TRABALHO TEMPORÁRIO COMO TENDÊNCIA, MAS AINDA VISTO COM PRECONCEITO






Segundo pesquisa, em cinco anos, os profissionais temporários terão a mesma importância dos contratados.

Fonte: O Globo

Tradicionalmente visto como pouco qualificado e voltado apenas para o segmento de Varejo, o emprego temporário vem ganhando espaço em escritórios corporativos, que demandam cargos de de média ou alta gerência para a coordenação de projetos com prazo de conclusão determinado. E os motivos vão desde a necessidade de as companhias enxugarem despesas, evitando a contratação permanente de funcionários, até a possibilidade de a empresa inserir  de a empresa inserir novas habilidades profissionais no ambiente de trabalho.


O Brasil é o terceiro maior contratante de trabalho temporário no mundo, com cerca de 400 mil profissionais. Hoje, mais de 10 mil desempenham funções gerenciais, número que cresce uma média de 105% ao ano, segundo estimativas da Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem).

Na opinião do diretor jurídico da entidade, Marcos Abreu, o crescimento da demanda por profissionais temporários deve-se em parte ao receio das empresas em firmar contratos de trabalho com base em CNPJ - a chamada 'pejotização'.
- Durante muito tempo, as empresas optaram por contratos de pessoas jurídicas, o que gera um risco enorme. Esse tipo de relação de trabalho não é respaldado pela lei, ao contrário dos contratos de trabalho temporários.

Regidos pela Lei 6.019/1974 os profissionais temporários podem ser contratados para dar apoio quando há aumento de volume de trabalho na empresa (em contratos de até seis meses).

De acordo com a legislação, os temporários têm direito a benefícios ligados a CLT, como seguro desemprego, FGTS, férias e 13º salário, mas não recebem multa de 40% sobre o saldo do FGTS e estão isentos de cumprir aviso prévio ao final do contrato.

AMADURECIMENTOS DO MERCADO

Muitos consultores atribuem o aumento da demanda por colaboradores temporários ao amadurecimento do mercado de trabalho brasileiro, que tem enxergado esse tipo de profissional como um especialista para ocupar posições estratégicas nas companhias na implantação de sistemas e processos, por exemplo. Nos grandes centros, as oportunidades estão na área de tesouraria, contas a pagar e receber, tributária e tecnologia da informação.

Na consultoria Employer, em São Paulo, 80% das contratações temporárias são voltadas hoje para cargos de alta e média gerência, com salários mensais acima de R$ 5 mil. A gerente da unidade Luciana Pires diz que tem percebido, nos últimos dois anos, um interesse maior das empresas, principalmente as de segmento de tecnologia, por este tipo de vínculo empregatício.
- Cerca de 30% dos funcionários temporários admitidos pela empresa são efetivados ao fim do contrato. Muitos profissionais têm receio dessa forma de relação de trabalho, mas a maioria reconhece que pode ser uma oportunidade, uma porta de entrada para um emprego permanente.

GRAU DE IMPORTÂNCIA

Segundo uma pesquisa elaborada pela consultoria Robert Half, 87% dos diretores de Recursos Humanos entrevistados preveem que,  em até cinco anos, os profissionais temporários deverão igualar o grau de importância dos colaboradores permanentes dentro das organizações. O levantamento considerou a opinião de 1.675 gestores de 12 países sendo 100 brasileiros. Só na consultoria de recrutamento desde 2009, houve um crescimento de sete vezes na demanda por profissionais temporários.
- Muitos sentem-se mais satisfeitos e motivados em atuar dessa forma, pois estão sempre sendo desafiados e agregando novos conhecimentos. É importante frisar que esse tipo de profissional se difere daquele 'pula-pula' que não consegue parar em nenhum emprego - afirma o gerente de divisão da Robert Half, Lucas Nogueira.

A probabilidade de ganhos salariais de um profissional temporário também costuma ser atrativo. Os que conseguem visibilidade ao finalizar um projeto bem-sucedido, podem ter aumento de 15% na remuneração em média ao emplacar outro trabalho. E assim sucessivamente. No processo de contratação dos profissionais temporários de média e alta gerência, as habilidades mais valorizadas são a capacidade de autogestão, especialização, proatividade e domínio da língua inglesa.

PRECONCEITO EXISTE

No fim de 2014, a analista financeira, Maria Luíza Santos recebeu uma proposta para trabalhar em um projeto de três meses na área de finanças da empresa de moda Michael Kors, que, na época, tinha acabado de abrir uma loja em São Paulo. A profissional não pensou duas vezes: a experiência de trabalhar em uma companhia conhecida mundialmente a fez encarar o desafio, mesmo que por pouco tempo.

O trabalho não lhe rendeu a efetivação, mas a indicação para um projeto temporário na área financeira de uma empresa do segmento de atacado e varejo. O contrato atual é de 60 dias, com possibilidade de efetivação, caso haja vaga disponível.
- Se eu não for efetivada, não tem problema. Vou agregar mais uma experiência no currículo, o que ajudará na procura por outros trabalhos - afirma.

Entre as vantagens do trabalho temporário, Maria Luíza destaca a permanente motivação e a possibilidade de adquirir novos conhecimentos. Já as desvantagens, ela ressalta o preconceito que ainda existe dentro das corporações.
-Há uma percepção geral de que os profissionais temporários não pertencem à organização, o que não é verdade, pois somos contratados diretamente pela própria empresa. É preciso superar a barreira do preconceito em algumas situações.

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