Um olhar diferente sobre o bullying







Por Regina Bomfim

A definição de Bullying quase sempre expõe questões envolvidas na relação entre crianças, jovens e seus iguais levando o adulto a se ausentar por achar que é uma realidade fruto do mundo das crianças e adolescentes
.

Não podemos pensar que as hostilidades e toda sorte de desrespeitos ao outro tenha surgido do nada. Podemos perceber que o mundo adulto está repleto de toda sorte de intolerâncias. Não dá pra achar que as crianças são responsáveis por tudo que fazem - em especial, as coisas erradas.

Talvez seja este o motivo que este termo seja tão usado pelos adultos pelo olhar distanciado que ele pode nos induzir a ter do problema.

Uma criança que coloca apelido numa outra que está acima do peso ou que se acha no direito de bater num colega porque ele gosta de estudar ou porque perdeu num jogo, tudo isso é chamado de bullying.

Mas segundo a psicóloga Rosely Sayão, existe uma modalidade que ela chama de bullying de adultos. Ela relata que um dia ouviu uma mãe chamar sua filha de "anta" e dizer que ela só fazia coisas erradas, ouvindo também a garota responder com cara de choro, que tinha feito sem querer. A psicóloga mostra que esta atitude também é um tipo de bullying de efeito tão desvastador quanto o praticado por crianças e adolescentes.

Uma criança que é humilhada por alguém que não pode se defender  se encaixa muito bem nesta definição tratada.

Nas escolas, pais de alunos e professores têm praticado bullying . Nas salas de aula quase sempre tem os alunos que são eleitos os "bodes expiatórios". Se outros alunos sairem da carteira, incluindo o que mais faz bagunça, o que será chamado atenção será não o outro que saiu do lugar naquela hora, mas o que se agita com mais frequência. Ele é sempre chamado pelo nome, mesmo que outros estejam envolvidos. Os alunos sabem usar isso para se isentarem de culpa envolvendo sempre o que fica com o "rótulo" do mais bagunceiro.

As crianças acabam acreditando que há um colega que sempre causa problemas e reclamam com os pais que se unem a outros pais para falar mal da "criança-problema" pedindo providências da escola, e o aluno se torna a criança que todos querem "ver pelas costas" eos pais fazem abaixo-assinado para tirar da classe ou até da escola. Isso não é bullying?

 Escolher um bode-expiatório, essa atitude de "caça às bruxas", ainda é um vício, muito comum presente nas escolas, um automatismo às vezes gerado pelos anos de prática docente que generaliza ao invés de humanizar.

Infelizmente há professores que são capazes de fazerem observações grosseiras, irônicas desprimorando os alunos quando não estão participando com disciplina nas aulas.
 E como fica para o aluno que é visto como problema? Embora não seja falado abertamente, ele vai perceber no relacionamento com todos. Não deve ser muito agradável estar neste lugar do que é o ruim, do errado.

É importante ampliarmos o olhar sobre a questão do bullying vendo o que nós adultos contribuimos para gerar comportamentos de intolerância, ficando mais vigilantes, parando de ironizar, agredir, humilhar de modo direto ou velado nossas crianças e adolescentes.

Referência:
Rosely Sayão - Bullying de gente grande (Folha de São Paulo)

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