JANEIRO BRANCO: MÊS DA SAÚDE MENTAL, SAÚDE MENTAL SEMPRE

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Falar de saúde mental é compreender que esta é, sem medo de ser audaciosa em minha posição, o território, o recurso natural, a tecnologia mais valiosa da existência que cabe ao ser humano explorar. Como ainda somos estrangeiros dentro de nós mesmos, apesar dos  importantes avanços que somos capazes de criar. 

As perspectivas de crescimento dos transtornos mentais e seus inegáveis danos à saúde e à produtividade por cada vez mais incapacitarem ao trabalho e ao desfrutar da vida, torna-se cada vez mais algo que não mais pode ser ignorado, daí a iniciativa de transformar o mês de Janeiro no mês da Saúde Mental -  JANEIRO BRANCO.

Em muitas ocasiões o PSICOLOGIA EM FOCO falou sobre o quanto se tornou insustentável manter a separação corpo e alma - O penso, logo existo de Descartes, somado a todos os pensadores que forjaram a estrutura e o funcionamento do Ocidente, tem se mostrado ineficaz ao longo dos anos para dar conta da comp…

Chega de Tristeza

Carlos Estelita Lins

As festas que comemoram o fim de ano são para uma pequena parcela da população mundial catlizadores de processos depressivos. As comemorações, que para a maioria das pessoas motivam reuniões de familiares e amigos, costumam causar profunda angústia em pacientes com histórico de depressão, pessoas que atravessam perdas e cidadãos comuns que não conseguem calar suas inquietações com ritos maciços de consumo. As depressões constituem um espectro amplo e multietiológico de transtornos mentais comuns, nos quais aspectos sociais, individuais, biológicos e inconscientes conspiram gerando agravos à saúde.

Sofrimento, desânimo, trsiteza, falta de prazer, perdas afetivas e prejuízo econômico são parte de quadros depressivos. A depressão e uso de álcool e drogas estão muito associados ao risco de suicídio. Num momento de maior vulnerabilidade, pessoas tentam pôr fim à prórpia vida buscando desesperadamente alívio psíquico imediato. Pelo enorme sofrimento e danos psicológicos que o suicídio causa nos familiares e nos sobreviventes, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e outras instituições, como a International Association for Suicide Prevention (cujo braço brasileiro está sendo fundado) consideram-no com grave problema de saúde pública em todo mundo e se esforçam para divulgar as ações de prevenção. Sim, porque estudos demonstram que medidas preventivas apresentam impactos positivos. O Ministério da Saúde e a Associação Brasileira de Psiquiatria têm trabalhado desde de 2005 neste sentido sendo importante somar esforços com ajudas de políticos, empresários, formadores de opinião, terceiro setor e sociedade civil. O primeiro passo consiste em falar sobre problema de modo responsável.

Existem crises psíquicas. Fala-se pouco disto. A formação médica no Brasil ainda não contempla adequadamente o treinamento em emergências gerais, tampouco em urgências psiquiátricas. Nossa reforma psiquiátrica precisa retomar sua vocação inicial e assumir objetivos ligados ao plano nacional de reestruturação das emergências médicas, para o qual será preciso investir em parcerias com a universidade e a sociedade civil no sentido de fomentar o treinamento e repensar o uso das emergências.

Embora não se possa afirmar que os métodos de prevenção e intervenção em crises psiquiátricas sejam equivalentes aos de uma doença cardiovascular, por exemplo, há protocolos estabelecidos para controle da depressão e também de situações de risco iminente. O tratamento precoce de quadros depressivos constitui a pedra angular. Antidepressivos, estabilizadores de humor, eletroconvulsoterapia (ECT), psicoterapias e suporte psicossocial apresentam eficácia. Já existe consenso sobre o que fazer, como fazer e, sobretudo, aquilo que não se deve fazer diante de uma pessoa em crise. Se cada paciente acreditasse que seus sintomas e questões poderiam se transformar, diminuir ou desaparecer o desfecho poderia ser alterado e a idéia de suicídio, abandonada. É preciso oferecer ajuda. É preciso buscar ajuda. Ajuda médico-psicológica especializada precisa chegar àqueles que sofrem silenciosamente. Todos podemos ajudar


Fonte: Carlos Estelita Lins - psiquiatra, psicanalista, professor e pesquisador da Fiocruz (www.oglobo.com.br/opinião)

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