UM PAPO SOBRE ECONOMIA

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Será que para ter afeto, se sentir respeitado, você precisa abrir mão de si mesmo? Será que na economia dos sentimentos acaba sempre sendo um preço muito caro a ser pago?

Regina Bomfim



A Arte liberta




Hamilton Vaz Pereira

Fonte: Revista O Globo

O Brasil vive um bom momento, os indicadores sociais e econômicos o atestam, apesar das encrencas insolúveis. Vivi a juventude na ditadura militar e o começo da vida adulta na era Collor, épocas em que o Estado não tolerou a imaginação e o pensamento e resolveu acabar com a raça de artistas, cientistas e filósofos. Nesse domingo, pensando nos filhos e netos daquela geração, parece que a vida brasileira melhorou em diversos aspectos. Vamos aproveitar a chance de fazer daqui um bom lugar para viver? Ou depois da Copa e das Olimpíadas vamos descobrir que os fundamentos da nossa economía não eram fortes e os últimos anos não foram tão melhores?


Você, na praia dominical, diante de um churrasco memorável ou fazendo sexo veraneio, concorda que crescimento econômico não é qualidade de vida e que lucro não é ápice da existência? Pois, então, somos uma megaeconomia, convivemos com uma concentração de renda tipo Serra Leona e uma tragédia social imensa. É assim. Para ser de outra maneira, precisamos de diversos saberes e trabalhar muito. Não se produz bem-estar sem arte, ciência e filosofia. O mundo precisa de gente capaz de avaliar o velho problema e praticar a nova solução. Tratar a arte como supérflua não cola. em épocas sombrias, repiramos Chico, bebemos Glauber, devoramos Cacilda. Fala Mangueira!

A imaginação e o pnesamento crítico, entre outros benefícios, fortalecem a capacidade de se colocar no lugar do outro e de dialogar com o diferente. Isso é bom porque o mundo está cheio de intolerância, incapaz de suportar o que não é semelhante. A arte prepara para viver a diferença. Desde os antigos festivais gregos, o teatro estimula o cidadão para além do mundo civilizado e da vida medíocre. O espectador descobre o assunto da cena observando pontos de vista de diversos personagens. E tudo com a grande vantagem: ninguém mata ou morre de verdade. Não é o máximo?

Agora que o mundo presta atenção nesta província e a Copa e as Olimpíadas se aproximam, é legal que o carioca exercite seu dom da hospitalidade apresentando aos brasileiros e estrangeiros de todas as partes espetáculos que afirmam diversas maneiras de estar na vida. Há bons motivos para ir ao balé, ao cinema, às artes plásticas; são atividades que enriquece a pessoa, são tônicos para a sociedade, favorecem os negócios da cidade. Mas o público tem que chegar junto, e os responsáveis precisam reabrir nossos teatros com segurança e rapidez.

Que tal agora escolher o que você vai assistir hoje? Chama o amigo para ver "Oréstia", convida a gata para assistir a "O desaparecimento do elefante", leva a sogra pra ver "Esta criança". Sairam de cartaz? Mas, já? Força para que voltem. O palco estimula o cara a não seguir a manada de búfalos. Se você não é um pernóstico da existência, uma dorminhoca com coisas mais importantes para fazer, vai gostar de estar na platéia. 

Neste verão, verdadeiros antídotos contra contra a mediocridade, estão nos palcos. entre vários, "Jacinta". O teatro que tem Andréa Beltrão e Aderbal Freire Filho em atividade merece amor e mais amor. Viva o Walmor Chagas e Mané Garrincha. Uma oração para Santa Maria. E bom domingo a todos!

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