JANEIRO BRANCO: MÊS DA SAÚDE MENTAL, SAÚDE MENTAL SEMPRE

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Falar de saúde mental é compreender que esta é, sem medo de ser audaciosa em minha posição, o território, o recurso natural, a tecnologia mais valiosa da existência que cabe ao ser humano explorar. Como ainda somos estrangeiros dentro de nós mesmos, apesar dos  importantes avanços que somos capazes de criar. 

As perspectivas de crescimento dos transtornos mentais e seus inegáveis danos à saúde e à produtividade por cada vez mais incapacitarem ao trabalho e ao desfrutar da vida, torna-se cada vez mais algo que não mais pode ser ignorado, daí a iniciativa de transformar o mês de Janeiro no mês da Saúde Mental -  JANEIRO BRANCO.

Em muitas ocasiões o PSICOLOGIA EM FOCO falou sobre o quanto se tornou insustentável manter a separação corpo e alma - O penso, logo existo de Descartes, somado a todos os pensadores que forjaram a estrutura e o funcionamento do Ocidente, tem se mostrado ineficaz ao longo dos anos para dar conta da comp…

A máscara da alegria

Por Regina Bomfim

Transformar, resistir é um processo que exige "olhar de frente". Transformar, resistir à dor significa assumir que ela existe ao invés de dizer que ela não está presente. Assumir que a dor existe é meio caminho para superá-la.

Quando dizemos que a dor não está ali, optamos pela fuga - a fuga é uma transformação, uma capacidade de resistência "imaginária" que tem curta duração por não sobreviver ao teste de realidade das situações adversas diferentes ou semelhantes que aparecem. O engraçado é que a vida tem a capacidade de nos colocar em situações que mesmo tendo "cenários diferentes" se parecem entre si. É como o caso das mulheres que se dizem com "dedo podre" pra arranjar namorado, pois sempre aparecem uns "caras" que só estão por exemplo, interessados em sexo ou só o tipo "cafageste" que só quer se aproveitar do dinheiro. Quem nunca ouviu ou viveu uma situação onde a impressão que se tem é de andar em círculos?

Sair do sofrimento é uma habilidade a ser aprendida. E não é nada fácil. À medida que o indivíduo entender como "ele funciona", se sentirá capaz de abreviar cada vez mais sua permanência nesse lugar tenebroso, não porque é um herói, mas porque ao enfrentar e descobrir o seu ritmo de assimilação e enfrentamento da situação ganha uma resistência cada vez  maior baseada não na fuga ou na "obrigação de ser perfeito", mas na capacidade constante de aprender sobre si mesmo usando e aprimorando seus recursos.

Assumir as limitações é aceitar-se humano, percebendo que só tem valor a alegria que é legítima, porque foi "lapidada" pela inteligência do indivíduo. A alegria artificial é filha do autoengano pois se apoia na fuga em suas mais diversas formas - do grau ameno (mentiras, racionalizações etc) ao grau mais complexo (álcool, drogas ilícitas, uso abusivo de psicofármacos...). A presença da psicologia se faz no momento em que o indivíduo percebe-se no momento, fragilizado para levar adiante esse processo sozinho.

Transformar, resistir à dor é um desafio que essencialmente exige de nós humildade, uma palavra tão carregada de valores religiosos, mas que apenas representa a capacidade de reconhecermos os nossos limites para usarmos adequadamente nossas forças e enfrentarmos as diferentes situações que a vida nos convida a superar.

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