JANEIRO BRANCO: MÊS DA SAÚDE MENTAL, SAÚDE MENTAL SEMPRE

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Falar de saúde mental é compreender que esta é, sem medo de ser audaciosa em minha posição, o território, o recurso natural, a tecnologia mais valiosa da existência que cabe ao ser humano explorar. Como ainda somos estrangeiros dentro de nós mesmos, apesar dos  importantes avanços que somos capazes de criar. 

As perspectivas de crescimento dos transtornos mentais e seus inegáveis danos à saúde e à produtividade por cada vez mais incapacitarem ao trabalho e ao desfrutar da vida, torna-se cada vez mais algo que não mais pode ser ignorado, daí a iniciativa de transformar o mês de Janeiro no mês da Saúde Mental -  JANEIRO BRANCO.

Em muitas ocasiões o PSICOLOGIA EM FOCO falou sobre o quanto se tornou insustentável manter a separação corpo e alma - O penso, logo existo de Descartes, somado a todos os pensadores que forjaram a estrutura e o funcionamento do Ocidente, tem se mostrado ineficaz ao longo dos anos para dar conta da comp…

ÁLCOOL NAS UNIVERSIDADES: UMA ATENÇÃO NECESSÁRIA


Por 
​Thiago Nassa​
Resultado de imagem para ALCOOL NAS UNIVERSIDADESO ingresso numa faculdade é um dos momentos mais esperados pelos jovens brasileiros. É uma fase de transformação e amadurecimento. Mas será que todos os recém-universitários estão preparados para isso? Muitos se perdem no meio do caminho, pois acham que podem fazer de tudo.


O álcool e as drogas são os grandes vilões dos alunos. O aumento do consumo, em muitos casos, parece fazer parte do ambiente universitário, às vezes dentro da faculdade, ás vezes nas repúblicas e, à vezes, nas famosas festinhas.

Visando melhorar este quadro, o Departamento de Neurologia e Psiquiatria da Unesp, campus de Botucatu, mantém o programa "Viver Bem", que traz um levantamento sobre a rela situação dentro da universidade e aponta possíveis soluções para o problema.

O programa teve início em 1997 e surgiu de uma proposta feita pelo Conselho de vice-diretores da UNESP- CONVIDUNESP em uma reunião realizada no mês de novembro daquele ano na Faculdade de Medicina, campus de Botucatu. Naquela ocasião, a partir de uma exposição feita pelos vice-diretores sobre a preocupação existente nas várias Unidades da UNESP relacionada com o consumo de álcool e drogas por parte de alunos de graduação e funcionários, chegou-se à conclusão que o problema deveria ser encarado pelas administrações universitárias de uma maneira profissional e técnica.

O programa é coordenado pela Profa. Dra. Florence Kerr-Corrêa, da disciplina de Psiquiatria do Departamento de Neurologia e Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Botucatu, profissional que trabalha na área de dependências químicas.

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Diagnóstico do problema

Para construir o levantamento sobre a real situação do problema na UNESP, foi elaborado um questionário que abordava o uso de álcool, drogas e condições de saúde dos alunos de graduação da UNESP, composto por 161 questões, baseadas em um questionário proposto pela Organização Mundial de Saúde para detecção precoce do uso de álcool e drogas, acrescido de outras questões, que somadas possibilitariam saber a situação de risco para outras patologias clínicas e psiquiátricas, além de dados sobre condições econômicas e sociais desses alunos.

A análise dos resultados da pesquisa entre os universitários mostrou que esses alunos provêm principalmente de classes A ou B, seus pais têm nível universitário, incluindo as mães, em mais de 50% deles. "No entanto, cerca de 10 provêm de camadas menos favorecidas da população; aproximadamente 50% moram com amigos, em repúblicas, e apenas 5% em moradias estudantis", conta Florense.

Além disso, cerca de 67,2% não trabalham e, dos que têm remuneração, a receita é proveniente de bolsas de estudo em percentagem semelhante para rapazes e moças (20,3%). "Os que experimentaram alguma droga na vida (sem prescrição médica) estão m torno de 43,5% deles, sem considerar álcool e tabaco. Perto de 27,1% dos estudantes experimentaram drogas antes de entrar para a faculdade e outros 16,4%, após iniciar a faculdade", revela.

O uso mais intenso ocorreu entre 21 e 25 anos, entre o segundo e terceiro anos principalmente. "Nos últimos 30 dias, as drogas ilegais mais utilizadas tinham sido maconha (14,9%), inalantes (11,3%), cocaína (2,9%), alucinógenos (2,7%), ecstasy (0,6%) e crack (0,5%). "Das drogas legais (bebidas alcoólicas), foram consumidas por 74,4% dos alunos no último mês e 30% bebiam mais de uma vez por semana", conta a autora da pesquisa.

O levantamento apontou ainda que cigarros (tabaco) são fumados diariamente por 11,3% dos estudantes da área Biológica, 9,4% dos estudantes da área de Exatas e 11,9% dos estudantes da área de Humanidades.

"Todas as drogas são mais consumidas por homens, com exceção de medicamentos para emagrecimento (anfetaminas) e tranquilizantes. Drogas e álcool são utilizados principalmente nas repúblicas e com amigos. Além disso, mais de 42,3% dos alunos não fazem uso regular de preservativos nas relações sexuais. A maioria (64,4%) não acha que tem risco de adquirir Aids, e cerca de 10,8% acha que não sabe o suficiente sobre prevenção de Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis", afirma Florence.

A pesquisadora também faz uma comparação com o problema instalado nos EUA. "A freqüência do uso de drogas, apesar de preocupante, é inferior à norte-americana. No entanto, o uso de álcool é semelhante e torna-se, de longe, o problema mais importante a ser enfrentado", explica. "Além disso, o acompanhamento das pesquisas sobre tendências no uso de álcool, nos EUA, permite acreditar que é possível influenciar e modificar o comportamento, principalmente quando se visa a moderação em vez da proibição", complementa.

A principal conclusão foi que seria importante iniciar um programa de prevenção no primeiro ano de todas as faculdades, tanto para o uso de álcool e drogas como de gravidezes indesejadas e doenças sexualmente transmissíveis. O programa escolhido é baseado no pressuposto da redução de danos, que parte do princípio de que não é possível conseguir que as pessoas não usem drogas ou álcool. "Assim, seria melhor ensiná-las a usar álcool de forma não prejudicial. No caso, a intenção é trabalhar mais com a ingestão de álcool, ensinando os estudantes a beber com moderação, saindo do padrão habitual de beber com intoxicação (embriagando-se)", finaliza Florence.

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