UM PAPO SOBRE ECONOMIA

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Será que para ter afeto, se sentir respeitado, você precisa abrir mão de si mesmo? Será que na economia dos sentimentos acaba sempre sendo um preço muito caro a ser pago?

Regina Bomfim



AUTO PERDÃO


 

Falar do perdão vem sempre junto a idéia da necessidade de perdoar o outro como o dito alívio geralmente produzido muito mais naquele que perdoa do que na pessoa perdoada, do quanto perdoar é importante para o indivíduo prosseguir na sua caminhada  sem o peso que a mágoa, ressentimento e afins costumam produzir naquele que deseja a reparação de um prejuízo causado, cuja vida permanece girando em torno desta situação que produziu o conflito. Estudos recentes relacionam as mágoas, ressentimentos e afins como sentimentos capazes de provocar diversos distúrbios, entre os quais, a depressão. As religiões falam da virtude do perdão como uma das condições essenciais para alcançarmos a Misericórdia para nós mesmos através do ato de perdoar o outro.

A necessidade do auto perdão é muito pouco falada. O auto perdão é a aceitação das nossas difuldades, dos erros que cometemos, da nossa imaturidade para lidar com certas situações na vida. Nos cobramos tanto e quando não alcançamos os objetivos programados, somos os primeiros a nos criticar, nos culpar severamente por questões que numa análise mais fria, poderiam apenas ser por nós vistas como um aprendizado, um sinal de que o caminho escolhido não foi o correto e que apenas nos cabe corrigir a rota escolhida. Exigimos de nós uma perfeição querendo controlar tudo e na verdade, a vida tem um ritmo próprio e nada dominamos. Somos seres únicos, embora o mundo creia numa (impossível) padronização, o que equivocadamente faz nos compararmos com as outras pessoas.

Perdoar a nós mesmos é um exercício de sempre e é desse modo que germina a capacidade de perdoar o outro como consequência. Cada pessoa é o que é e nada podemos fazer com relação a isso, a não ser seguir a nossa vida, buscando deixar se expressar através de nós a liberdade de sermos nós mesmos, com nossas qualidades e defeitos, fazendo o melhor que nos cabe procurando ouvir o que a Vida diz a cada um de nós, sim, porque ela sempre está nos comunicando alguma coisa. Era o que Jesus falava como "olhos de ver, ouvidos de ouvir".

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