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A DIVERSIDADE, ADVERSIDADE

A DIVERSIDADE, ADVERSIDADE

Cada pessoa dá o que tem. Ninguém pode dar além do que tem. Dizer isso não é diminuir o outro, mas reconhecer que cada pessoa tem um universo no qual possíveis desencontros entre tantas diversidades é QUASE uma fatalidade. É por isso que o diverso perturba tanto. Sartre falou que o inferno são os outros - Por que quando estou só as gavetas da minha alma estão arrumadas, mas chega o outro e desarruma tudo? O grau deste desconforto pode assumir várias intensidades até até o drástico aniquilamento daquilo que é diverso.

As várias guerras ao longo da história da humanidade, a ideia de que somente um pode ter o monopólio econômico, do conhecimento, da beleza, da fé.. E assim grandes muros são construídos, afinal, só pode existir um vencedor. Nas relações diárias, numa discussão há o lugar daquele que "tem razão", daquele que dá a "última palavra". Mágoas são perpetuadas em função de um diferente inaceitável.

O diverso é uma questão política, econômica, social, intelectual, emocional, biológica, ecológica e espiritual que a humanidade terá um dia de se voltar, discutir abertamente sem os subterfúgios da retórica, pois a segregação, o aniquilamento e o autoritarismo são meios cada vez mais ineficazes de lidar com o diverso natural que somos frente ao mundo. Existir num mundo que prega a homogeneidade, o "imperativo categórico" de Kant é o desafio de uma vida porque é um constante convite à escolha entre o "fundamentalismo" e a flexibilidade fruto de uma reflexão crítica.

O que costumamos sentir, fazer quando alguém discorda do que pensamos? E quando alguém age errado conosco? Será que está na possibilidade desta pessoa agir diferente? Qual a sua "bagagem", a sua história para agir do modo que agiu? Talvez isso nos ajude a pensar sobre as "correntes'" de ódios, mágoas e ressentimentos que arrastamos  por vermos apenas um ângulo da questão, assim como as diversas mensagens que o mundo nos traz. Será que a nobreza e a integridade que tanto reivindicamos dos outros está em nós? A diversidade pode provocar adversidades, mas também outras possibilidades. É um exercício aprender a enxergar os diferentes ângulos daquilo que nos afeta. E como!

Regina Bomfim

       

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  Por Rogério Miranda de Almeida - Doutor em filosofia pela Universidade de Metz (França) e em Teologia pela Universidade de Estrasburgo. Professor no Programa de Pós - Graduação da Pontíficia Universidade Católica do Paraná (PUC- PR). Publicou os seguintes livros: Nietzche e Freud - Eterno Retorno e Compulsão à Repetição (2005); Eros e Tânatos: A Vida, A Morte, o Desejo (2007). Todos pela Edições Loyola. O ensino da filosofia, uma das mais nobres tarefas pedagógicas, é ao mesmo tempo uma das mais difíceis. Difícil porque, dada a própria origem da filosofia ocidental - cujo berço é a Grécia e, mais precisamente, a costa Jônica do séc 6 a.C -, a questão em torno da qual ela girava era do ser enquanto ser. Em outros termos, indagavam-se os jônicos: por que, a despeito do nascimento, da corrupção e da morte das coisas sensíveis, tudo permanece como se fosse o mesmo? Deve, pois, haver - completavam esses estudiosos da natureza - por trás do mundo fenomênico algo que nem enve...