JANEIRO BRANCO: MÊS DA SAÚDE MENTAL, SAÚDE MENTAL SEMPRE

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Falar de saúde mental é compreender que esta é, sem medo de ser audaciosa em minha posição, o território, o recurso natural, a tecnologia mais valiosa da existência que cabe ao ser humano explorar. Como ainda somos estrangeiros dentro de nós mesmos, apesar dos  importantes avanços que somos capazes de criar. 

As perspectivas de crescimento dos transtornos mentais e seus inegáveis danos à saúde e à produtividade por cada vez mais incapacitarem ao trabalho e ao desfrutar da vida, torna-se cada vez mais algo que não mais pode ser ignorado, daí a iniciativa de transformar o mês de Janeiro no mês da Saúde Mental -  JANEIRO BRANCO.

Em muitas ocasiões o PSICOLOGIA EM FOCO falou sobre o quanto se tornou insustentável manter a separação corpo e alma - O penso, logo existo de Descartes, somado a todos os pensadores que forjaram a estrutura e o funcionamento do Ocidente, tem se mostrado ineficaz ao longo dos anos para dar conta da comp…






Resiliência, principal competência profissional do século XXI


Resiliência é a palavra da vez no meio de recursos humanos. Tanto que consultores e coaches já apontam a competência como a mais importante no mundo do trabalho, no século XXI. O termo vem da engenharia, e é usado para falar da resistência de materiais a forças externas, como calor e pressão. Quanto maior ela for, mais flexível e resistente é o material. Da mesma forma, dizem consultores, são as pessoas e as corporações. Essa capacidade vai muito além de conseguir suportar o estresse: significa usar as adversidades para melhorar ainda mais o desempenho, o que tem papel crucial em tempos de rápidas e profundas mudanças.


Professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, Paulo Sabbag fez um grande estudo sobre o tema e descobriu uma forma de medir esta capacidade que, segundo ele, pode ser desenvolvida. São nove as características que compõem uma personalidade resiliente: autoeficácia (que inclui autoconfiança e a certeza de ter capacidade para realizar tarefas bem); alto índice de solução de problemas; temperança (capacidade de administrar bem as emoções); empatia; proatividade; competência social; persistência; otimismo e flexibilidade mental.


- A resiliência não é um traço de personalidade, mas uma característica que o indivíduo adquire ou perde, de acordo com os estímulos ambientais. Se é uma capacidade, pode ser desenvolvida - explica Sabbag. - Como são crenças arraigadas, que formam um padrão de comportamento, não se muda isso num estalar de dedos: é preciso disciplina e um esforço sistemático.


Idealizador da primeira escala nacional para avaliar o nível de resiliência de profissionais - só existem outras quatro no mundo - o professor estudou 3.707 alunos graduados de curso a distância, provenientes de 61 cidades brasileiras. Os resultados obtidos a partir de 1.512 respostas válidas indicaram uma porcentagem de 40% com elevada resiliência, 16% com baixa e 44% com resiliência moderada.


No mesmo estudo, Sabbag identificou dois tipos de resiliência moderada: a masculina e a feminina. O tipo feminino apresenta melhor pontuação em quesitos como empatia e articulação de apoio social, perdendo na questão temperança. Já o tipo masculino, que pontua menos no item empatia, consegue administrar melhor as emoções e se sobressai nos quesitos tenacidade e solução de problemas.


Para a consultora Eliana Dutra, especialista em desenvolvimento organizacional e diretora executiva da Pro-Fit Coaching, ser flexível e resistente é olhar as situações difíceis com olhar otimista, mas sem ser ingênuo ou "fugir da luta". Ela comenta que não há como mudar a química do corpo que é liberada em situações de estresse - o corpo pode levar até oito horas para voltar ao normal, depois de uma situação tensa - mas que é possível, sim, treinar a si mesmo para ver a mesma situação sob outro ângulo.


- A melhor forma é aceitar a vida como ela é, sem ficar vendo demônios e bandidos em tudo - diz. - Se o seu chefe não te chamou para uma reunião, por exemplo, em vez de pensar que está sendo fritado e ficar calado e irritado, converse com ele e descubra do que se trata. Pela minha experiência como coach, 90% das vezes as coisas não são tão ruins quanto o profissional pensa.Praticar atividades físicas, meditativas e psicoterápicas pode ajudar a aumentar nível de resiliência.


Então, como fazer para melhorar essa competência? Consultores de recursos humanos dizem que esses conteúdos são emocionais e que, por isso, não são de fácil acesso. Muitos deles estão diretamente ligados à criação e à formação da pessoa.


Mas isso não significa que não seja possível fazer alguns exercícios que ajudem a adquirir qualidades importantes. Meditação, ioga, praticar esportes e fazer psicoterapia são algumas das práticas que podem ajudar a aumentar a resiliência, diz Sabbag.


- Meditação e ioga ajudam a pessoa a administrar melhor as emoções, enquanto a prática de esportes costuma proporcionar um aumento da tenacidade (ou persistência) - revela Sabbag. - Para conquistar mais autoconfiança, acho que só com o apoio de uma psicoterapia.


Para José Augusto Figueiredo, presidente do International Coaching Federation (ICF) Brasil e diretor de operações da DBM na América Latina, ser resiliente é relativizar as próprias crenças e, a partir daí, lidar com as mais diferentes questões. Ele ressalta, no entanto, que não significa ser submisso.
- Pessoas que têm convicções muito firmes e que não abrem mão delas são menos resilientes - explica.


Segundo Figueiredo, uma forma eficiente de medir a própria resiliência é fazer a um colega, cônjuge ou até ao chefe perguntas como: Sou impulsivo ou não? Como administro minhas emoções? Sou uma pessoa empática? Sou otimista diante da vida?


- Receber este input de fora é ótimo para que a ficha caia logo. Ou seja, para que a pessoa se dê conta do quão resiliente é ou não, e para que possa se empenhar para melhorar - diz.

Fonte:

http://oglobo.globo.com/emprego/resiliencia-principal-competencia-profissional-do-seculo-xxi-3459529



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