e sentir são duas funções que precisam estar harmonizadas entre si. Podemos pensar em nossas emoções, mas será necessário senti-las para que elas possam fluir. No entanto, não são os sentimentos em si que nos proporcionam sabedoria, mas sim o processo de abrirmo-nos a eles.

John Ruskan, em seu livro Purificação Emocional (Ed. Rocco), escreve sobre a importância de saber entrar em contato com nossos sentimentos sem a intenção de analisá-los imediatamente: ¿Lembre-se de que você não está entrando no sentimento com a intenção de analisá-lo e compreendê-lo. Não tente compreender porque o evento ocorreu, o porquê de suas ações ou sentimentos, o que há de aprender com o evento, etc... Essas compreensões virão espontaneamente como resultado da integração que a experiência direta trará. Por enquanto, limite-se a experimentar plenamente os sentimentos do evento. Se você persistir em tentar analisar, a integração será inibida¿.

Portanto, o segredo está em confiar que você obterá o que necessita saber de uma experiência no ato de acolhê-la. Ou seja, podemos nos propor sentir o que rejeitamos como processo de autoconhecimento e não como um sentença de condenação.

Não podemos nos obrigar a sentir nossos sentimentos. Não há necessidade de forçar nada.

O objetivo é integrar as diferentes partes de nossa mente e criar intimidade, isto é, proximidade com a própria mente. E não necessariamente analisá-la. Enquanto a análise estiver contaminada do hábito da auto-acusação, é melhor mantê-la de fora.

A chave é manter uma relação direta consigo mesmo. Pois só assim poderemos apreciar a energia fluida e agradável que existe naturalmente dentro de nós.

Ser sincero com você mesmo é um ato de coragem. Pois o autoconhecimento nos leva a tomar decisões ousadas e irreversíveis. Lembro-me certa vez quando consegui assumir conscientemente algo que precisaria de muita coragem para reconhecer o que, de fato, estava sentindo. Entrei no meu quarto, apaguei a luz, deitei na cama, cobri meu rosto com a coberta, e perguntei a mim mesma: o que você quer fazer nesta situação?

Apesar de saber que já conhecia a resposta, ter agido assim fez com que eu me aproximasse da decisão. Não havia mais como negar a mim mesma. Depois que escutamos o que queremos, não dá mais para fugir. Pelo menos de nós mesmos. Podemos estrategicamente continuar fingindo para o mundo algo que ainda não estamos prontos para expressar, mas internamente não podemos nos enganar.

Quando finalmente relaxamos, comunicamo-nos com nosso mundo interior sem mais rodeios e rompemos as barreiras das palavras, permitindo que a nossa mente e o corpo se unam. Aos poucos, percebemos que é possível relaxar em nossa própria energia. Quando o corpo e a mente estão unidos, participamos plenamente do mundo e podemos nos comunicar com ele num nível ainda mais amplo e sutil.

Quanto mais transparência houver dentro e fora de nós, melhor será. Ocorrerão menos interferências negativas, pois aquele que não teme ser autêntico está em harmonia com o mundo à sua volta. Pois está conectado com o mundo, aberto e interessado em interagir.


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9 de jan de 2011

As profundas crises que se escondem -

Por Regina Bomfim

Aprender é sentir. É um extrato mais profundo além da racionalidade de um conhecimento sistematizado. Em inglês, decorar é to learn by heart. Há tantas coisas que sei e ainda não sinto, há tantas outras que não sei... Na minha opinião, é no sentir que um ato, pensamento se tornam meus, os livros que leio e todos os saberes que me chegam, são por mim apropriados. O sofrimento ainda me assusta, me inibe, mas ainda aprendo a não deixar que ele me restrinja. É um jogo que ora perco, ora ganho. Ninguém está livre de profundas crises. Quanto tempo dura? O tempo que meus olhos permitem ver. E sentir. Quanto tempo dura?

Ps: Para a psicóloga desaparecida no dia 31/12 comentado nos jornais.
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Júlia, Luiza e Lucas

Eles estão só, não falam porque acham que não serão ouvidos, e não acham nenhum adulto que os ajude.
Júlia, 15 anos, cursa o primeiro ano do ensino médio e quer parar de estudar. Neste ano, seu aproveitamento escolar foi, segundo ela mesma, péssimo. Não estudou, as notas nas avaliações foram muito baixas e não conseguiu estabelecer relação com nenhum colega de classe.
A escola avisou aos pais que o ano já está perdido e que, apesar dela ser bem comportada, no espaço escolar, não rende nos estudos e está sempre isolada.
A coordenadora sugeriu que os pais procurassem tratamento psicológico para a garota, porque ela pode estar deprimida por não ter conseguido se adaptar à nova escola, para a qual foi transferida neste ano.
Os pais tem uma hipótese a de que a filha foi vítima de "bullying". Por isso já tem uma solução para o problema - que é uma nova tranferência de escola.
Aliás, estão atualmente visitando escolas, conversando com coordenadores e consultando guias escolares para que, desta vez, façam uma escolha mais acertada.
E o que Júlia acha? Ninguém perguntou para ela, assim também como ninguém escuta o que ela tem adizer, de uma forma um tanto atrapalhada.
Júlia tem uma única solução para o que considera seu problema: deixar os estudos. E tem também uma reclamação: ninguém a leva à sério.
Luiza, 16 anos, passa por uma situação delicada, está grávida. Mas, segundo a mãe, por pouco tempo. A família irá providenciar a interrupção da gravidez. Já o namorado de Luiza, assim que soube do fato se apavorou. Disse à namorada que ele não pode contar com os pais , porque isso geraria problemas familiares muito graves. Pediu que ela conversasse com a mãe sobre o caso porque sabia que esta seria mais compreensiva.
O que Luiza pensa a respeito do seu estado, da reação do namorado frente à situação e, ainda, da decisão tomada pela mãe para acabar com o problema? Talvez sua melhor amiga saiba a resposta. Nenhum adulto com relacionamento próximo a ela conseguiu ou quis dialogar com ela a respeito. Luiza diz que isso não importa já que tudo será resolvido "da melhor forma".
Lucas entrou numa boa faculdade este ano. Foi sempre considerado bom aluno. "Nunca me deu problema antes" , diz a mãe.
Acontece que frequentar a universidade parece ter sido um fato decisivo para tirá-lo do seu prumo. Pelo esforço e pela boa colocação no vestibular, ganhou como prêmio um carro, que ele já bateu três vezes.
Agora Lucas deu de passar noites fora sem avisar aos pais e a beber em demasia. Atualmente não pode usar o carro - e não contestou a decisão tomada pelos pais. O jovem foi levado a um psiquiatra e com ele fez uma única consulta, mas se recusa a continuar o tratamento.
Seu pai desconfia de que ele usa maconha socialmente apenas. Por isso não considera necessário conversar com o filho sobre isso. Ele próprio, quando estava na universidade, fez uso esporádico da erva.
Quando perguntaram a Lucas porque ele tem agido assim, sua resposta é sair de perto dos pais, em silêncio e cabisbaixo.
Júlia, Luíza e Lucas representam muitos de seus pares na solidão em que se encontram. Não se entendem e não encontram nenhum adulto que os ajudem a se entenderem. Não falam porque acham que não serão ouvidos.
Com quem nossos jovens contam - além de especialistas aos quais são encaminhados para falar de suas angústias, seus medos, suas insatisfações - até mesmo do tédio que experimentam em suas vidas?
Qual é nosso papel e nossa responsabilidade para com eles?
Júlia, Luiza e Lucas gostariam de saber quais respostas nós temo para suas questões.

Rosely Sayão - É psicóloga e autora de "como educar meu filho?" (Publifolha)
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4 de jan de 2011

As linhas "tortas" do amor

Por Regina Bomfim

Há uma distância que não entendo, de uma vida que só tem o apelo da sobrevivência. Assim parece ter sido feita essa mulher que o corpo e a alma só pensa em trabalhar para cuidar da filha que criou sem pai e a vida é como - "matar um leão por dia" - a falta de tempo;
A vida é áspera como o chão sujo da faxina que a minha mãe precisa fazer pra me criar; não há nenhuma poesia nem harmonia na alma dessa mulher que o corpo é um pano que limpa o chão... não perde tempo por preocupação em nutrir e cuidar.
Sou filha desta mulher que me deu a vida e me sustenta. O corpo dessa mulher guerreira é forte, mas sem identidade porque é uma mente que nunca comtempla; é um corpo e uma mente que vivem em função do trabalho, para comer, vestir, tentar viver.
Sou filha desta mulher que me deixa sozinha e não me entende. Ela trabalha, luta, seu corpo dói, mas ela insiste. Eu a contemplo como alguém distante de mim porque meus pensamentos e buscas são tão abstratos pra ela e me sinto só. Quando tento falar algo mais de mim, ela grita, arregala os olhos e aí eu deixo pra lá. Eu sinto raiva dela e me culpo por isso.
É estranho, sei que ela vive pra mim, mas queria sentir calma na sua presença e poder abrir meu coração, falar dos meus temores... Sei que nisso há amor, mas não entendo.

Ps: Para as mulheres da periferia que criam seus filhos sozinhas.
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