Pular para o conteúdo principal

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER


VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Conto de fadas nada encantado - Artistas usam algumas das mais clássicas personagens das histórias infantis para denunciar questões bem mundanas, como abuso sexual e agressão doméstica

Por Eduardo Vanini
Fonte: O Globo

A fórmula é manjada: ao final de uma longa aventura, a bela princesa tem sua redenção ao ser salva por um heróico príncipe. Tão antigas quanto essas histórias são as trágicas consequências do machismo que assola o mundo. Por isso, alguns artistas têm se empenhado em subverter os contos de fadas, numa espécie de alerta para uma realidade em que o "felizes para sempre" não é reg


VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER


Essa foi a ideia de um artista do Oriente Médio que usa o psuedônimo de Saint Horax. Ele é especializado em cultura pop e, em duas séries diferentes colocou princesas da Disney em situações nada encantadas. Na primeira delas, personagens como Ariel, de "A pequena sereia" e Cinderela são beijadas por seus próprios pais. O mote era chamar atenção para o abuso sexual contra crianças. As ilustrações aparecem acompanhadas de informações com "46% de adolescentes e crianças estrupadas são vítimas de familiares".
- Meu objetivo é incentivar as vitimas e denunciarem seus casos para que as autoridaddes possam impedir que isso aconteça novamente - afirma ele em seu site.

Em outro trabalho de Hoax, as mesmas personagens aparecem com olhos roxos e ferimentos. Desta vez, a proposta é discutir a violência doméstica. Uma criação semelhante também foi realizada pelo artista e ativista italiano aleXsandro Palombo. Em sua versão, as personagens aparecem machucadas, ao lado de seus respectivos príncipes.
- A violência doméstica é um problema tão comum que qualquer pessoa pode ser vítima ou causador. Isso pode estar na rotina até mesmo de casais que parecem normais - comentou Palombo.


VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER


Para a diretora-executiva da Associação Mulheres pela Paz, Vera Vieira, trabalhos como esses têm grande valor, justamente porque mexem com um forte símbolo da sociedade machista, a mulher frágil e dependente de seu parceiro, muitas vezes, representadas por princesas em contos de fadas.
- Históriads infantis reforçam os estereótipos sexistas, que perpetuam as deseigualdades de gênero, trazendo sérias consequências para toda a sociedade. Além do "felizes para sempre", mostram a mulher sensível e fragilizada. O homem é sempre o herói e salvador da pátria. Tudo muito diferente da realidade.

Ela lembra que a violência contra a mulher ainda é aceita culturalmente e vem sendo mantida historicamente há milênios. Só no Brasil, a cada quatro minutos uma mulher sofre algum tipo de agressão. Nos ultimos dez anos, 43 mil foram assasinadas em crimes de gênero.
- Trabalhos como os desses artistas colocam luz sobre a causa, promovendo a reflexão sobre essa realidade inaceitável - Vera defende.


VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

TEMPOS DE REFLEXÃO

Para a pedagoga Schuma Schumaher, coordenadora da campanha "Quem ama abraça - fazendo escola pelo fim da violência contra as mulheres", essas criações aparecem num momento em que as pessoas começam a repensar a natureza de alguns contos de fadas. Por isso ela acredita que, apesar de as montagens não serem diretamente voltadas ao público infantil, podem levar os adultos a refletirem sobre o que está por trás de tais livros. Dessa forma, o resultado pode se refletir indiretamente, na educação das crianças.

- Quem apresenta estas histórias às crianças são os adultos. E acho que, muitas vezes, eles não têm muita consciência e senso crítico para fazer uma análise dos conteúdos - Schuma afirma - Espero que trabalhos como esses incentivem as empresas a rever sua histórias e estimulem pais a educadores a terem mais cuidado na indicação de livros. Não estamos mais na idade da pedra, mas sim, num mundo marcado pela busca incessante de relações mais igualitárias.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A PRINCESA DA ÁGUA DA VIDA: UMA HISTÓRIA DA TRADIÇÃO SUFI

Homenageando todas as culturas de transmissão oral de conhecimento, que possamos desenvolver nossa imaginação, reencenando dentro de nós aqueles tempos longíquos ao redor da fogueira sob o céu estrelado ouvindo histórias. O encanto de ler ou ouvir uma história, suponho que atravessa todas as culturas. Para todos nós Príncipes e Princesas da Água da Vida que possamos não nos impressionar com as calamidades que nos acontecem e seguirmos os caminhos que nos competem. O blog PSICOLOGIA EM FOCO deseja um Natal de muita Paz e um 2017 que sejamos vigorosos e incansáveis frente ao que o novo ano nos traz e assim colhermos as alegrias do caminhho que certamente nos estão reservadas! Espero que gostem...

ACHAMOS QUE SABEMOS - MARTHA MEDEIROS

Outro dia assisti a um filme no DVD do qual nunca ouvido falar - talvez porque nem chegou a passar nos cinemas. Chama-se "Vida de Casado", um drama enxuto, com apenas 90 minutos de duração e jeito de clássico. Gostei bastante. Um homem casado há muitos anos se apaixona por uma bela garota e com ela quer viver, mas não sabe como terminar seu casamento sem que isso humilhe sua venerável esposa, então decide que é melhor matá-la para que ela não sofra: não é uma solução amorosa? Não tem o brilhantismo de um Woody Allen, mas o roteiro tem certo parentesco com "crimes e pecados". Se fosse possível resumir o filme numa única frase, seria: "Ninguém sabe o que está se passando pela cabeça da pessoa que está dormindo ao nosso lado".

ENSINAR EXIGE HUMILDADE, TOLERÂNCIA E LUTA EM DEFESA DOS DIREITOS DOS EDUCADORES

  Por Paulo Freire Fonte: FREIRE, Paulo - Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa, Editora Paz e Terra, 1996.   S e há algo que os educandos brasileiros precisam saber, desde a mais tenra idade, é que a luta em favor do respeito aos educadores e à educação inclui que a briga por salários menos imorais é um dever irrecusável e não só um direito deles. A luta dos professores em defesa de seus direitos e de sua dignidade dev ser entendida como um momento importante de sua prática docente, enquanto prática ética. Não é algo que vem de fora da atividade  docente, mas algo que dela faz parte. O combate em favor da dignidade da prática docente é tão parte dela mesma quanto dela faz parte o respeito que o professor deve ter à identidade do educando, à sua pessoa, a seu direito de ser. Um dos piores males que o poder público vem fazendo a nós, no Brasil, historicamente, desde que a sociedade brasileira foi criada, é o de fazer muito...