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ADOLESCÊNCIA E SEXUALIDADE: "PAPO RETO" NUM CAMINHO POUCO EXPLORADO



Por Regina Bomfim

O intuito deste texto não é fazer uma descrição pormenorizada do fenômeno da adolescência por considerar que o leitor neste contexto não está em busca de definições técnicas detalhadas que certamente podem ser instrutivas, mas também podem produzir em quem lê um sentimento de se sentir anormal ou de satisfação por estar vivenciando uma ou outra etapa. 




A Organização Mundial de Saúde estabelece que em geral, a adolescência ocorre entre 10 e 20 anos, não podendo ser definida ainda com exatidão o início e o fim desta etapa. Vale definir apenas a diferença entre adolescência e puberdade, pois em geral ainda há confusão. A puberdade é a fase inicial da adolescência com transformações físicas e biológicas evidentes acontecendo aproximadamente entre os 10 e 13 anos nas meninas e os 12 e 14 anos nos meninos. Cada corpo é um corpo e isso pode ser diferente para cada um. 

 A descoberta da sexualidade pode ser suave ou difícil, dependendo de como as pessoas do seu meio mais próximo vivenciam a sua própria sexualidade e entendem este momento.

 Adolescência - processo amplo e complexo de transformações bio-psico-sociais que dão início ao desenvolvimento da identidade, com maior liberdade e ampliação da sua vida social que começa a ser mais valorizada que as relações familiares. O sexo vem como um dos elementos desta liberdade tão desejada algumas vezes e ainda sendo construída em sua significação e experiências. 

Rodeados de muitos estímulos externos que exaltam a juventude, mas ao mesmo tempo sem espaço na sociedade, o/a jovem é uma voz em desenvolvimento que busca ser ouvida além das incompreensões do seu momento de vida, das demandas consumistas e do desejo de continuidade social. 

  Há muitas outras visões do ser humano em psicologia, mas a psicanálise é a mais conhecida. É importante reconhecer o valor destes saberes pioneiros por darem visibilidade a processos iniciais e intermediários do desenvolvimento humano. Vale citar um dos expoentes desta abordagem no estudo da adolescência. Segundo Aberastury, " ​t​oda a adolescência tem, além da característica individual, as características do meio cultural, social e histórico desde o qual se manifesta, e o mundo em que vivemos nos exige mais do que nunca a busca do exercício da liberdade sem recorrer à violência para restringi-la. “. A proposta destes escritos é, pois buscar compreender que há Adolescências. 

 Imagine que em meio a todo esse vasto mundo de estímulos que se abrem para o (a) jovem, vem o sentimento de uma sexualidade cujo afeto vai por direções diferentes do que é socialmente aceito? E quando o corpo e a alma que se tem não aceitam o gênero que está na carteira de identidade? Uma confusão enorme que nem sempre pode ser falada abertamente, pois, mesmo o/a jovem cujo afeto vai na direção do social, fazer uma pergunta sobre sexo pode receber uma resposta natural e a conversa ir bem ou pode produzir muito desconforto. 

O que falar de um (a) jovem que se sente fora do "esquema"? Pode ser tranquilo, mas também muito difícil. E o pior é quando estas incompreensões somadas nem tanto à desinformação, mas a ideia do não vai acontecer comigo, além do mais ninguém hoje morre de AIDS (sem falar no crescimento da sífilis, mas isso é outra conversa), empurrando  o jovem para situações de risco. 

 O Brasil já foi referência mundial no tratamento da AIDS e hoje o que se vê é o aumento de casos entre jovens e uma estabilidade no mundo. A ideia de epidemia sob controle produziu um tipo de efeito contrário que o país ainda busca entender para reverter este processo. 

 Recebi um panfleto e preservativo que falava de um projeto de diversidade sexual, saúde e direitos entre jovens, a Abiaids. Neste panfleto tinha atividades como rodas de conversa, oficinas de teatro, debates sobre temas atuais, entre outras. 

O foco é na prevenção, tratamento e assistêncIa para todas as formas de expressão do afeto. Acessei o site e me pareceu um trabalho interessante, sério. É sempre válido abrir um canal de diálogo com os jovens que são discriminados pela não normatividade sexual serem ouvidos com respeito, tirarem dúvidas etc. Quem tiver a oportunidade de conhecer me conte, inbox ou nos comentários conforme achar melhor, ok?



 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

 ABERASTURY, Arminda & KNOBEL, Maurício. Adolescência normal: Um enfoque psicanalítico. Porto Alegre: Artes Médicas, 1981.

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