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O ENVELHECER




Dia desses, caminhando na rua, uma senhora passou por mim. Parecia que pensava alto ao dizer enquanto descia  alguns degraus:
- Aproveitem a juventude porque a velhice é horrível.

Segui meu caminho com as palavras dela ecoando dentro de mim, porque sua fala me fez pensar em como estou percorrendo este caminho. Há diversos modos de se relacionar com a passagem do tempo e aqui não vai nenhum julgamento, tampouco ditar o que é certo ou errado neste caso.

Porque saber sobre o que é certo ou errado de algo, em muito pouco ou quase nada altera o sentimento que se tem, fruto de um conjunto de experiências que nos fizeram ser quem somos e as decisões tomadas. As pessoas só mudam quando algo dentro delas faz um novo sentido.

Falar de envelhecimento - Terceira, Quarta idade, não é tratar desta fase da vida apenas com os seus aspectos culturais, biológicos. psicológicos e outras dimensões como algo distante, mas compreender que ao nascer, a "ampulheta do Tempo" já começa a agir.

Cada um de nós a cada dia se aproxima do envelhecimento e da morte e isto envolve pensar em como se deseja encarar esta etapa sob a perspectiva de que ela está se construindo no aqui e agora de nossos dias.

E nisso me vem à mente a fala da mulher na rua. O que a levou pensar assim? Como foi sua vida? Não saberemos, mas podemos saber o que isso significa para nós, se este assunto merece nossa atenção. Ou não.

Como dissemos, há diversos modos de viver o envelhecer. Há pessoas que mesmo idosas preenchem suas vidas de novos propósitos querendo aprender e celebrar a vida, porque o envelhecimento pode também significar um momento para cuidar de si mesmo após o cumprimento das tarefas sociais. O crescimento pessoal pode ser um anseio em qualquer fase da vida.

Falar de envelhecimento é também falar da morte. A morte, na verdade pode acontecer a qualquer momento. Saber-se mortal pode ser algo capaz de produzir novos significados à nossa existência. Porque é tudo, ao mesmo tempo e agora.

Regina Bomfim

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Lema - Nei Matograsso (Compositor:Carlos Rennó E Lokua Kanza)


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  Por Rogério Miranda de Almeida - Doutor em filosofia pela Universidade de Metz (França) e em Teologia pela Universidade de Estrasburgo. Professor no Programa de Pós - Graduação da Pontíficia Universidade Católica do Paraná (PUC- PR). Publicou os seguintes livros: Nietzche e Freud - Eterno Retorno e Compulsão à Repetição (2005); Eros e Tânatos: A Vida, A Morte, o Desejo (2007). Todos pela Edições Loyola. O ensino da filosofia, uma das mais nobres tarefas pedagógicas, é ao mesmo tempo uma das mais difíceis. Difícil porque, dada a própria origem da filosofia ocidental - cujo berço é a Grécia e, mais precisamente, a costa Jônica do séc 6 a.C -, a questão em torno da qual ela girava era do ser enquanto ser. Em outros termos, indagavam-se os jônicos: por que, a despeito do nascimento, da corrupção e da morte das coisas sensíveis, tudo permanece como se fosse o mesmo? Deve, pois, haver - completavam esses estudiosos da natureza - por trás do mundo fenomênico algo que nem enve...