JANEIRO BRANCO: MÊS DA SAÚDE MENTAL, SAÚDE MENTAL SEMPRE

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Falar de saúde mental é compreender que esta é, sem medo de ser audaciosa em minha posição, o território, o recurso natural, a tecnologia mais valiosa da existência que cabe ao ser humano explorar. Como ainda somos estrangeiros dentro de nós mesmos, apesar dos  importantes avanços que somos capazes de criar. 

As perspectivas de crescimento dos transtornos mentais e seus inegáveis danos à saúde e à produtividade por cada vez mais incapacitarem ao trabalho e ao desfrutar da vida, torna-se cada vez mais algo que não mais pode ser ignorado, daí a iniciativa de transformar o mês de Janeiro no mês da Saúde Mental -  JANEIRO BRANCO.

Em muitas ocasiões o PSICOLOGIA EM FOCO falou sobre o quanto se tornou insustentável manter a separação corpo e alma - O penso, logo existo de Descartes, somado a todos os pensadores que forjaram a estrutura e o funcionamento do Ocidente, tem se mostrado ineficaz ao longo dos anos para dar conta da comp…

BURN OUT: QUANDO O CORPO PEDE SOCORRO!




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Você fez um bom trabalho! Geralmente esta é uma das senhas para começar a estabelecer para si mesmo metas mais audaciosas em nome da superação pessoal. Perceber-se valorizado no trabalho pode gerar no indivíduo um sentimento de obrigação de corresponder sempre às expectativas, um modo de ganhar cada vez mais a confiança do chefe e da equipe.

Acontece que neste movimento, aliado a jornadas de trabalho muito pesadas, somado a pressões e cobranças externas e internas, a mente começa a falhar. Dores crônicas, taquicardia e até apagões mentais passam a acontecer e neste momento o indivíduo começa a desenvolver a chamada síndrome de burn out.

É uma roda viva que o indivíduo entra pela busca incessante de resultados, cumprimento de metas etc. Os prêmios e o respeito da equipe fazem que não se perceba os sinais de alerta do organismo reduzindo a rotina, procurando ajuda, e sim, vendo nestes sinais algo sem muita importância. O sujeito vende as férias ou tira apenas poucos dias, mas quando se ausenta não consegue "desligar" e nestes casos pode ocorrer depressão, ataques de ansiedade.

Diminuir o ritmo, admitir que algo está "errado", buscar tratamento é um desafio a ser vencido, Uma pesquisa feita pela sede brasileira da International Stress Manager com mil profissionais identificou que 72% dos entrevistados sofriam com estresse, sendo que 30% deles apresentavam burnout. Em primeiro lugar está o Japão e o Brasil vem em seguida. 

Tarefas corriqueiras como ler um e-mail vão ficando comprometidas pois é como  se houvesse a perda das funções cognitivas com lapsos de memória, dificuldade de compreensão, o que acaba gerando baixa produtividade. O tratamento envolve medicamentos contra a ansiedade (ansiolíticos) e antidepressivos.

A pessoa que se sente injustiçada e sem reconhecimento no trabalho também faz parte do grupo de risco que favorece o surgimento da síndrome.. A sobrecarga pela falta de equipamentos e  equipe reduzida levando à execução de tarefas além das responsabilidades do funcionário, também contribuem para o seu desenvolvimento. Sem falar no conflito de valores entre funcionário e empresa como um forte motivador - É o caso daquela pessoa que sabe  que o produto é ruim, mas precisa vendê-lo para garantir o salário.

Profissionais que possuem a tarefa de cuidadores como médicos e professores também têm sido afetados. São pessoas que tem como tarefa ajudar os outras, mas não conseguem cuidar de si mesmos . Jovens na faixa de 25 a 30 anos também já começam a apresentar alto nível de estresse crônico. Geralmente sofrem com muita cobrança e o desejo de abraçar o mundo..


Quem é responsável?

Resultado de imagem para burnoutUm trabalho de conscientização é importante para perceber a complexidade da síndrome que se não tratada pode levar a resultados irreversíveis causando forte impacto na produtividade e outros encargos relativos ao abandono do trabalho. Reconhecer os sinais e trabalhar rapidamente para evitá-los e uma iniciativa essencial. Equilibrar a vida pessoal com a profissional continua sendo a medida de prevenção mais importante. Boa alimentação, atividade física, bom sono, lazer se somam aos cuidados a serem tomados..

Afinal, de quem é a culpa? É pensar numa corresponsabilidade. Ter atenção com o perfeccionismo e as críticas internas. Fazer tudo correndo sem perguntar os prazos também precisa ser repensado. Não há também como não questionar a cultura das empresas.  É preciso questionar se vale à pena levar o funcionário à exaustão com horas extras pois pode custar muito caro substituí-lo

Embora o estresse já ganhou espaço de algum  modo  nas agendas das empresas há tempos a síndrome do burnout ainda não é tão conhecida e as áreas de RH devem disseminar estas informações, orientando sobre sintomas e tratamento.

Programas de qualidade de vida podem ser uma boa inciativa. Os profissionais devem pedir ajuda, negociando sua ausência do trabalho por uns dias, antecipando férias quando possível. É vital tratar este assunto com naturalidade, oferecendo auxílio necessário sem discriminar o profissional. Trabalhadores estressados gastam muito mais em saúde, o que causa prejuízo às empresas.

O burnout é um alerta de AVC, é o corpo  pedindo socorro. A atenção com os limites do corpo é um aprendizado que vai além das relações de trabalho.

Regina Bomfim

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