As sabotagens da mente - Só 20% das pessoas alcançam seu potencial, diz o autor do livro Inteligência Positiva.





Nossa mente pode ser nossa amiga ou inimiga, afirma Shizard Chamine, autor do livro Inteligência positiva (Ed. Fontanar).. Apenas 20% das pessoas e equipes alcançam seu verdadeiro potencial. A culpa é dos sabotadores "invisíveis" da mente humana que frequentemente estariam impedindo a realização pessoal e profissional.


Chamine que é presidente do CTI, uma organização mundial de treinamento de coaches é criador do conceito de inteligência positiva, por meio do qual, segundo ele, é possível medir a percentagem de tempo em que a mente funciona a favor ou contra o indivíduo.

Um Quociente de Inteligência Positiva (QP) alto, por exemplo, pode levar a melhores salários, maior projeção na carreira de acordo com estudos que testaram mais de 275 mil pessoas. Chamine ainda demonstra que vendedores com QP alto vendem 37% mais que colegas com QP menor.

Ainda mais: o desenvolvimento da Inteligência positiva daria ao indivíduo uma consciência de que dispõe de muito mais tempo útil do que imagina e que ser multitarefa não é tão bom quanto o mercado nos leva a crer.

SER MULTITAREFA PODE NÃO SER TÃO BOM COMO SE FALA
- O cérebro gasta muita energia no início de uma tarefa antes de conseguir se concentrar realmente nesta tarefa. Ficar indo e voltando faz com que o cérebro pague um preço de também não aprender a se concentrar em nada completamente. Há muita energia sendo gasta desta forma - Diz Chamine em entrevista por e-mail ao Boa Chance.

Chamine desenvolveu dois testes (www.globo.com.br/boachance): primeiro ajuda o indivíduo a medir o seu QP - uma pontuação de 75%, indica que o indivíduo usa sua mente 75% a seu favor e o sabota em 25%. Outro teste identifica, os tais sabotadores da mente - dez ao todo. O crítico, o insistente, o prestativo, o hiper-racional, o hiper-vigilante, hiper-realizador o inquieto, o controlador, o esquivo e a vítima. Mecanismos invisíveis que interferem no modo como reagimos as coisas. Eles estariam em todas as pessoas, cada um de forma mais ou menos forte, influenciados pela cultura local.
- Existem variações culturais como de gênero onde estas características se mascaram. Exemplo: nos Estados \unidos os homens são encorajados a serem hiper- racionais. No Japão as mulheres são encorajadas a serem prestativas. A cultura local dificulta a percepção de que estes comportamentos tendem a ser sabotadores.

- As técnicas para mudar um sabotador são de domínio mental e não são influenciadas nem pelo tipo de sabotador, nem pela cultura a que pertence o indivíduo.

Mesmo com a apresentação de técnicas, processo de mudança não costuma ser fácil, diz Yasushi Arita, presidente da Arita Treinamentos especializada em desenvolvimento pessoal e profissional. Arita usa o conceito de "inteligência emocional" popularizado na década de 90 por Daniel Goleman.

GOSTAR DO QUE FAZ É IMPORTANTE
Para alterar alguns comportamentos, acredita Arita, é preciso gostar do que se faz.
- Sempre é possível melhorar.Quanto mais gosta do que faz você sempre vai desejar melhorar como profissional - afirma o coach que acha que livros como 'Inteligência positiva" podem ser úteis para ajudar o profissional a se conhecer melhor - Mas a mudança é tarefa de cada um.

O CÉREBRO CRIA PADRÕES O QUE ACABA POR INIBIR A CRIATIVDADE - CONHECENDO SEUS "PONTOS CEGOS" , PROFISSIONAL PODE MELHORAR
Segundo Chamine, o aumento da inteligência positiva pode contribuir para resignificar a questão da falta de tempo tão alegada no mundo do trabalho contemporâneo vendo o mesmo como um problema não tão grave.

Quando o QP fica alto, pessoa nota que estava gastando sua energia com sabotadores. Eles enganam, pois acabam demonstrando que o desperdício de tempo era de fato o causador de todas as dificuldades, dando uma falsa visão de eficiência.

Guilherme PIletti, diretor da Whatever da Perestroika, escola de atividades criativas que oferece cursos como "Gestão do tempo" e "New ways of thinking" acha que é preciso conhecer sobre o tempo para render mais.
- Quem procura entender o uso do seu tempo costuma render mais. O posicionamento em relação ao tempo também interfere: o profissional diante do aumento de tarefas pode achar positivo ou usar isso para se afundar - diz Piletti.

MERCADO NÃO ACEITA GÊNIOS INDOMÁVEIS
O diretor da Perestroika associa as ideias do autor de "Inteligência positiva" ao fato de que sempre o cérebro busca padrões.
- O cérebro busca padrões e acaba por produzir automatismos como se ficasse viciado em fazer tudo sempre igual, o que impede a criatividade de ser vivida de modo mais fluente chegando a soluções inovadoras, já que soluciona os problemas que aparecem sempre do mesmo modo.

A coach e consultora de carreiras Waleska Farias diz, que em todos os atendimentos que realiza a preocupação é sempre comportamental.
- Em 99% das demandas dos profissionais e dos executivos as condições emocionais são o foco e não as técnicas - afirma Waleska que trabalha com as técnicas de inteligência positiva de Chamine - É uma tendência de mercado. As pessoas estão vendo que são o que acreditam ser.

Neste contexto de valorização das competências comportamentais, Waleska diz que as empresas hoje preferem trabalhar com profissionais medianos do que com gênios indomáveis.
- Por este motivo, buscar o autoconhecimento é fundamental. Saber dos seus entraves e trabalhar para melhorá-los.

Assim é possível aumentar o coeficiente de inteligência positiva. Chamine explica que o nível não é alterado por condições externas como uma promoção ou um casamento.
- A única forma de alterar permanentemente o estado de felicidade de uma pessoa é por intermédio do seu QP. São as transformações que o indivíduo constrói dentro de si mesmo não dependentes do que acontece no mundo exterior através da riqueza e sucesso. A boa notícia é que maiores QP irão automaticamente, resultar em melhores performances, mais dinheiro e mais sucesso - diz o autor, enfatizando que o contrário não é o verdadeiro - trata-se de trazer a sua mente para o seu comando ao invés de deixar que sabotadores assumam o controle.

Inteligência positiva
OS DEZ SABOTADORES

Críticos: É o principal sabotador, diz o autor. É o que vê defeitos em si mesmo, nos outros e nas circunstâncias o que causa decepção, arrependimento, raiva, culpa, vergonha e ansiedade.

Insistente: Perfeccionismo e necessidade de ordem e organização levadas ao extremo nesse sabotador. Altamente sensível a críticas, além de ser crítico de si e dos outros.

Prestativo: Observa-se pelas tentativas indiretas de conseguir aceitação e afeição por meio de ajuda, agrado ou elogio a outrem. Grande necessidade de ser amado e acaba deixando de lado os próprios desejos.

Hiper-realizador: Competitivo e atento à imagem e ao status. Valoriza o sucesso externo e por isso acaba virando um workaholic com a perda de relacionamentos mais profundos.

Vítima: Usa o estilo emocional e temperamental para ter a atenção dos outros. Tendência a se sentir o mártir. Pensamentos como "ninguém me entende" costumam acontecer sempre.

Hiper-racional: Pode ser visto como insensível, distante e arrogante  por causa do excessivo foco na racionalização de tudo. Forte tendência para o ceticismo e o debate. Sente-se frustrado pelos outros serem emocionais e irracionais.

Hipervigilante: Sempre foca no que poe dar errado Apresenta ansiedade contínua e intensa.. Está o tempo todo atento, ansioso e com expectativa constante sobre contratempos e riscos.
Inquieto: A eterna busca por novidade o caracteriza e procura estar constantemente ocupado. Raramente fica satisfeito com a atividade do momento.

Controlador: Necessidade de assumir responsabilidades e de não delegar. É competitivo, confrontador e direto.

Esquivo: Excessivamente positvo, porém sem base. Foge de tarefas e conflitos desagradáveis. Diz sim para coisas que, na verdade não quer.

Referência: Boa Chance - O Globo

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