UM PAPO SOBRE ECONOMIA

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Será que para ter afeto, se sentir respeitado, você precisa abrir mão de si mesmo? Será que na economia dos sentimentos acaba sempre sendo um preço muito caro a ser pago?

Regina Bomfim



PREJUÍZOS NÃO FINANCEIROS: MAIS GRAVES!


Por Tânia Zagury

A conversa era entre pais. Hospedados num hotel trocavam experiências à mesa do café. Sentada à mesa vizinha não pude deixar de ouvir. Um deles contava com aquela expressão feliz de quem está orgulhoso, que os filhos (um rapaz de quinze anos e a menina de catorze) tinham ficado em casa por conta própria pela primeira vez. 


Preocupado, telefonara uns dias após a partida e soubera pela empregada que mal tinham dado as costas, o filho promovera uma superfesta! Claro; pensava que não chegaria ao conhecimento deles. Mas… O som e a farra – exacerbada por bebida e a alegria própria da idade -, ficaram tão excessivamente altos que os vizinhos se queixaram ao síndico pedindo providências. No auge da animação, o tecido do sofá fora danificado e vários objetos acabaram quebrados. Ele contava a história e ria a mais não poder… E, em tom de segredo, avisava a todos que não comentassem com a esposa, de quem sempre protegia as crianças, porque ela era "dureza". Acrescentou ainda que, quando ela ficava brava com os meninos, alertava-os para que ficassem fora de casa até as coisas se acalmarem. 

Bem, não sei o que o leitor pensa a respeito e, embora tenha sido engraçada a forma como contou o fato, fiquei pensando que os meninos deviam realmente adorar o pai – e ver a mãe como uma espécie de carrasco. Realmente ser a fada-madrinha é muito melhor do que ser a bruxa da historinha… Mas acima de qualquer coisa, pai e mãe devem formar uma dupla unida em prol da educação dos filhos.  

Mas parece que há sempre, na parelha, aquele que luta para ser o bem-amado, sem atinar que assim se desfaz a parceria e – mais grave: instala-se a mágoa em quem fica com a carga (o papel da bruxa), o que pode, em médio prazo, acabar até em separação. 
Mas, o pior é que quando o casal apresenta posturas divergentes, a dúvida se instala em quem está aprendendo a viver em sociedade e começando a compreender as regras que a regem. E assim, começam os prejuízos! Pense bem: se as pessoas a quem a criança mais confia lhe apresentam atitudes opostas, ambas lhe soam dignas de crédito. Então, em que direção acha que ela se inclinará? Para a que a deixa mais feliz. Claro! Criança é criança! Precisa, portanto, de quem a oriente; e nem sempre o mais prazeroso é o que nos compete fazer na vida. 

Ter opiniões ou posturas diferentes é natural; desautorizar o companheiro na frente dos filhos é que é problema. Pontos de vista opostos se resolvem com diálogo e acordos que contemplem equilíbrio e maturidade. Assim, prejuízos bem mais sérios do que sofás manchados e cinzeiros quebrados, poderão ser evitados. Afinal de contas, não somos pais somente para agradar a prole. Temos um compromisso com nossos filhos e com a sociedade, porque, no futuro, eles serão, em grande parte, o que hoje deles fizermos.
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Tania Zagury é filósofa, Mestre em Educação, Autora de "Educar sem Culpa"

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