11 de dez de 2017

SOBRE AS FESTAS DE FIM DE ANO






"(...)

Muita coisa a gente faz
seguindo o caminho que o mundo traçou,
seguindo a cartilha que alguém ensinou
seguindo a receita da vida normal.


Mas o que é vida afinal?

Será que é fazer o que o mestre mandou,
é comer o pão que o diabo amassou,
perdendo da vida o que tem de melhor?"


Carlos Colla e Gilson - autores da canção Verdade Chinesa


O fim de ano chegou e está aberta a temporada das festas. Os enfeites, o movimento nas ruas, as propagandas quase sempre com o cenário da família numerosa, feliz e com uma mesa farta. Este é o modelo de festas que costumamos ter em mente ou que nos ensinam a considerar "o perfeito" e algumas pessoas fazem grandes sacrifícios para se enquadrar. Todavia importa pensar em quem não pode cumprir à risca este modelo.

As festas de fim de ano são para algumas pessoas no mundo, catalizadoras de processos depressivos. A onda de comemorações que em geral motivam reuniões familiares e de amigos, costumam causar profunda angústia para pacientes com histórico de depressão, pessoas que atravessam perdas e cidadãos que não conseguem obedecer a todos os rituais de consumo ou que até conseguem seguir este consumismo, mas não conseguem calar suas angústias. As depressões constituem espectro amplo e multietiológico (múltiplas causas) de transtornos mentais comuns que envolvem aspectos sociais, individuais, biológicos que conspiram gerando agravos à saúde.

Ser feliz nestes períodos é como uma obrigação e se a pessoa observa que não está feliz como todas as outras pessoas, começa a pensar que algo está errado com ela. Muitas pessoas não entram no "espírito natalino ou do reveillon", não sentindo a mesma alegria que as outras pessoas. Esta falta de entrosamento com o que seria esperado seria um pouco o mesmo sentimento da pessoa que vai para casa sozinho numa sexta-feira à noite e pensa: estou indo para casa sozinho enquanto todo mundo está se divertindo.

Por isso que nestes períodos de festas de final de ano, pode ser ao mesmo tempo um período ansiosamente esperado por alguns e extremamente temidos por outros, depressivo, angustiante. Muitos esperam que tudo isso se acabe para logo retornarem à rotina normal, confrontado também nesta época do ano pela frustração das metas que não foram cumpridas. Tudo pode se referir sobre a ansiedade e medo do que vai acontecer ou o que não vai acontecer, pois este é o ponto central: a frustração de não acontecer nada, não receber amigos, presentes, não se perceber importante para ninguém, assim como também não ter mais por perto as pessoas amadas por morte ou término de relacionamento. Os sentimentos de fracasso podem surgir de todos os lados.

O período das festas é considerado um período pretensamente feliz, mas para muitas pessoas pode ser altamente estressante até pelo simples fato de sair da rotina e o estresse é o principal fator de risco para a ocorrência de doenças.

Ele produz dois hormônios: a adrenalina um estimulante que acelera o metabolismo, o ritmo cardiovascular e causa insônia; e o cortisol, que aumenta a resistência à insulina, diminui a imunidade e aumenta o risco de gastrite.

Nem sempre uma pessoa que tem depressão é aquela que vive prostrada num quarto escuro, pelo menos no início. Depressão, ansiedade e estresse podem ocorrer juntos por um acúmulo de sentimentos e experiências pois, o indivíduo não se permite observar seus sentimentos. 


Esta depressão, ansiedade e estresse de fim de ano pode ser canalizada para que o indivíduo comece a perceber o que está fazendo da sua vida, o que é essencial. Reiterar ou construir novas metas de curto, médio e longo prazo pode ser útil. Há os que nada planejam, deixam acontecer. Estas metas podem ser acrescidas de coisas simples como mais caminhadas na praia, sorrir mais, começar uma conversa com um estranho, ouvir o canto dos pássaros, respirar  profundamente prestando atenção neste ato...

 Mesmo que suas festas não tenham todos os itens das mesas fartas (o meu não tem), que as pessoas que amava não estão mais por perto e que tudo deu mais errado do que certo, que ninguém liga para você, há no meio disso tudo um grande presente que a cada dia você recebe, recebemos - que é a Vida, o fato de estar vivo, sendo a pessoa única, inigualável que é. Enquanto há vida, há sempre o jogo que você pode "ganhar de virada", aquele "pênalti" inesperado que vai te favorecer cedo ou tarde. Essa partida é sua!

 Que o trecho desta canção abra  portas de reflexões muito ricas e que o saldo seja de mais saúde e integridade em todos os momentos.



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Feliz Ano Novo (o post é de 2013, mas vale a leitura) 



Regina Bomfim

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6 comentários:

  1. Oi Regina,
    Adorei o texto. Minha festa de natal depende dos amigos, pois minha família é muito pequena, mas tenho lidado bem com isto, já o consumismo desta época tem me matado, pois fui atingida de cheio por esta crise este ano.
    Bjs

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    Respostas
    1. Oi Betty, que cada um tenha o seu período de festas à sua maneira com aquilo que de fato importa para si mesmo, pois o que na minha opinião, deve estar mais em evidência é celebrar a Vida com quem de fato importa estar do lado, mesmo que seja a própria companhia apenas.

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    2. Oi Betty,
      O bom, na minha opinião, é as pessoas se sentirem à vontade para viverem o seu período de festas da forma que for melhor para si. No seu caso, sua família não é numerosa e você conta mais com seus amigos. No meu caso, sou viciada em rabanada e no frango assado que nem precisa ser Chester, isso pra mim é o meu tem que ter. Meu cardápio além disso pode ser qualquer um. Cada um vive do seu modo, o gostoso para mim é celebrar a Vida. É um tempo que fico mais introspectiva... Beijos

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