PSICOFOBIA: O PESO DAS PALAVRAS PODE MACHUCAR

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PSICOFOBIA - O QUE É? 
A psicofobia é o preconceito contra pessoas que sofrem de transtornos mentais e está mais presente no dia a dia do que imaginamos. Aparece quando alguém diz que está fazendo terapia e alguém pergunta a razão num tom de pena ou então ironiza, rejeita. Como a palavra preconceito se explica em sua própria estrutura, é fruto do desconhecimento que causa rejeição e como qualquer tipo de prejulgamento, causa prejuízos a quem sofre. Nem sempre buscar atendimento psicológico implica ter um transtorno mental grave, mas não é disso que vamos falar.
 De modo geral, a procura se dá quando o sofrimento já afeta de modo significativo a qualidade de vida do indivíduo. Costuma ser uma atitude muito pensada e quando comunicada a familiares e amigos acontecem as ironias, o pensamento "é frescura" e os relatos daqueles que "passaram por situações piores e venceram". É para muitos assinar um" atestado de fraqueza, de total incompetência" diante da própria vida. Algumas vezes é esse o dilema a ser enfrentado, além da própria dor: a falta de apoio, incompreensões. Isto está mudando, mas ainda acontece.
Durante muito tempo, pessoas que sofriam transtornos mentais sempre estiveram á margem da sociedade, associados a demônios, bruxas e o que havia de pior. Seres perigosos a quem apenas restava o abandono e o temor. Com o desenvolvimento, da Psiquiatria, Psicologia, Neurociência etc a busca por compreender e tratar estes fenômenos foi trazendo um novo olhar com estudos que cada vez mais dialogam com várias dimensões humanas seja fisiológica, emocional, social, espiritual etc. Tudo isso pouco a pouco vai diluindo preconceitos. 
É um processo ainda em curso e por isso pessoas portadoras de transtornos vivem o reflexo de toda essa visão equivocada do passado associada às visões não menos padronizantes do tempo presente. Resquícios desta perspectiva higienista ainda permanecem no discurso e na prática em diversos segmentos da sociedade. A informação pode ajudar.

TIPOS DE AGRESSÃO

Ah! Isso é uma fase, a tristeza vai embora, passa, fica assim, não.

Você é louca (o), precisa ser internada (o), é muito difícil conviver com você!

Isso é frescura, deixa disso, tudo pra você é doença!

Você quer moleza, vai trabalhar!

Se eu venci você também vai conseguir! Minha vida foi muito pior!


1) Transtorno de saúde emocional é doença

Os transtornos emocionais acontecem por uma série de fatores: biológicos, nutricionais, genéticos, familiares, pessoais... Ninguém tem controle total sobre todas as contingências da vida, quanto mais no desenvolvimento de um transtorno psiquiátrico.

2) A pessoa não escolhe sofrer nem para de sofrer

Não é "covardia", nem "frescura", nem para "chamar atenção" e muito menos "incompetência". Ninguém ataca uma pessoa ou a manda parar de espirrar porque está com gripe, por isso não adianta pedir para a pessoa com depressão parar de se sentir triste, por exemplo. Há pessoas cujos transtornos psiquiátricos se desenvolvem em função de alterações orgânicas e estar ou não bem não é ato da vontade e racionalidade.

3) Todos nós estamos suscetíveis

Como foi dito acima um transtorno de saúde emocional é fruto de fatores biopsicossociais diversos que não temos controle e nem total ciência. Deste modo, qualquer um de nós pode ter um transtorno. Sim, pode acontecer com qualquer pessoa independente de situação sócio-econômica, cor da pele, religião.

Para ter um transtorno mental basta ser pessoa. Se você é pessoa, faz parte do grupo de risco. Todos estamos abertos à possibilidade de alterações em nossas emoções.

Sim, podemos prevenir, assim como podemos prevenir as doenças cardiovasculares com alimentação balanceada, atividade física regular, reconhecimento e manejo das próprias emoções (quando não falamos de causas biológicas de transtornos mentais). A prevenção é possível, a assepsia não.

Pessoas do meio artístico, como Monique Evans (transtorno de Borderline) e Cassia Kis Magro (Bipolaridade e bulimia) e recentemente o Padre Fábio de Melo entre outros trouxeram a público a sua jornada quase sempre tortuosa com a doença e as incompreensões vividas. O corajoso relato destas pessoas públicas ajuda a diminuir o preconceito e superar falsas concepções sobre o transtorno. Dia 12 de abril é o Dia Nacional de Enfrentamento contra Psicofobia.

O cuidado e a atenção de pessoas com transtorno é muitas vezes intensivo e por isso difícil. Mas isso não justifica agressões e preconceitos. 

BUSQUE AJUDA

Há pessoas que por medo do preconceito e/ou por alimentar em si estes mesmos preconceitos, adiam a busca por ajuda, mesmo sentindo precisar muito. Deixo um link sobre os lugares que realizam atendimento social para aqueles que não podem custear o tratamento aqui no Rio de Janeiro. Existem também Neuróticos Anônimos, o Centro de Valorização da Vida. Graças à internet é possível descobrir outras possibilidades. Se souber de algum local que eu não saiba, deixe registrado que publicamos de algum modo.

Buscar ajuda

Associação Brasileira de Psiquiatria

Regina Bomfim









Comentários

  1. Infelizmente ainda é uma realidade o preconceito com as pessoas que buscam ajuda psicológica.

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