Meios para justificar fins


Por Bia Machado
Quando pensamos "no que" fazer, colocamos o foco especialmente no resultado, e, assim retardamos o aparecimento de uma solução. É quando pensamos em "como" que destacamos os processos e, assim, abrimos nosso leque de oportunidades. O recado é da psicóloga Bia Machado, sócia da Faculdade da Imaginação", consultora que atua com base em conceitos como a importância dos processos e o autoconhecimento.

O GLOBO: Processo é hoje uma palavra mágica?
BIA MACHADO: Vamos pensar sobre o que é conhecido como "competências comportamentais": proatividade, saber ouvir, raciocínio complexo, criatividade etc. Para a maioria, são comportamentos visíveis, que, em tese levam a resultados. Mas ao focar em "o que", você olha para resultados ; só quando foca no "como", vê processos, vê processos (que leva a resultados). Líderes e equipes são treinados para dar resultados. Isso costuma dificultar a aprendizagem das competências: sabe-se o que é um líder, mas não se sabe como fazer para agir como tal. As pessoas não sabem que liderança não é ação específica, mas processo, com várias etapas.

* Nesse sentido, como o método Basadur pode ajudar?
BIA: O processo Basadur criado pelo professor Min Basadur, da McMaster University, no Canadá, é uma das ferramentas mais efetivas de trabalho em equipe e de inovação que conhecemos hoje no mundo corporativo. É uma "tecnologia de ponta" para a aprendizagem organizacional. Inclui um processo de resolução de problemas em quatro estágios, habilidades de pensamento, ferramentas e atitudes específicas para fazer o processo funcionar. Os quatro estágios do processo são busca deliberada de bons problemas para resolver, definição dos problemas e implementação das soluções.

* Pode dar exemplos de aplicação e de resultados?
BIA: Em exemplo descrito por Bin Basadur, um time de desenvolvimento de produto trabalhou por sete meses para otimizar a aparência de um novo sabonete, sem sucesso. Quando lhe pediram ajuda, a equipe trabalhou de manhã para redefinir o problema - não a aparência, mas o real desejo do consumidor, de performance superior. A tarde, gerou 200 soluções para a nova definição do problema "fora da caixa" e acabou inventando um sabonete que conseguiu a preferência do consumidor.

*Seu trabalho se baseia no autoconhecimento. Como ele leva à criatividade?
BIA: Para as empresas, o autoconhecimento pode representar a diferença entre ter sucesso ou falhar na construção de uma cultura de inovação. Se a pessoa se conhece, ela sabe como fazer, como aprender, como buscar o que precisa. Por muito tempo, o foco do aprendizado era quase só conteúdo. Hoje sabemos que cada um tem um modo particular de processar o aprendizado, um estilo próprio. Assim podemos completar uma equação básica para se obter resultados significativos na educação: conteúdo + processo + habilidades + técnicas e ferramentas + estilos pessoais.

Fonte: Jornal O Globo - Caderno Boa Chance/ Seção Click! (pág 8, 11/12/2011)

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