JANEIRO BRANCO: MÊS DA SAÚDE MENTAL, SAÚDE MENTAL SEMPRE

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Falar de saúde mental é compreender que esta é, sem medo de ser audaciosa em minha posição, o território, o recurso natural, a tecnologia mais valiosa da existência que cabe ao ser humano explorar. Como ainda somos estrangeiros dentro de nós mesmos, apesar dos  importantes avanços que somos capazes de criar. 

As perspectivas de crescimento dos transtornos mentais e seus inegáveis danos à saúde e à produtividade por cada vez mais incapacitarem ao trabalho e ao desfrutar da vida, torna-se cada vez mais algo que não mais pode ser ignorado, daí a iniciativa de transformar o mês de Janeiro no mês da Saúde Mental -  JANEIRO BRANCO.

Em muitas ocasiões o PSICOLOGIA EM FOCO falou sobre o quanto se tornou insustentável manter a separação corpo e alma - O penso, logo existo de Descartes, somado a todos os pensadores que forjaram a estrutura e o funcionamento do Ocidente, tem se mostrado ineficaz ao longo dos anos para dar conta da comp…

Atavismo médico



(O que está na imagem já ocorre pelo menos no meu plano...)

Após uma década de tramitação permeada por verdadeira guerra entre corporações, aproxima-se da votação final o projeto de lei que define o ato médico. Se não houver novas intercorrências, a proposta vai ao plenário do Senado em março e daí a sanção presidencial.

Verdade que o projeto atual é um pouco melhor do que sua versão inicial, mas ele ainda conserva traços excessivamente corporativistas. Uma interpretação literal do artigo 4°, III, parágrafo 4°, por exemplo, torna-se exclusividade de médicos fazer tatuagens, instalar piercings e fazer acupuntura.


Também é complicado em pleno século 21 marcado pelo esmaecimento das fronteiras entre vários ramos da ciência, aceitar o inciso III do artigo 5°, que torna privativo de médicos o ensino de disciplinas médicas.

Se os próximos grandes avanços vierem, como se imagina da nanotecnologia e das células-tronco, teremos cada vez mais físicos, engenheiros, biólogos, biomédicos com conhecimentos e técnicas relevantes para ensinar médicos.

A principal falha do projeto, entretanto não está nesses exageros corporativistas, com grande possibilidade de engrossarem o rol das "leis que não pegam". O próximo texto aliás, diz que aplicação da norma, deverá resguardar " as competências próprias" de outras profissões relacionadas à saúde.

O erro fundamental da proposta é mais profundo. ela parte do falso pressuposto de que a saúde é um feudo a ser repartido entre as diversas categorias profissionais e, assim, tenta reservar ao médico o papel de suserano.


Ninguém duvida sem contestar que os médicos sejam a peça mais fundamental de qualquer sistema de saúde. São eles, afinal, os detentores do conhecimento. Anda assim a máquina só funciona se todas as engrenagens estiverem operando em conjunto.

Os países mais desenvolvidos discutem novas formas de integrar e imprimir eficiência à equipes de saúde, mas no Brasil enfrenta-se as dificuldades contemporâneas com uma anacrônica demarcação de território. É um projeto com resposta do século 20 para as necessidades do século 21.

Fonte: Folha de São Paulo - Editoriais (03/01/13)

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