JANEIRO BRANCO: MÊS DA SAÚDE MENTAL, SAÚDE MENTAL SEMPRE

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Falar de saúde mental é compreender que esta é, sem medo de ser audaciosa em minha posição, o território, o recurso natural, a tecnologia mais valiosa da existência que cabe ao ser humano explorar. Como ainda somos estrangeiros dentro de nós mesmos, apesar dos  importantes avanços que somos capazes de criar. 

As perspectivas de crescimento dos transtornos mentais e seus inegáveis danos à saúde e à produtividade por cada vez mais incapacitarem ao trabalho e ao desfrutar da vida, torna-se cada vez mais algo que não mais pode ser ignorado, daí a iniciativa de transformar o mês de Janeiro no mês da Saúde Mental -  JANEIRO BRANCO.

Em muitas ocasiões o PSICOLOGIA EM FOCO falou sobre o quanto se tornou insustentável manter a separação corpo e alma - O penso, logo existo de Descartes, somado a todos os pensadores que forjaram a estrutura e o funcionamento do Ocidente, tem se mostrado ineficaz ao longo dos anos para dar conta da comp…

PERDAS NECESSÁRIAS




Andrea Pavlovitsch


Este é o título de um livro que estou lendo agora. Simplesmente maravilhoso! Fala das nossas perdas. As perdas que são sempre necessárias para o nosso crescimento. Mas ninguém falou que por ser necessária, ela seria fácil.



Perder não é fácil. Perder um amor, perder um ente querido, perder o ônibus já deixa a gente bravo, imagina o resto. Lembro que fiquei super chateada de ter pedido um lindo colar de pérolas que eu tinha, bem comprido. Pela nossa vida vamos perdendo as coisas. Quando eu era criança eu pensava que estas coisas perdidas iam para algum lugar e que, um dia, as encontraríamos de novo. Não estava de todo errada.


A grande verdade é que a dor da perda é mais a dor do apego do que do amor. Pensem em alguém que você amava e que morreu, por exemplo. O amor foi com a pessoa? Você deixou de amar porque a pessoa morreu? Você pode ter perdido a pessoa, a situação, mas o amor por ela não morre junto. Sobrevive.


Então porque dói tanto? Justamente porque com a pessoa vai o nosso apego. Vai a nossa necessidade de estar perto, junto. Vai a rotina que existia, vai a vida como ela era. A chegada de qualquer coisa muda as nossas vidas e a ida também. Mas deixar ir é tão mais complicado do que deixar entrar.


E aqui aparece outra questão. Como coisas novas entram se não deixarmos as velhas saírem? É a famosa lei do vácuo. O Universo não suporta o vácuo e, quando temos um vazio, temos uma necessidade enorme de preencher aquele pedaço. Pergunte isso pra minha estante do consultório. Quando comprei a estante jurei que não a encheria de quinquilharias. Mas aí ganhei um pequeno Buda fofo da minha paciente, e mais um aromatizante de outra, e achei bolinhas antiestress na feira da Benedito Calixto e agora a estante está lotada. Ver os espaços vazios nos faz ir atrás de coisas novas.


E esta é a parte boa. Depois da perda. O durante é doloroso, é desespero. Remete-nos a todas as nossas perdas anteriores. Uma separação, por mais que seja a gente que quer, dói. É muita história pra deixar pra trás, pra desapegar. É luto também como qualquer outra coisa.


Ontem, pensando nisso, assisti o filme "Sob o sol da Toscana". A moça se separa e sofre muito até se redescobrir. Acredito que todos já passaram por estes momentos de transformações embaraçosas e complicadas. E todo mundo sempre se refaz. Por mais que você esteja agora sofrendo por isso, saiba que vai passar, é a única certeza que temos.


São as perdas. E são sim muito necessárias. Aprender a desapegar e deixar a vida fluir é abrir caminho pra que o Universo se manifeste em você. Perceba qual é a sua maneira de deixar a dor sair. Vale chorar, vale sofrer, gritar, entrar em pânico. Mas sabendo que no final, tudo vai acabar bem. Porque sempre acaba bem.




Andrea Pavlovitsch
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