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NAS ENTRELINHAS DA VIDA



Para mim sempre é bom ter na vida alguns momentos de contato com alguma manifestação de arte. Isso me inspira como ser humano, pois é mais uma oportunidade de exercitar a sensibilidade. A música sempre foi a arte que sempre me disse mais alto. Gosto de cantar e ouvir cada detalhe do arranjo, o lugar de cada instrumento.

NAS ENTRELINHAS DA VIDA


Na semana passada, fui a um show com um grupo de pessoas que conhecia mais de perto só uma. Éramos seis pessoas e na hora de escolhermos o lugar, sentei-me perto de uma das pessoas que não conhecia. Foi uma conversa saborosa (como é bom conversar!). Tem conversas que fluem de modo tão agradável! (falo de algo conhecido por todos. Não estou publicando nada confidencial). Ela contou sobre um neto cadeirante que cuida e a tem ensinado tanto, as dificuldades enfrentadas por uma doença degenerativa, do quanto o primeiro contato com este problema foi algo que desestabilizou a família.

Com o tempo, todos acabaram percebendo que era necessário aceitar para dar ao jovem o melhor. Ele faz faculdade e a despeito de sua situação, procura levar uma vida bastante perto do normal, pois tem uma vitalidade que aceita bem tudo que vive. Ele acabou sendo um elo de amor naquela família que precisou aprender a lidar com esta questão..

O que me fez pensar em escrever este texto é não para ser um texto falando de "superação", mas de uma frase dita por mim no meio da conversa que me fez parar e pensar. Eu disse a ela: a vida pode ser uma experiência maravilhosa se nos dispusermos a ler nas suas "entrelinhas".

Sim, a vida pode ser mais rica quando nos dispomos a ler nas suas entrelinhas. O que chamamos de entrelinhas? As entrelinhas são a morte de um ente querido, as entrelinhas são os problemas financeiros, as incompreensões, um amor que se foi, um amigo infiel, uma doença... Estas entrelinhas costumam deixar os nossos olhos rasos d´água, o que dificulta por um tempo nossa visão. Tudo bem, nada de errado com isso.

Muitas vezes o que ocorre é o não querer olhar para dentro," ler" o material que vem sendo escrito, acertar a pontuação, usar palavras sinônimas, para que não se use a mesma palavra...

Há uma história que se escreve em tudo, todo tempo. Sabe a frase de Jesus, "olhos de ver, ouvidos de ouvir"? É esse árduo exercício de sair da superfície; da alegria que inebria, da dor que constrange porque não vale só "escrever", atuar o tempo todo, mas importa ler. O que você tem escrito no livro da sua vida? Há espaço para a leitura daquilo que é escrito?

Regina Bomfim

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QUESTIONAR E ENSINAR

  Por Rogério Miranda de Almeida - Doutor em filosofia pela Universidade de Metz (França) e em Teologia pela Universidade de Estrasburgo. Professor no Programa de Pós - Graduação da Pontíficia Universidade Católica do Paraná (PUC- PR). Publicou os seguintes livros: Nietzche e Freud - Eterno Retorno e Compulsão à Repetição (2005); Eros e Tânatos: A Vida, A Morte, o Desejo (2007). Todos pela Edições Loyola. O ensino da filosofia, uma das mais nobres tarefas pedagógicas, é ao mesmo tempo uma das mais difíceis. Difícil porque, dada a própria origem da filosofia ocidental - cujo berço é a Grécia e, mais precisamente, a costa Jônica do séc 6 a.C -, a questão em torno da qual ela girava era do ser enquanto ser. Em outros termos, indagavam-se os jônicos: por que, a despeito do nascimento, da corrupção e da morte das coisas sensíveis, tudo permanece como se fosse o mesmo? Deve, pois, haver - completavam esses estudiosos da natureza - por trás do mundo fenomênico algo que nem enve...