JANEIRO BRANCO: MÊS DA SAÚDE MENTAL, SAÚDE MENTAL SEMPRE

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Falar de saúde mental é compreender que esta é, sem medo de ser audaciosa em minha posição, o território, o recurso natural, a tecnologia mais valiosa da existência que cabe ao ser humano explorar. Como ainda somos estrangeiros dentro de nós mesmos, apesar dos  importantes avanços que somos capazes de criar. 

As perspectivas de crescimento dos transtornos mentais e seus inegáveis danos à saúde e à produtividade por cada vez mais incapacitarem ao trabalho e ao desfrutar da vida, torna-se cada vez mais algo que não mais pode ser ignorado, daí a iniciativa de transformar o mês de Janeiro no mês da Saúde Mental -  JANEIRO BRANCO.

Em muitas ocasiões o PSICOLOGIA EM FOCO falou sobre o quanto se tornou insustentável manter a separação corpo e alma - O penso, logo existo de Descartes, somado a todos os pensadores que forjaram a estrutura e o funcionamento do Ocidente, tem se mostrado ineficaz ao longo dos anos para dar conta da comp…


Contribuições da psicologia para as intervenções em meio ambiente 

 

Isabella Bello Secco Psicóloga pela PUCPR. Especializanda em Gestão Ambiental pela FAE Business School. Consultora da Comportamento - Psicologia do Trabalho. Membro da Comissão de Psicologia Ambiental do CRP 08 - Paraná. 

Artigo publicado na Revista Contato em novembro de 2008.
Atualmente somos bombardeados com notícias referentes ao meio ambiente e que nos revelam uma situação assustadora que exige uma mudança dos comportamentos e valores da sociedade frente a tais questões. Pode-se dizer que 2006 foi o ano em que a humanidade tomou consciência de que a crise ambiental é real e seus efeitos, imediatos. Uma prévia do relatório anual da Organização Metereorológica Mundial, órgão da ONU que avalia o clima na Terra, divulgado em dezembro de 2006, demonstra que este ano foi marcado por recordes sombrios no terreno das alterações climáticas e catástrofes ambientais. O aumento repentino da temperatura planetária e das alterações no meio ambiente se deve à ação humana, com escassa contribuição de qualquer outra influência da natureza. E as alterações climáticas são apenas algumas das conseqüências desta crise na relação homem ambiente, outras inúmeras podem ser mencionadas como, por exemplo, a escassez de água potável, redução na biodiversidade global, extinção de algumas espécies, piora na qualidade do ar, incêndios, diminuição das áreas verdes, efeitos adversos sobre a produção de alimentos e maior transmissão de doenças.


Muitos são os movimentos que já vêm ocorrendo no sentido de tentar reverter este quadro e muitas são também as controvérsias referentes ao prognóstico do nosso planeta. Porém, mesmo diante de tantos desencontros, uma coisa é certa: a sociedade atual está sendo convocada a repensar suas formas de se relacionar e utilizar o meio ambiente no qual estão inseridos, uma vez que, se tais mudanças não ocorrerem de forma urgente, não será somente o futuro das próximas gerações que estará em jogo, pois a humanidade já vem sofrendo sérias conseqüências da crise ambiental.


Durante anos várias ciências se preocuparam em entender e conhecer os fenômenos naturais e verificar quais seriam as conseqüências que a má utilização dos recursos naturais poderia acarretar para o planeta e todas as formas de vida nele existentes. Diante das diversas questões percebidas envolvendo a relação homem – meio ambiente, a Psicologia também é convocada a direcionar esforços e contribuir com tais estudos uma vez que é a ciência que tem como objeto de estudo o comportamento humano, vindo assim a contribuir e muito na atuação interdisciplinar considerando que a união de conhecimentos técnicos com os psicológicos possibilitam uma atuação mais efetiva em projetos que objetivem a mudança de comportamento e percepção das pessoas frente ao meio ambiente que as cerca. Diante deste contexto, a Psicologia Ambiental vem contribuir com muitos de seus conceitos e, as intervenções voltadas para a preservação ambiental, se tornam um campo urgente e emergente de atuação profissional do psicólogo em nossa sociedade.
De acordo com Gifford (1997, p.1) citado por Pinheiro e Güinter (2008, p.317):


“Psicologia Ambiental é o estudo das relações entre as pessoas e seus cenários físicos. Nestas relações, as pessoas mudam o ambiente e seus comportamentos e experiências são modificados pelo ambiente. Ela envolve a pesquisa e prática dirigida à produção de edificações mais humanas e o melhoramento de nosso relacionamento com o ambiente natural”.


Acrescentando a tal perspectiva, Leff (2001, p. 187), afirma que a psicologia ambiental tem por objetivo analisar as formas como as condições ambientais afetam as capacidades cognitivas, mobilizando os comportamentos sociais que causam impacto à saúde mental dos indivíduos; além de contribuir para a análise das percepções e interpretações das pessoas sobre o meio ambiente. A psicologia ambiental vincula-se ao terreno da psicologia social no estudo da formação de uma consciência ambiental e seus efeitos na mobilização dos atores sociais.


A crescente demanda ecológica na atualidade pode ser considerada não apenas em resposta a uma necessidade crescente de preservação ao meio ambiente, mas uma necessidade de respeito à própria humanidade, e não se refere apenas ao coletivo do homem, mas também à subjetividade inerente ao mesmo (MARÇOLLA, 2002, P.125).


É importante destacar que noções ecológicas são repassadas e interpretadas desde a infância e considerá-las supõe considerar aspectos e parâmetros diversos. Para Bruner (1998, p.95), as crenças e intenções derivam do que ele considera o conceito fundamental da psicologia humana, a construção de significados e os processos e transações que se dão nessa construção. Desta forma, pode-se afirmar que a vida somente parece compreensível pelos indivíduos pela lente de algum sistema cultural de interpretação.


Uma das dificuldades encontradas parece ser a existência de uma “falha” impressão de que os recursos naturais sejam infinitos. Contudo, o risco eminente de escassez dos recursos naturais, exige uma mudança urgente de cultura de toda a sociedade; mudança que exige intervenções a médio e longo prazo por se tratar de um processo bastante complexo. E este objetivo pode ser alcançado por meio de diversas ações, sendo uma delas a educação ambiental, que é um instrumento de tomada de consciência do fenômeno do subdesenvolvimento e de suas implicações ambientais, que tem responsabilidade de promover estudos e de criar condições para enfrentar esta problemática eficazmente, portanto, se constitui numa ação conscientizadora que tem por objetivo levar o homem, nos seus diferentes papéis, a reassumir sua condição de comportamento no ecossistema que a civilização moderna vem negando e que, numa visão prospectiva, poderá inviabilizar sua própria sobrevivência (GUIMARÃES, 1995, p.20).


Amplamente pode-se afirmar que a educação traduz-se por uma das maneiras de melhorar os comportamentos pró-ambientais sobre o planeta Terra. Se for considerada a crise ambiental em que o mundo se encontra, evidencia-se a necessidade de uma educação que amplie as teorias acerca do mesmo, como, por exemplo, deve-se ultrapassar a idéia de não finitude dos recursos naturais, moderando os padrões de consumo dos mesmos, diminuindo as fontes de poluição e desenvolvendo novas formas de produção menos agressivas e nocivas ao ambiente.


A educação ambiental aponta para propostas pedagógicas centradas na conscientização, na mudança de comportamento, no desenvolvimento de competências, na capacidade de avaliação e na participação dos educandos de todas as idades e inseridos nos mais diversos contextos. A relação entre meio ambiente e educação assume um papel cada vez mais desafiador, demandando novos saberes para apreender processos sociais cada vez mais complexos e riscos ambientais cada vez mais intensos. Assim, a reflexão sobre as práticas sociais, em um contexto marcado pela degradação permanente do meio ambiente e do seu ecossistema, envolve uma necessária articulação com a produção de sentidos sobre a educação ambiental.

No contexto organizacional não é diferente, sendo ele também reflexo de toda esta cultura e valores da sociedade. Os Sistemas de Gestão Ambiental hoje são uma variável importante no planejamento estratégico considerando o contexto globalizado que exige cada vez mais que sejam revistas as formas de manejo com o meio ambiente. Entre os fatores que determinam tais exigências, pode-se incluir os movimentos ecológicos, as mudanças no perfil dos consumidores, que estão cada vez mais preocupados com a origem dos produtos que adquirem, além das pressões do regime regulatório internacional e da necessidade urgente de que a sociedade se desenvolva de uma forma sustentável, ou seja, se desenvolva de forma a ser capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações.


A Psicologia pode contribuir no contexto organizacional auxiliando no processo de desenvolvimento, implantação e manutenção de sistemas de gestão ambiental (inclusive nos casos de certificação ISO 14001) além de desenvolver projetos de educação ambiental, pesquisas de percepção e apropriação dos ambientes e recursos, auxílio no manejo dos ativos e passivos ambientais resultantes do processo, entre outros. De acordo com Macêdo e Oliveira (2005), cabe ao psicólogo atuar na sensibilização dos trabalhadores envolvidos, providenciar o desenvolvimento dos profissionais que serão os gestores dos programas e também desenvolver mecanismos que facilitem as mudanças culturais que facilitarão o processo de implantação dos projetos e minimizarão as resistências a eles, promovendo a divulgação destes e favorecendo a comunicação entre todos os setores da organização integrando os cuidados ambientais a rotina operacinal.
É importante que as organizações reconheçam a gestão do meio ambiente como uma prioridade, como fator determinante do desenvolvimento sustentável e ainda estabeleçam políticas, programas e procedimentos para conduzir as atividades de modo ambientalmente seguro (MACÊDO; OLIVEIRA, 2005). Com isso as oportunidades no mercado em rápido crescimento serão maiores, além de haver a diminuição do risco de responsabilização por danos ambientais, redução de custos, melhoria da imagem da empresa, maiores chances de consolidação no mercado, desenvolvimento de dimensões éticas e morais no contexto organizacional e, à sociedade, uma expectativa de vida mais saudável e longeva. 


Contudo, fica destacada a importância de que os psicólogos busquem a inserção nas atuações relacionadas com as questões ambientais já que, além de ser uma área bastante evidenciada e sedenta de ações, são muitas as contribuições a serem dadas por este profissional em equipes interdisciplinares interessadas em desenvolver projetos voltados ao meio ambiente. São muitos os desafios diante de um caminho novo a se construir, porém, algumas iniciativas já surgem com sucesso. Sintam-se convidados, e por que não dizer, “convocados” a atuar e contribuir para essa mudança que não é apenas um “modismo”, mas sim uma questão de sobrevivência; mais que isso, implica em contribuir para sobrevivência com qualidade de vida desta e das futuras gerações.

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