A PRINCESA DA ÁGUA DA VIDA: UMA HISTÓRIA DA TRADIÇÃO SUFI



Homenageando todas as culturas de transmissão oral de conhecimento, que possamos desenvolver nossa imaginação, reencenando dentro de nós aqueles tempos longíquos ao redor da fogueira sob o céu estrelado ouvindo histórias. O encanto de ler ou ouvir uma história, suponho que atravessa todas as culturas.

Para todos nós Príncipes e Princesas da Água da Vida que possamos não nos impressionar com as calamidades que nos acontecem e seguirmos os caminhos que nos competem. O blog PSICOLOGIA EM FOCO deseja um Natal de muita Paz e um 2017 que sejamos vigorosos e incansáveis frente ao que o novo ano nos traz e assim colhermos as alegrias do caminhho que certamente nos estão reservadas! Espero que gostem...


Era uma vez, quando não havia tempo, no País do Lugar Nenhum, uma pobre garota chamada Raida, que vivia solitária em uma pequena cabana.

Um dia, caminhando pelo bosque, Raida viu que um enxame de abelhas havia abandonado sua colméia, e decidiu recolher o mel.

"Levarei este mel ao mercado e o venderei. Com o dinheiro que conseguir procurarei melhorar minha vida", disse para si mesma.

Raida correu para casa e voltou com um pote, enchendo-o de mel. ela não sabia,  no entanto, que a causa de sua pobreza era um gênio maléfico que tentava por todos os meios impedir que ela tivesse êxito em qualquer coisa.

O gênio acordou quando alguma coisa lhe disse que Raida estava começando a fazer algo de útil. ele correu ao lugar onde ela se encontrava com a intenção de causar-lhe problemas. Logo que viu Raida com o mel o gênio se transformou em um galho de árvore e empurro seu braço, de maneira que o pote caiu e se quebrou, entornando todo o mel. O gênio, ainda sobre a forma de um galho, ria-se de satisfação, balançando-se de um para outro lado.

"Isso a deixará furiosa!", disse para si mesmo.

Mas ela apenas contemplou o mel e pensou:
"Não importa, as formigas vão comer o mel, e talvez algo surja disso."

Raida tinha visto uma fileira de formigas cujas exploradoras já estavam experimentando o mel para ver se lhes seria úitl. Quando começou a atravessar a floresta, no caminho de volta para sua cabana, Raida notou que uma cavalo estava vindo em sua direção.

Quando estava apenas a alguns metros dela, o homem levantou o chicote displicentemente e, ao passar, bateu num galho. Raida viu que era uma árvore de amoras, e que o gole tinha feito com que frutas maduras caíssem no chão. Ela pensou:
- Boa ideia. Recolherei as amoras e as levarei ao mercado para vendê-las. Talvez algo surja disso."

O gênio a viu juntando as frutas e riu-se por dentro. Quando ela terminou de encher seu cesto ele se transformou em um burro e a segiu silenciosamente pelo caminho que levava ao mercado.

Quando Raida se sentou para descansar, o gênio sob a forma de burro, aproximou-se esfregaando o focinho em seu braço. Raida bateu-lhe o focinho, e então de repente a horrível criatura se jogou sob o cesto de amoras, esmagando-lhes até a polpa. O suco espalhou-se pelo caminho, e o falso burro afastou-se galopando alegremente entre os arbustos.

Raida olhos para as frutas com desânimo. No momento no entanto a rainha estava passando ali, a caminho da capital.
- Detenham-se imediatamente! - ordenou aos carregadores da liteira. - Essa jovem perdeu tudo. seu burro esmagou as frutas e fugiu. ela estará perdida se não a ajudarmos.

Assim foi que a rainha convidou Raida a subir na sua liteira, e rapidamente se tornaram amigas. a rainha deu uma casa a Raida, e logo ela se converteu em uma próspera comerciante, por seus próprios méritos.

Quando o gênio viu como as coisas estavam indo bem para Raida, deu uma boa examinada na casa para ver o que poderia fazer para arruiná-la. Ele percebeu que todas as mercadorias eram guardadas em um armazém atrás da casa. De modo que botou fogo na casa o no armazém, que se queimaram até até os alicerces em menos tempo do que se leva para contar.

Raida saiu da casa correndo quando sentiu o cheiro da fumaça, e contemplou as ruínas com pesar. então percebeu que uma fila de pequenas formigas estavam se formando. elas carregaram grão a grão sua reserva de milho, que estivera embaixo da casa, para outro local de maior segurança. Para ajudá-las Raida ergueu uma grande pedra que cobria o formigueiro, e debaixo dela vrotou uma fonte de água. enquanto Raida a experimentava as pessoas da cidade iam se juntando à sua volta, exclamando:
- A água da Vida! Isto é que foi profetizado!

Elas contaram a Raida como havia sido profetizado que, um dia, depois de um incêndio e de muitos desastres, uma fonte seria encontrada por uma jovem que não se afligia com as calamidades que lhe aconteciam. Esta seria a última fonte da vida.

E foi assim que Raida se tornou conhecida como a Princesa da Água da Vida, da qual até hoje é a guardiã. Essa água pode ser bebida para dar imortalidade àqueles que a encontram, por não se impressionarem pelas calamidades que lhe possam ocorrer.

Do livro: Histórias da Tradição Sufi - Rio de Janeiro: Edições Dervish - Instituto Tarika, 1993.



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