COMO?

Como você está se sentindo? Sabe que esta pode ser uma senha de acesso para o seu mundo interno? Decidir desenvolver esta atenção no seu cotidiano pode ajudar a se conhecer melhor. Muitas vezes sabemos o PORQUE de algo que nos ocorre, mas isso em muito pouco ou quase nada contribui para a mudança. Já percebeu que as coisas que fazem mudar foram aquelas que tomaram o seu corpo inteiro? É assim com você?

Sabia que para ter um blog considerado relevante, leia-se, bem posicionado nos mecanismos de pesquisa até a quantidade de palavras conta? É preciso um post com mais de 100 palavras para ser visto. Eu escrevo o que sinto que devo escrever. Pode ser além ou aquém...

Existe um conjunto de técnicas de impulsionamento denominadas SEO que são procedimentos para melhorar o ranqueamento do seu blog/site. Se o meu blog vir a ser um dia bem posicionado não será tanto por estes métodos que são até bastante  instrutivos. costumo fazer algumas pesquisas, mas não levo muito à sério. 

Na verdade, meu blo…

PODE SER TUDO




 

Por Daniel Galera


[1] Nunca me reproduzi, mas alguns de meus melhores amigos fizeram, de modo que sou padrinho de dois piás e uma menina. Recentemente fui comprar um tênis de presente para a mocinha, que ia fazer três anos. Queria um par de cor azul ou amarela, mas cometi o erro de mencionar de mencionar o sexo da criança para o atendente, que me mostrou uma dúzia de modelos cor-de-rosa ou com estampa de onça ou zebra. Escolhi um All- Star vermelho e ele me preveniu: esse é de menino. Perguntei se encaixava em pé de menina também. Ele disse que sim e mandei embrulhar. Tempos atrás meu afilhado mais velho, que adora desenhar e tem sensibilidade e memória incomum para cores, foi informado por uma professora da escolinha que sua cor favorita, o rosa, não era cor de menino. Agora ele tem outra cor favorita.


[2]Meses atrás a revista novaiorquina "n+1" publicou um ensaio intitulado " O que você deseja?" - http://nplusoemag.com/what-do-you-desire). A autora Emily Witt, viajou a São Francisco para acompanhar as filmagens de um vídeo pornográfico da série "Public Disgrace", cujo nicho é o do sexo hardcore com mulheres amarradas e castigadas em público. Para além das descrições minuciosas e pitorescas dos bastidores de uma produção do gênero o ensaio traz reflexões interessantes sobre os hábitos e ideologias do "povo do Google", uma jovem geração radicalmente a favor da expressão individual e contra todo tipo de norma de conduta, defensora do poliamor psicodélico e enfeitiçada pelos profetas da singularidade, mas ao mesmo tempo curiosamente alheia ao narcisismo e à alienação que andam de mãos dadas com a hiperconectividade e à ética por vezes confusa que vem atrelada ao consumo desenfreado das novas tecnologias digitais. Uma geração que, de acordo com Witt, "se esbalda, com um senso equivocado de agência política, em delícias de consumo produzidas por uma desigualdade jamais vista." Witt também faz um contraponto lúcido entre o universo da pornografia extrema e suas próprias experiências afetivas e sexuais. O sexo nos vídeos amplia as possibilidades mas também as expectativas. "Agora a liberdade sexual alcançou pessoas que nunca quiseram abandonar as velhas instituições, a não ser para prestar solidariedade aos amigos que queriam. Nunca busquei ter muitas escolhas, e no período em que a liberdade sexual foi munha única possibilidade, fui infeliz." O tema abre questões difíceis. Cada um deve fazer o que bem entender de sua sexualidade. Mas é aceitável, do ponto de vista ético, explorar comercialmente os anseios trazidos por essa nova liberdade? Existe algum limite - nos âmbitos privado, publico, comercial - para o racismo, a misoginia ou a brutalidade praticada mediante consenso inequívoco de todos os envolvidos?

[3] A medida que a liberdade individual e o respeito às diferenças se tornam valores cada vez mais presentes em nossa vida privada, social e política, precisamos prestar atenção ao tipo de ideologia  que esta liberdade está ensejando. Esta é também uma questão pedagógica. A normatividade excessiva no ambiente educacional e familiar pode ser opressora, o que é evidente  quando as normas reforçam comportamentos como a violência e o machismo (algumas normas de conduta são inócuas e podem até ser benéficas - precisamos de balizas, nichos de pertencimento).  A cor favorita de um pirralho é o tipo de coisa em que já tínhamos que ter aprendido a não intervir. Mas tenho dúvidas sobre até que ponto impôr  a ideologia do "seja o que bem entender/ não existem padrões" pode melhorar a vida das crianças e das pessoas em geral. Para isso também existe um limite que, se ultrapassado, pode provocar sofrimentos e pressões injustas. Todo mundo vai sofrer um pouco ou sempre, em todos os tempos  e lugares, por causa do que é. O crucial me parece ser outra coisa: a nossa relação com esse sofrimento. Sendo compartilhado por todos, ele é a chave para reconhecer, compreender e aceitar os outros. Liberdade e direitos não garantem felicidade e realização pessoal. O preço de não entender isso é a vitimização. A liberdade para ser o que quiser não pode vir acompanhada da filosofia do "eu mereço", do "eu tenho direito", do "eu posso". Tampouco podemos  podemos confundir liberdade e respeito por uma pressão social por ser autêntico, diferente múltiplo, independente, aberto a tudo sempre, livre sem descanso. É muito fácil que as coisas descambem para um ou outro autoritarismo existencial, do mesmo tipo que em gerações recentes, carregados em lemas como "você quer, você pode" e o "mundo está à sua espera", produziu legiões de narcisistas incapazes de se comprometer com nada, crentes de que têm direito a tudo e que qualquer manchinha naquilo que entendem como liberdade é umopressão injusta e pessoal algo que alguém, em algum lugar, deveria estar resolvendo.

fonte: O globo

Regina Bomfim - Psicóloga
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