JANEIRO BRANCO: MÊS DA SAÚDE MENTAL, SAÚDE MENTAL SEMPRE

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Falar de saúde mental é compreender que esta é, sem medo de ser audaciosa em minha posição, o território, o recurso natural, a tecnologia mais valiosa da existência que cabe ao ser humano explorar. Como ainda somos estrangeiros dentro de nós mesmos, apesar dos  importantes avanços que somos capazes de criar. 

As perspectivas de crescimento dos transtornos mentais e seus inegáveis danos à saúde e à produtividade por cada vez mais incapacitarem ao trabalho e ao desfrutar da vida, torna-se cada vez mais algo que não mais pode ser ignorado, daí a iniciativa de transformar o mês de Janeiro no mês da Saúde Mental -  JANEIRO BRANCO.

Em muitas ocasiões o PSICOLOGIA EM FOCO falou sobre o quanto se tornou insustentável manter a separação corpo e alma - O penso, logo existo de Descartes, somado a todos os pensadores que forjaram a estrutura e o funcionamento do Ocidente, tem se mostrado ineficaz ao longo dos anos para dar conta da comp…

ALÉM DO ÓBVIO



Dificuldades relacionadas à esfera sexual nem sempre giram em torno de desinteresse, desprazer ou falta de desempenho

Por Carmita Abdo

Na virada de 2014-2015 num período de festas universais, mas difícil para nossa economia, vale refletir sobre exageros, excessos e descontrole. Ser compulsivo por compras, jogo, trabalho, sexo são outras que também oneram.


DURANTE A MAIOR PARTE do ano que se finda, refletimos sobre os mais diversos aspectos da comportamento sexual, enfocando especialmente o que falta e menos o que excede. Contudo, dificuldades relacionadas à esfera sexual nem sempre giram em torno de desinteresse, desprazer ou falta de desempenho. Para um importante segmento da população (dezenas de milhões em todo mundo), a prática sexual desperta interesse exacerbado prejudicando todas as outras atividades do dia a dia, inclusive o trabalho. São pessoas que pensam e fazem sexo inúmeras vezes em curto espaço de tempo, impulsionado pela necessidade de abrandar uma inexplicável sensação de desconforto e inquietação irredutível senão pelo sexo.



Sem controle sobre seus desejos, caso tentem evitar o ato sexual, entram em um estado de crescente ansiedade, cuja única alternativa é a repetição. Cientes do exagero na maioria das vezes, bem como os prejuízos que podem acarretar a si próprios, não têm domínio sobre isso.
Na primeira fase dessa busca desenfreada por sexo, predominam os pensamentos eróticos, quando o campo de consciência se estreita, dominado por ideias sexualmente estimulantes. A segunda fase caracteriza-se pela ritualização, na qual se desenvolve um roteiro de ideias e atitudes para aumentar a excitação. A gratificação sexual compete à continuidade do processo. Atingido o clímax de prazer, segue-se desespero, impotência e remorso. Mas logo o ciclo de reinicia porque a ansiedade vence a culpa.

Como consequência de toda essa necessidade sexual, um(a) só parceiro(a) torna-se insuficiente, o que leva o compulsivo a procurar outros(as) e mais outros(as), chegando ao descaso com o trabalho e os compromissos sociais, por absoluta falta de tempo e energia, por desgaste emocional e físico. Problemas financeiros, depressão, doenças sexualmente transmissíveis são outros prejuízos. conforme o quadro evolui, maior número de atos sexuais são exigidos para o mesmo nível de satisfação.



Banhos demorados, verificar repetidamente se as portas estão trancadas, organização exagerada, ideias que "não saem da cabeça", depender de drogas, comer/beber em exagero, ficar horas a fio preso a sites eróticos ou fazendo exercícios físicos, entre outros vícios, podem ou não acompanhar o quadro. Tais manifestações começam discretas no final de infância ou no início da adolescência e vão se intensificando até se tornarem insuportáveis e indisfarçáveis

Vale esclarecer que compulsão sexual tem tratamento por meio de medicamentos associados à psicoterapia. Os resultados são tanto melhores quanto mais cedo se inicia a terapêutica e quanto mais decidida em se tratar estiver a pessoa.

Esse texto talvez tenha, até aqui esclarecido dúvidas gerais ou pontuais.Talvez pouco tenha acrescentado ao seu conhecimento. Contudo, foi necessário ser especialista e sucintamente didática, para - em pouco mais de três mil caracteres - abranger o formal sobre o assunto. Descrição técnica e fria, como todas as que, para serem serem científicas se baseiem em indispensáveis evidências. Nada contra.

"Quente", no entanto, teria sido provocar o preconceito que nos impede de enxergar além do óbvio. Além do óbvio, está a universal fragilidade humana, ainda que mais exuberantemente evidente em uns que em outros de nós.

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