UM PAPO SOBRE ECONOMIA

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Será que para ter afeto, se sentir respeitado, você precisa abrir mão de si mesmo? Será que na economia dos sentimentos acaba sempre sendo um preço muito caro a ser pago?

Regina Bomfim











A real parceria entre escola e família - Os erros e acertos na construção do mais importante relacionamento na vida da criança


Por Daniela Freixo de Faria
Terapeuta infantil, especializada em psicologia analítica


Acredito demais na parceria entre escola e família e a cada dia percebo como o encontro acontece de forma mais clara e evidente. Mas é fundamental que ambos estejam envolvidos em nome de criança.

Durante muitos anos experimentamos, observamos pais culpando a escola e vice-versa diante de um problema apresentado por uma criança. Hoje, com todo o desenvolvimento, a criança foi extremamente beneficiada. Talvez a família e escola tenham percebido que juntas fazem a real diferenciação perante qualquer desafio.

Este texto é um convite para este novo relacionamento, que coloca todos os envolvidos como responsáveis pelo bem-estar geral desta criança e por caminharem juntos nessa jornada heróica.

A escola, com toda sua oferta de experiências conhece a criança que convive nesse ambiente tão rico e encontra na vivência diária de seu desenvolvimento cognitivo, relacional, afetivo e do seu caminhar rumo à autonomia. Já a família, vive o enlace emocional, relacional, afetivo, de crescimento e troca, acompanhando todo esse movimento que a escola a convida a vivenciar.

Obviamente, todos nós envolvidos, temos boas intenções nesse processo rico e dinâmico, porém será nosso ponto de partida que  em grande parte determinará a nossa caminhada. É a nossa real capacidade de entrega, confiança no outro.
Quando olhamos para a criança, nosso filho, nosso aluno, fica fácil sentir o amor e o carinho surgirem. Fica fácil perceber que todos seguem na mesma direção, a do crescimento, do amadurecimento e do amor. Nosso desafio juntos é descobrir para qual caminho cada criança precisa, pode e fará bem caminhar. É nessa descobertas que mais precisamos desta escuta, desta troca. O que norteia é qual postura realmente colabora com o desenvolvimento dessa criança. Digo isso pois, antigamente, o que acontecia eram pais defendendo seus filhos dos olhares que vinham da escola e vice-versa; a escola defendendo seus professores dos olhares das famílias.

A primeira mudança importante é percebermos que estamos no mesmo barco e que a mesma tempestade ou estado de tranquilidade atinge a todos nós. Ao compreendermos que a criança, por meio de seus comportamentos, falas e até dificuldades expressa seus pedidos de ajuda, podemos todos juntos abrir os canais de escuta, trocar essas impressões e movimentar o que precisa ser movimentado. E assim, não mais perdemos tempo com culpas e nomeações que nada acrescentam.

Essa conversa entre escola e família sem defesa, sem ataque, sem julgamentos, nem culpados ou vilões é premissa indispensável para que o diálogo possa se concretizar. Poderemos realmente colocar a criança em primeiro lugar e fazermos os ajustes necessários. Não há certo e/ou errado. A família vê por um prisma e a escola/professora, analisa por outro. Uma dificuldade em casa ou uma situação que precisa de cuidados pode aparecer na escola e não se manifestar em casa. É uma situação que necessita de ajustes pode surgir na escola, sem sequer ser notada no ambiente familiar.

Por isso devemos ter esse diálogo franco, aberto, entregue e confiante. Esta manifestação só poderá se tornar realidade se considerarmos, família e escola, tais como grandes amigos, confidentes e parceiros.

OUVIR  À SERVIÇO DE NOSSOS FILHOS

A escuta tem grande importância nesse processo, por isso é importante perguntar: de onde internamente escuto a escola? De onde internamente escuto a família? Será que estamos nos dedicando realmente em nome das crianças? Nesse processo de desenvolvimento tão amplo, o mais importante é que criança viva feliz.

Ao nos colocarmos a serviço do amor e da criança, estamos abertos a trocar, a cuidarmos juntos, a ouvir e construirmos o caminho a seguir. Não há certo nem errado, há apenas o melhor para a criança única em questão. Não há resposta pronta, que sirva para todos, há um passo a ser construído para cada criança a cada momento de acordo com o que ela é e o que ela precisa.

Partindo desse lugar de encontro e escuta, o próximo passo é a investigação. Essa palavra que parece falar de algo conclusivo, na verdade traz à tona a abertura, a amplificação, a percepção e sentimentos explícitos, para percebermos realmente o que foi compartilhado. A partir dessa abertura, sabendo das boas intenções de todos os envolvidos, saímos da culpa e chegamos à responsabilidade de fazer parte da vida de uma criança, seja como pais, como professora ou orientadora. Com esse diálogo manifesto de amor e reconhecimento da importância de todos nós na vida de uma criança, o próximo passo surge único, específico e natural. E a criança pose seguir em frente, livre, leve e solta e principalmente feliz.

Fonte: Revista Conhecimento Prático Literatura - Educação p. 53 ed 37 ano 2011


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