Resiliência, principal competência profissional do século XXI


Resiliência é a palavra da vez no meio de recursos humanos. Tanto que consultores e coaches já apontam a competência como a mais importante no mundo do trabalho, no século XXI. O termo vem da engenharia, e é usado para falar da resistência de materiais a forças externas, como calor e pressão. Quanto maior ela for, mais flexível e resistente é o material. Da mesma forma, dizem consultores, são as pessoas e as corporações. Essa capacidade vai muito além de conseguir suportar o estresse: significa usar as adversidades para melhorar ainda mais o desempenho, o que tem papel crucial em tempos de rápidas e profundas mudanças.


Professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, Paulo Sabbag fez um grande estudo sobre o tema e descobriu uma forma de medir esta capacidade que, segundo ele, pode ser desenvolvida. São nove as características que compõem uma personalidade resiliente: autoeficácia (que inclui autoconfiança e a certeza de ter capacidade para realizar tarefas bem); alto índice de solução de problemas; temperança (capacidade de administrar bem as emoções); empatia; proatividade; competência social; persistência; otimismo e flexibilidade mental.


- A resiliência não é um traço de personalidade, mas uma característica que o indivíduo adquire ou perde, de acordo com os estímulos ambientais. Se é uma capacidade, pode ser desenvolvida - explica Sabbag. - Como são crenças arraigadas, que formam um padrão de comportamento, não se muda isso num estalar de dedos: é preciso disciplina e um esforço sistemático.


Idealizador da primeira escala nacional para avaliar o nível de resiliência de profissionais - só existem outras quatro no mundo - o professor estudou 3.707 alunos graduados de curso a distância, provenientes de 61 cidades brasileiras. Os resultados obtidos a partir de 1.512 respostas válidas indicaram uma porcentagem de 40% com elevada resiliência, 16% com baixa e 44% com resiliência moderada.


No mesmo estudo, Sabbag identificou dois tipos de resiliência moderada: a masculina e a feminina. O tipo feminino apresenta melhor pontuação em quesitos como empatia e articulação de apoio social, perdendo na questão temperança. Já o tipo masculino, que pontua menos no item empatia, consegue administrar melhor as emoções e se sobressai nos quesitos tenacidade e solução de problemas.


Para a consultora Eliana Dutra, especialista em desenvolvimento organizacional e diretora executiva da Pro-Fit Coaching, ser flexível e resistente é olhar as situações difíceis com olhar otimista, mas sem ser ingênuo ou "fugir da luta". Ela comenta que não há como mudar a química do corpo que é liberada em situações de estresse - o corpo pode levar até oito horas para voltar ao normal, depois de uma situação tensa - mas que é possível, sim, treinar a si mesmo para ver a mesma situação sob outro ângulo.


- A melhor forma é aceitar a vida como ela é, sem ficar vendo demônios e bandidos em tudo - diz. - Se o seu chefe não te chamou para uma reunião, por exemplo, em vez de pensar que está sendo fritado e ficar calado e irritado, converse com ele e descubra do que se trata. Pela minha experiência como coach, 90% das vezes as coisas não são tão ruins quanto o profissional pensa.Praticar atividades físicas, meditativas e psicoterápicas pode ajudar a aumentar nível de resiliência.


Então, como fazer para melhorar essa competência? Consultores de recursos humanos dizem que esses conteúdos são emocionais e que, por isso, não são de fácil acesso. Muitos deles estão diretamente ligados à criação e à formação da pessoa.


Mas isso não significa que não seja possível fazer alguns exercícios que ajudem a adquirir qualidades importantes. Meditação, ioga, praticar esportes e fazer psicoterapia são algumas das práticas que podem ajudar a aumentar a resiliência, diz Sabbag.


- Meditação e ioga ajudam a pessoa a administrar melhor as emoções, enquanto a prática de esportes costuma proporcionar um aumento da tenacidade (ou persistência) - revela Sabbag. - Para conquistar mais autoconfiança, acho que só com o apoio de uma psicoterapia.


Para José Augusto Figueiredo, presidente do International Coaching Federation (ICF) Brasil e diretor de operações da DBM na América Latina, ser resiliente é relativizar as próprias crenças e, a partir daí, lidar com as mais diferentes questões. Ele ressalta, no entanto, que não significa ser submisso.
- Pessoas que têm convicções muito firmes e que não abrem mão delas são menos resilientes - explica.


Segundo Figueiredo, uma forma eficiente de medir a própria resiliência é fazer a um colega, cônjuge ou até ao chefe perguntas como: Sou impulsivo ou não? Como administro minhas emoções? Sou uma pessoa empática? Sou otimista diante da vida?


- Receber este input de fora é ótimo para que a ficha caia logo. Ou seja, para que a pessoa se dê conta do quão resiliente é ou não, e para que possa se empenhar para melhorar - diz.

Fonte:

http://oglobo.globo.com/emprego/resiliencia-principal-competencia-profissional-do-seculo-xxi-3459529



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