JANEIRO BRANCO: MÊS DA SAÚDE MENTAL, SAÚDE MENTAL SEMPRE

Recebi este GIF via Whatsapp, espero que funcione na sua mídia
Falar de saúde mental é compreender que esta é, sem medo de ser audaciosa em minha posição, o território, o recurso natural, a tecnologia mais valiosa da existência que cabe ao ser humano explorar. Como ainda somos estrangeiros dentro de nós mesmos, apesar dos  importantes avanços que somos capazes de criar. 

As perspectivas de crescimento dos transtornos mentais e seus inegáveis danos à saúde e à produtividade por cada vez mais incapacitarem ao trabalho e ao desfrutar da vida, torna-se cada vez mais algo que não mais pode ser ignorado, daí a iniciativa de transformar o mês de Janeiro no mês da Saúde Mental -  JANEIRO BRANCO.

Em muitas ocasiões o PSICOLOGIA EM FOCO falou sobre o quanto se tornou insustentável manter a separação corpo e alma - O penso, logo existo de Descartes, somado a todos os pensadores que forjaram a estrutura e o funcionamento do Ocidente, tem se mostrado ineficaz ao longo dos anos para dar conta da comp…

Maria Alice Setubal: Os muros visíveis e invisíveis das escolas



Fonte: folha de São Paulo 


Como tornar São Paulo uma cidade mais humana, acolhedora, educadora e sustentável? A quarta edição da pesquisa Irbem (Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município) revela que 82% dos moradores estão insatisfeitos com a qualidade de vida em São Paulo e mais de 90% acham a cidade insegura.


Não há dúvida de que o bem-estar da população e a sensação de segurança estão intrinsecamente relacionados com a apropriação dos espaços públicos por parte da população e do poder público, que se refletirá na ampliação das oportunidades de lazer, cultura, educação, fruição estética e relações humanas, para citar alguns dos 25 temas considerados pela Irbem.

Transformar a cara e a alma da cidade é tarefa de todos e, como educadora, creio que abrir as escolas para a cidade, rompendo seus muros e integrando-as aos espaços coletivos, poderá tornar mais tangível essa função. Tanto as escolas como as demais instituições podem ressignificar e valorizar esses espaços, com projetos que contribuam para a maior vinculação e pertencimento do paulistano à cidade.

É interessante notar que, apesar do número alarmante de depredações de equipamentos públicos na cidade, o metrô constitui-se uma exceção, conservando-se em espaço limpo, bonito e educativo, que as pessoas respeitam e cuidam.

Por outro lado, a população de maior vulnerabilidade social vive em territórios onde todo o entorno --rua, bairro, escola-- parece improvisado, descuidado, sem qualidade e feio. São espaços que deseducam. Como exigir que as pessoas cuidem de espaços abandonados pelo poder público e onde elas se sentem desrespeitadas?

Como exigir da escola a missão de formar cidadãos, se tudo no entorno reforça o contrário? A educação, para se efetivar, não deve se restringir aos bancos da escola. É um direito a ser garantido ao cidadão ao longo de sua vida, não somente no período escolar.

Para a efetivação desse direito e ampliação das oportunidades, é necessário fazer com que a educação ocupe os espaços públicos, dando vida e ativando sua função educativa.
A cidade de São Paulo possui inúmeros equipamentos culturais, sociais e recreativos, que podem e devem se alinhar com as escolas. Embora as periferias careçam de bibliotecas, parques, clubes e centros culturais mantidos pelo município, há nesses territórios os trabalhos de ONGs e coletivos com grande potencial de alinhamento com a escola.

A concretização dessa nova concepção de educação não pode ser responsabilidade exclusiva das escolas, entretanto a Secretaria de Educação e o prefeito têm o papel fundamental de garantir as condições adequadas para a transversalidade das políticas em torno da área.
Quando, de um lado, as crianças e jovens, junto com seu professor, têm a possibilidade de fazer uma intervenção em seu bairro, sentindo-se parte dele; e de outro lado, o poder público favorece a integração de todos os bairros à cidade, temos uma possibilidade concreta de formação para cidadania.

A comemoração dos 459 anos de São Paulo é uma excelente ocasião para unirmos esforços para ampliar a formação cidadã, promover os espaços educativos da cidade e construirmos um ambiente com melhor qualidade de vida para todos.
MARIA ALICE SETUBAL, doutora em psicologia da educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, é presidente dos conselhos do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária e da Fundação Tide Setubal

Comentários