A CARTA

A Carta

(Djavan/ Gabriel "O Pensador")


Não vá levar tudo tão a sério
Sentindo que dá, deixa correr
Se souber confiar no seu critério
Nada a temer
Não vá levar tudo tão na boa
Brigue* para obter o melhor
Se errar por amor, Deus abençoa
Seja você,
No que sua crença vacilou
A flor da dúvida se abriu
vou ler a carta que o Biel mandou
Pra você lá do Brasil:
"Eles me disseram tanta asneira, disseram só besteira
Feito todo mundo diz
Eles me disseram que a coleira e o prato de ração
Era tudo que um cão sempre quis
Eles me trouxeram a ratoeira com um queijo de primeira
Que me pegou pelo nariz
Me deram uma gaiola como casa, amarraram minhas asas
E disseram para eu ser feliz.
Mas como posso ser feliz num poleiro
Como posso ser feliz sem pular
Mas como posso ser feliz num viveiro,
Se ninguém pode ser feliz sem voar?
Ah, segurei meu pranto para tranformar em canto
E para o meu espanto minha voz desfez os nós
Que me apertavam tanto
E já sem a corda no pescoço, sem as grades na janela
E sem o peso das algemas na mão
Eu encontrei as chaves dessa cela
Devorei o meu problema e engoli a solução
Ah, se todo mundo pudesse saber
Como é fácil viver fora dessa prisão
E descobrisse que a tristeza tem fim
E a felicidade pode ser simples como um aperto de mão
Entendeu?
É esse o vírus que eu sugiro que você contraia
Na procura pela cura da loucura
Quem tiver cabeça dura vai morrer na praia".


*Nunca é demais solicitar que o verbo brigar não seja entendido no sentido literal.



A presença da psicologia onde quer que atue, deve conduzir o indivíduo a, como diz a canção, "confiar no seu critério". A palavra que move a criação deste Blog é : julgue, avalie, reflita, critique, que é uma posição que vai além da descrição ou prescrição do que é normal ou anormal.
Nenhum saber é neutro, pois reflete a história de um grupo, de uma cultura que por suas razões, o justifica.

Por Regina Maria dos Santos Bomfim

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