JANEIRO BRANCO: MÊS DA SAÚDE MENTAL, SAÚDE MENTAL SEMPRE

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Falar de saúde mental é compreender que esta é, sem medo de ser audaciosa em minha posição, o território, o recurso natural, a tecnologia mais valiosa da existência que cabe ao ser humano explorar. Como ainda somos estrangeiros dentro de nós mesmos, apesar dos  importantes avanços que somos capazes de criar. 

As perspectivas de crescimento dos transtornos mentais e seus inegáveis danos à saúde e à produtividade por cada vez mais incapacitarem ao trabalho e ao desfrutar da vida, torna-se cada vez mais algo que não mais pode ser ignorado, daí a iniciativa de transformar o mês de Janeiro no mês da Saúde Mental -  JANEIRO BRANCO.

Em muitas ocasiões o PSICOLOGIA EM FOCO falou sobre o quanto se tornou insustentável manter a separação corpo e alma - O penso, logo existo de Descartes, somado a todos os pensadores que forjaram a estrutura e o funcionamento do Ocidente, tem se mostrado ineficaz ao longo dos anos para dar conta da comp…

PRIVATIZAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS




NOVAS FORMAS DE PRIVATIZAR

Atividade debate privatização da saúde, educação e de políticas, serviços e espaços públicos
Fonte Jornal do CRP- RJ n. 34 Setembro/Outubro/ Novembro de 2012

"O SUS é nosso. Ninguém tira da gente. Direito garantido não se compra e não se vende". O grito ecoou na atividade organizada pelo Fórum de Saúde do Rio de Janeiro, em parceria com o Fórum Estadual de Defesa da Escola Pública. Organizado na Cúpula dos Povos, o evento juntou profissionais de saúde e educação, estudantes e militantes contrários Às políticas de privatização, e contou com a participação ilustre do intelectual francês François Chesnais, que fez a fala de abertura do debate. Na mesa, a professora de história da Universidade Federal Fluminense (UFF) Virgínia Fontes deu pistas sobre os motivos que juntaram todos ali: desde a década de 90 observamos um aumento do número de carteiras de trabalho assinadas, mas o fato é que são empregos em condições precarizadas."


Representando o Fórum de Saúde, a professora da UFRJ Fátima Silianski disse que é também desde a década de 90 que vemos com clareza um "desfinanciamento" da saúde por parte do poder público, mas fez questão de lembrar que o grande setor privado de prestação de saúde já vinha sendo desenvolvido em parceria com o Estado desde os tempos da ditadura civil-militar (1964-1985). " Hoje esse quadro teve uma evolução. Vivemos um processo de privatização da a´rrea da saúde que não é mais apenas do médio empresário em parceria com grandes indústrias, mas que é feito pela ascensão de novos-velhos grupos, através do terceiro setor", disse referindo-se mais especificamente à contratação temporária de Organizações Sociais (OSs) para prestação de serviços públicos de saúde.



EMPRESAS DENTRO DE ESCOLAS PÚBLICAS

O professor de educação da UFRJ Rodrigo Lamose relacionou a luta de professores, servidores técnicos-administrativos e estudantes na greve iniciada no dia 17 de maio com o enfraquecimento e a falta de investimentos nas instituições públicas de ensino. A paralisação envolveu pelo menos 57 das 59 universidades federais, além de 37 instituições de educação básica, profissional e tecnológica.

Lamose usou um caso específico para exemplificar novas estratégias de privatização. Em Santa Cruz, na zona oeste, O Colégio Estadual Erich Walter Heine recebeu investimento diretos no valor de 11 milhões de reais da Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), empreendimento da Vale e da Thyssenkrupp responsável pela chuva de poeira tóxica que cai na região. Inaugurada em junho de 2010 na presença do Governador Sérgio Cabral, do prefeito Eduardo Paes e de executivos da empresa, a escola, ironicamente recebeu o título de primeira "escola verde" do estado.

O educador mostrou preocupação com o fato de haver painéis com a logomarca da empresa nos corredores da escola Erich Walter Heine, que tem esse nome em homenagem a um executivo alemão da Thyssenkrupp, morto em 2009. Para ele, o lucro da empresa nesse tipo de projeto não se resume apenas ao marketing e à visibilidade alcançada, mas deve ser contabilizado também com o próprio projeto político pedagógico da escola, que é mediado pela TKCSA e direcionado para beneficiar o mercado e servir suas demandas de mão-de-obra. "Os professores da Walter Heine são selecionados em processos específicos que têm interferência direta de TKCSA, o que configura a expropriação do saber docente. É escandaloso", disse, chamando a atenção para o fato de que na região, o colégio é conhecido como "escola CSA". "Hoje, existe um perigo para além da falta de investimento nas instituições públicas de ensino, que é a perda do caráter público destas instituições", prosseguiu referindo-se à entrada de empresas nas escolas do Estado. "Não adianta 10 ou 15% do Produto Interno Bruto (PIB) ser destinados à educação, se esse dinheiro for escoada para a iniciativa privada."

APARTHEID SOCIAL

Para Daniela Albrecht (CRP 05/30760), representante do CRP- RJ no Fórum de Saúde, o caso é ainda mais grave por envolver uma empresa acusada de ser responsável por crimes ambientais e violações de direitos humanos. " É trágico pnesar que a criança que estuda nessa escola é a mesma que sofre com as doenças de pele ou respiratórias causadas pela poeira tóxica da TKCSA, é a mesma que  vai sofrer com o atendimento precarizado nos equipamentos públicos de saúde da região", disse lembrando a responsabilidade dos governos municipal e estadual que permitem que essa situação aconteça. "Ao contrário do que querem nos fazer crer, o processo de privatização da saúde via Organizações Sociais efetivamente não traz quaisquer melhorias no atendimento prestado à população", completou.

O representante o Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas, Renato Cinco, relacionou a instalação de empreendimentos como a TKCSA com um projeto de cidade que, em detrimento de áreas habitadas pela população mais pobre, privilegia regiões reservadas às classes mais altas. Hoje vivemos a retomada da política de apartheid social", disse citando os recentes casos de remoções forçadas e as políticas de investimentos nos equipamentos olímpicos na Barra e Jacarepaguá, noa zona portuária, nos corredores viários da zona oeste e na implantação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) beneficiando apenas áreas mais nobres.

A professora Maria Inês Bravo, representante do Fórum de Saúde, que mediou o debate, finalizou a atividade chamando atenção para a necessidade de fortalecimento e de maior interlocução entre as redes ali representadas. "Este debate será potencializado se conseguirmos aproximar os fóruns e consolidar uma grande frente contra a privatização das políticas, serviços e espaços públicos", disse, provocando palavras de ordem do público.

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