JANEIRO BRANCO: MÊS DA SAÚDE MENTAL, SAÚDE MENTAL SEMPRE

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Falar de saúde mental é compreender que esta é, sem medo de ser audaciosa em minha posição, o território, o recurso natural, a tecnologia mais valiosa da existência que cabe ao ser humano explorar. Como ainda somos estrangeiros dentro de nós mesmos, apesar dos  importantes avanços que somos capazes de criar. 

As perspectivas de crescimento dos transtornos mentais e seus inegáveis danos à saúde e à produtividade por cada vez mais incapacitarem ao trabalho e ao desfrutar da vida, torna-se cada vez mais algo que não mais pode ser ignorado, daí a iniciativa de transformar o mês de Janeiro no mês da Saúde Mental -  JANEIRO BRANCO.

Em muitas ocasiões o PSICOLOGIA EM FOCO falou sobre o quanto se tornou insustentável manter a separação corpo e alma - O penso, logo existo de Descartes, somado a todos os pensadores que forjaram a estrutura e o funcionamento do Ocidente, tem se mostrado ineficaz ao longo dos anos para dar conta da comp…

SOBRE A AMBIÇÃO DO AVANÇAR DO TEMPO E SUAS RESPOSTAS: UM TOQUE DE ARTE





Mudança de Idade

 Para explicar os excessos do meu irmão a minha mãe dizia: 
está na mudança de idade. 
Na altura, eu não tinha idade nenhuma 
e o tempo era todo meu. 
Despontavam borbulhas no rosto do meu irmão,
 eu morria de inveja enquanto me perguntava: 
em que idade a idade muda? 
Que vida, escondida de mim, vivia ele? 
Em que adiantada estação o tempo lhe vinha comer à mão? 
Na espera de recompensa, eu à lua pedia uma outra idade. 
Respondiam-me batuques mas vinham de longe, 
de onde já não chega o luar. 
Antes de dormirmos a mãe vinha esticar os lençóis 
que era um modo de beijar o nosso sono. 
Meu anjo, não durmas triste, pedia. 
E eu não sabia se era comigo que ela falava.
 A tristeza, dizia, é uma doença envergonhada. 
Não aprendas a gostar dessa doença. 
As suas palavras soavam mais longe que os tambores nocturnos. 
O que invejas, falava a mãe, não é a idade.
 É a vida para além do sonho.
 Idades mudaram-me, 
calaram-se tambores,
 na lua se anichou a materna voz.
 E eu já nada reclamo. 
Agora sei: 
apenas o amor nos rouba o tempo. 
E ainda hoje estico os lençóis antes de adormecer.

Mia Couto

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