29 de mar de 2011

Solidão

Solidão pode causar mais males à saúde que obesidade e tabagismo
Roberta Jansen

A solidão aquela sensação ruim de ser incompreendido, de não poder
contar com ninguém, de estar só no mundo, pode causar mais males à
saúde do que a obesidade e o tabagismo, tradicionalmente ligados a
problemas cardíacos e cânceres, entre diversos outros problemas. Mas
enquanto os dois últimos são fatores de risco muito bem estabelecidos
do ponto de vista médico e aceitos pela sociedade, o isolamento social
raramente é analisado num contexto mais amplo, como potencial
detonador de doenças.


Uma nova linha de pesquisa, no entanto, coordenada pelo psicólogo Jonh
T. Cacioppo, diretor do Centro de Neurociência Cognitiva e Social da
Universidade de Chicago, sugere que somos muito mais interdependentes
do que costumamos acreditar. Para Cacioppo, "a necessidade de vínculo
social significativo, e a dor que sentimos sem ele, são
características definitivas da nossa espécie", moldados por anos de
evolução. Ou seja, o isolamento social involuntário é tão contrário a
natureza humana que pode ter um impacto devastador sobre a saúde. Não
só do ponto de vista psicológico, mas também físico.
- A solidão está relacionada ao mau funcionamento do sistema
imunológico, ao aumento da pressão senguínea, à elevação dos níveis de
hormônios do estresse, a um sono ruim, ao alcoolismo, ao uso de drogas
e mesmo a alguns tipos de demência em pessoas mais velhas - afirma
Cacioppo, em entrevistas a O GLOBO.
- Os indícios são tantos que a solidão já pode ser considerada um
fator de risco para a saúde tão serio quanto a obesidade e o
tabagismo.


O maior problema, segundo o cientista, é que a solidão é muito
estigmatizada. Ainda mais que o hábito de fumar e o excesso de
gordura.
- A solidão ainda é vista pela maioria das pessoas como uma defasagem
pessoal ou uma fraqueza - diz o especialista - E, como há esse
estigma, os afetados tendem a negá-la ou ignorá-la. Os que não sentem
solidão, por sua vez, tendem a vê-la como um problema dos outros.


Embora não seja necessariamente fácil perder peso ou parar de fumar,
há tratamentos fundamentados cientificamente para ambas condições
inteiramente aceitos pela comunidade médica e que se revelaram
eficazes em milhões de casos. Mas a solidão no entanto, pouca gente
sabe como tratar. Não se trata de uma doença propriamente, esclarece
Cacioppo. Mas de uma condição intrínseca do ser humano como a sede e a
fome.


No livro "Solidão - A natureza humana e a necessidade de vínculo
social" (Ed.Record) escrito com o jornalista William Patrick, o
cientista argumenta que o homem evoluiu para maximizar suas chances de
sobrevivência por meio da colaboração social. "Como os primeiros
humanos tinham mais chance de sobreviver quando se mantinham juntos, a
evolução reforçou a preferência por fortes laços, ao selecionar genes
que favorecem o prazer da companhia e produzem inquietude quando se
está involuntariamente desacompanhado."Em outras palavras, a
necessidade humana de companhia está marcada em nossos genes. E por
isso mesmo, é tão vital. Não por acaso, ele cita até hoje o maior
castigo imposto no sistema carcerário é o isolamento na solitária.


A intensidade da dor do isolamento, no entanto, pode variar de pessoa
para pessoa. O importante segundo Cacioppo, é encontrar um ambiente
social adequado ao seu grau de sensibilidade.
- Cerca de 50% da capacidade de sentir solidão é hereditária, mas isso
não significa que seja determinada pelos genes. Um percentual similar
está relacionado a fatores ambientais. O que parece ser hereditário,
no entanto é a intensidade da dor que cada um sente ao se ver
socialmente isolado. Há pessoas mais sensíveis e outras menos
suscetíveis - diz o cientista - O importante é estar num ambiente que
esteja de acordo com sua predisposição de sentir a dor do isolamento
social.
Quem é especialmente sensível deve priorizar o desenvolvimento e a
manutenção de relacionamentos de alta qualidade em nome de sua saúde e
do bem-estar.


Pessoas muito sensíveis por acaso expostas a situações problemáticas
como morte ou separação - podem ter problemas mais sérios. Um ciclo
vicioso pode se instalar, alterando a percepção da pessoa e fazendo
com que ela destorça as tentativas dos outros de incluí-las. As
pessoas podem se tornar cada vez mais desconfiadas, pessimistas e
isoladas. A depressão pode se instalar levando, até mesmo, a morte
prematura.
- A depressão é uma síndrome, um conjunto de sintomas que inclui falta
de prazer, falta de vontade de fazer coisas, falta de interesse pela
vida, de alegria, muitas vezes acompanhado de tristeza, insônia, falta
de apetite - explica a psiquiatra Nina Rosa Furtado, da PUC-RS.
- A solidão pode levar à depressão se perdurar por muito tempo ou pode
ser causada por ela.


Por outro lado, argumenta o especialista, a dor provocada pela solidão
é importante justamente para nos tirar do islamento social, nos forçar
a buscar companhia;
- Medicamentos não são a forma de resolver a sensação de solidão. Se
você toma remédios para não sentir dor, por exemplo, você pode acabar
se machucando sem sentir (os seus sensores de dor estão menos
sensíveis por causa das drogas), provocando sérios danos a seu corpo -
afirma Cacioppo. - Da mesma forma, se você tomar remédios para não
sentir solidão, sérá menos capaz de perceber relações sociais frágeis
e menos motivado a alterar tais conexões. Ou seja, você pode terminar
drogado e sem apoio social de que precisa para sobreviver e prosperar.


O cientista frisa que, justamente por ser parte tão fundamental da
forma de o homem se relacionar, a sensação da solidão invariavelmente
será sentida em algum ponto da vida. Isso não significa, no entanto,
que a pessoa esteja cronicamente solitária - da mesma forma, sentir
algum tipo de dor eventualmente não quer dizer que alguém sofra de dor
crônica. A solidão só é considerada crônica se perdura por meses ou
anos.



A IMPORTÂNCIA DE FICAR SÓ - Isolamento pode ser voluntário e saudável


Num mundo cada vez mais repleto de estímulos, de pessoas estressadas,
que trabalham cercadas de gente e imersas em barulho, estar só por
alguns períodos pode ser muito positivo. Psicólogos e psicanalistas
explicam que ficar só não significa estar sofrendo de solidão; muito
pelo contrário. E da mesma forma, sofre pela sensação de isolamento
pode ocorrer mesmo entre quem vive acompanhado.
- Estar só é algo que o sujeito escolhe para si, em condição de
autonomia, buscar momento para estar sozinho, para ver televisão, para
ler um livro, para não fazer nada - explica a psicanalista Mônica
Macedo da PUC-RS.


A psiquiatra Nina Rosa Furtado concorda com a colega:
- É quando você chega em casa, vê que não tem ninguém e aquilo te dá
um alívio. É que você, na verdade, está acompanhada por dentro,
repleta de objetos amorosos, de amigos, colegas, parentes - afirma -
Isso é extremamente saudável, ficar consigo, curtir uma música.


Uma situação muito diferente da solidão.
- A solidão tem uma intensidade muito maior, é relacionada ao
sentimento de não pertencer a um grupo, a uma sociedade, a um lugar. É
uma experiência de desamparo, de sentir incapaz de estabelacer
vínculos com outras pessoas e de desfrutar das coisas que estes
vínculos trazem - Afirma Mônica.


Por outro lado é possível sentir solidão mesmo quando se está acompanhado.
- Pessoas que constituem família não são necessariamente mais felizes.
Assim como viúvas podem não viver na solidão. Uma das coisas mais
importantes no desenvolvimento emocional é adquirir a capacidade de
ficar só.

Fonte: Jornal O GLOBO Caderno Saúde - 27/03/2011
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27 de mar de 2011

Quem eu sou?





Quem eu sou?
Como posso identificar em mim aquilo que eu sou de verdade e aquilo que querem que eu seja? 
Em que momento deixo de existir na minha essência e passo a ser aquilo que me moldaram?
Quem nasci? Quem sou? Quem quero ser? Até que ponto não sou um produto daquilo que o dinheiro pode comprar?
Quantas capas tenho que despir até poder me reconhecer?
Quem é esta pessoa que o espelho reflete?
Quantas caras, quantas bocas possuo?
Quem sou eu afinal?

Sara leu seu texto de um só fôlego, diante da turma silenciosa e atenta. À medida que Sara lia, os rostos à sua volta iam se tornando sérios e reflexivos, como que buscando o sentido de cada palavra.
Ela parou de ler e todos os olhares se voltaram para o professor.
- Muito bem Sara... - Ele falou, e tomou seu lugar à frente da classe.


Este é um trecho de um livro que li recentemente, mas destaquei como fonte o site da autora.  Num link, é possível ler trechos do livro que fala de uma adolescente com uma irmã gêmea. O seu incômodo era a extrema semelhança com a irmã Clara a ponto de todo momento ser confundida por todos. 
A questão de gênero como formação de identidade é o tema central do livro cujos principais acontecimentos são numa escola com um educador de artes plásticas que estimula a criatividade dos alunos, encorajando-os  a desenvolverem plenamente as suas potenciaidades.  
A construção da identidade sob o ponto de vista psicológico, ouso dizer não me parece ser um fato universal que se dá somente  na passagem da adolescência para a fase adulta embora hajam eventos característicos que são iguais em qualquer lugar como as modificações físicas. Todavia as perguntas que a jovem Sara formula de algum modo habitam o homem pós-moderno e esta construção na vivência de experiências marcantes de cada dia traz à tona em algum momento esta pergunta: Quem eu sou? Será que damos ouvido a esta pergunta? 


Para saber mais sobre o tema CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE:
 http://www.psicologia.org.br/internacional/pscl36.htm



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26 de mar de 2011

A DIVERSIDADE, ADVERSIDADE

Por Regina Bomfim


Cada pessoa dá o que tem. Ninguém pode dar além do que tem. Dizer isso não é diminuir o outro, mas reconhecer que cada pessoa tem um universo no qual possíveis desencontros entre tantas diversidades é uma fatalidade. É por isso que o diverso perturba tanto. Sartre falou que o inferno são os outros - Por que quando estou só as gavetas da minha alma estão arrumadas, mas chega o outro e desarruma tudo? O grau deste desconforto pode assumir várias intensidades até até o drástico aniquilamento daquilo que é diverso.

As várias guerras ao longo da história da humanidade, a idéia de que somente um pode ter o monopólio econômico, do conhecimento, da beleza, da fé.. E assim grandes muros são construídos, afinal, só pode existir um vencedor. Nas relações diárias, numa discussão há o lugar daquele que "tem razão", daquele que dá a "última palavra". Mágoas são perpetuadas em função de um diferente inaceitável.

O diverso é uma questão poítica, econômica, social, intelectual, emocional, biológica, ecológica e espiritual que a humanidade terá um dia de se voltar, discutir abertamente sem os subterfúgios da retórica pois a segregação, o aniquilamento e o autoritarismo são meios cada vez mais ineficazes de lidar com o diverso natural que somos frente ao mundo. Existir num mundo que prega a homogeneidade, o "imperativo categórico" de Kant é o desafio de uma vida porque é um constante convite à escolha entre o "fundamentalismo" e a flexibilidade fruto de uma reflexão crítica.

O que costumamos sentir, fazer quando alguém discorda do que pensamos? E quando alguém age errado conosco? Será que está na possibilidade desta pessoa agir diferente? Qual a sua "bagagem", a sua história para agir do modo que agiu? Talvez isso nos ajude a pensar sobre as "correntes'"de mágoas e ressentimentos que arrastamos  por vermos apenas um ângulo da questão, assim como as diversas mensagens que o mundo nos traz. Será que a nobreza e a integridade que tanto reivindicamos dos outros está em nós? A diversidade pode provocar adversidades, mas também outras possibilidades. É um exercício aprender a enxergar os diferentes ângulos daquilo que nos afeta.

O psicólogo onde quer que atue tem como permanente instrumento de trabalho a sua capacidade de ouvir. Ouvir o que é dito e também o que não é dito. Ouvir sem preconceitos para facilitar e tornar a comunicação cada vez mais genuína para que aos poucos o indivíduo/grupo comece a ensaiar,  sentir, e pensar que é possível novos caminhos. Isso é belo.
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20 de mar de 2011

" A gente não quer só comida 2" (frase da antológica canção de Arnaldo Antunes/Marcelo Fromer/ Sérgio Britto!)

 No pátio um Jardim de Rosas

José Saramago
*O texto é em português de Portugal e não criei glossário. Quem quiser empreender esta busca, sinta-se à vontade...

Ao cair da tarde (singular expressão é esta, que faz da luz ou do seu desmaio, "ao cair da noite", algo de pesado e denso que desce sobre a terra agressivamente), depois do dia de trabalho, se o tempo está macio e o cansaço não pede o rápido refúgio em casa, onde em geral outro trabalho espera, gosto de andar pelas ruas da cidade, distraído para os que me conhecem, agudamente atento para todo o desconhecido como se procurasse decididamente outro mundo. Posso então parar em frente de uma montra onde nada existe que me interesse, ser microscópio assestado às pessoas, radiografar rostos para além dos próprios ossos, penetrar na cidade como se mergulhasse num fuido resistente, sentindo-lhe as asperezas e as branduras. Nessas ocasiões é que faço as minhas grandes descobertas: um pouco de fadiga, um pouco de desencanto são ao contrário do que se pensaria, os ingredientes óptimos para a captaçao mais viva do que me cerca.

Foi um dia assim, quando descia uma rua estreita por onde o trânsito costuma-se fazer-se aos jorros, deixando nos intervalos uma paz quase rural, que descobri (já vira antes, mas nunca a descobrira, isto é, nunca tirara de cima dela o que a cobria) a ruína. Para além do muro baixo, das grades e do portão ferrugento, vi o pátio invadido peas ervas e pelos detritos. Ao fundo, um prédio de dois andares volta para a rua uma frontaria esfolada toda fundida com placas de escleroso que são os roços largos causados pela queda da argamassa. As vidraças estão quase todas partidas, e lá para dentro há uma escuridão que da rua me parece impenetrável, mas por onde certamente deslizam animais esfomeados: ratos que o abandono protege, grandes aranhas trémulas sobre as altas patas, quem sabe também as hediondas osgas tristes e palpitantes.

Estou assim com um meio sorriso reprimido, a imaginar no passeio os feios habitantes da casa, bem a salvo, tal como se me dispusesse a fantasiar habitantes doutros planetas quando os olhos se me desviam para a esquerda e logo esqueço tudo..Na empena do prédio ao lado à altura dos olhos, uma frase escrita em letras vermelhas, maiúsculas, planta de repente um jardim de rosas: A LENA AMA O RUI. Tão insólita é a presença de tal declaração neste lugar, que preciso de ler uma segunda vez para me certificar. A Lena ama o Rui. Mesmo assim, custou-me aceitar a evidência. Em regra, estas paredes abandonadas enchem-se de esgrafitos insolentes, quantas vezes obscenos e ali havia apenas apenas uma afirmação de amor, atirada contra o alheamento da cidade. E não se tratava de rabiscos lançados à pressa, no temor  de uma interrupção, de uma troça, do ridículo, ameaça quem ao público se expõe. Pelo contrário, as letras grandes haviam sido desenhadas com cuidado, e, donde eu podia vê-las distinguia-se bem que fora usada uma tinta espessa, assim como quem pinta uma outra Capela Sistina para a eternidade.

Uma torrente de trânsito avançou rua abaixo. Deixei-me levar, neste meu passo sonâmbulo, firme e longínquo, enquanto descia a rua surgiu-me à interrogação preciosa: Quem tinha escrito aquelas palavras? A questão parecerá insignificante a muita gente, mas não a mim, que tenho por ofício e vocação negar precisamente a insignificãncia.

O mais certo, penso eu, é que tenha sido um rapaz. Acabara de declarar-se, de pedir namoro, ela respondeu-lhe que sim, e então exaltado e nervoso, sentiu necessidade irreprimível de comunicar o feito à cidade. É o que deve ter acontecido, os homens é que costumam fazer essas coisas.

Mas vamos supor que foi uma rapariga. Neste caso, tudo muda de figura: já não é o orgulho tingido de fatuidade que caracteriza quase sempre as explosões sentimentais dos homens, é coisa mais grave, é compromisso maior. A rapariga não vai limitar-se a registrar na parede quem alguém a ama: é como o sabem ser as mulheres, desafiadora, e então consciente de que o diz diante do mundo todo, consciente de quanto arrisca, de quanto lhe poderá custar a coragem, faz, em vermelho maiúsculo, a sua proclamação.

Vou andando e pensando, não encontro resposta para a minha pergunta. Foi o Rui? Foi a Lena? Prefiro acreditar que foi ela. Gosto desta rapariga a quem não conheço, voto que seja feliz, que saiba sempre o que quer, mesmo que vá querendo coisas diferentes na vida. E acho que é ela quem vai ali no outro passeio, a rapariga comum, ágil e fresca, avançando decidida pelo mundo que é esta rua estreita por onde o trânsito irrompe cego. Já lá vai adiante, amanhã mulher que com uma lata de tinta plantou rosas num pátio abandonado.

Fonte: A Bagagem do Viajante: Crônicas/ José Saramago São Paulo: Companhia das Letras, 1996


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"A gente não quer só comida" As artes sempre serão eternos combustíveis da saúde do corpo e da alma!

Seminário pauta a política cultural do Rio

Artistas diversos e pensadores se reunem hoje e amanhã no Parque Lage

Por Luciana Martinez

A
palavra de ordem na cultura é convergência. Assim pensa a pesquisadora e professora da UFRJ Heloísa Buarque de Holanda, curadora do seminário Verão da Cultura. Urgente, que ocorre hoje e amanhã no Parque Lage. O evento vai reunir um vasto e heterogêneo grupo de agentes culturais para discutir os novos caminhos da cultura, traçar um mapa de tendências e ajudar na elaboração de políticas culturais de longo prazo no Estado do Rio.
- A curadoria não é temática, não tem mesas específicas sobre música, literatura. Está tudo junto e misturado. A proposta é discutir questões ligadas à cultura com as diferentes vertentes que a compõem. A minha sensibilidade como curadora foi perceber que é na circulação e na mistura que os avanços vão acontecendo - afirma a pesquisadora.

Entre os convidados estão Perfeito Fortuna, o designer Fred Gell, Deborah Colker, Vik Muniz e Chacal. O poeta acredita que a conversa entre diferentes segmentos da arte vai incitar debates interessantes:
- Os artistas tem pouco contato entre si. Em um encontro como este, será possível entender como cada um pensa sobre os assuntos que estão em pauta, como a questão do direito autoral e da internet. Por muito tempo, o artista viu a era digital com um pé atrás, devido a dificuldade de encontrar meios de remuneração. Agora isso já parece possível.

O seminário faz parte do Plano Estadual de Cultura, projeto que a Secretaria de Estado de Cultura começou em 2009 e deve ficar pronto no fim do ano.
- Precisamos pensar e identificar qual é a nossa cultura e e papel dela no estado. O Rio de Janeiro vive um impulso de desenvolvimento. O seminário quer pensar justamente como a cultura pode contribuir para esse avanço, que propostas podemos oferecer - diz a secretária de cultura Adriana Rattes.

Ao observar novos rumos da cultura, Heloísa detectou uma tendência: a questão social está cada vez mais presente na arte; além disso, os artistas cada vez mais se expressam em múltiplos suportes.
- Os agentes culturais estão cada vez mais voltados para a responsabilidade social. O que no início parecia puro marketing passou a ser uma preocupação genuína . Isso está em nossos convidados: Vik Muniz e Oskar Metsavaht, por exemplo, também têm organizações sociais. Os artistas estão mais atentos às questões ambientais e sociais. Podemos observar que hoje o lado artístico já não se basta - complementa ela.

O momento de debater a cultura no Rio não poderia ser mais propício. Ddepois de algum tempo à sombra de São Paulo, a cidade retoma aos poucos o seu status e se reafirma como polo de investimento.
- Depois de um período longo de depressão, a auto estima dos fluminenses está voltando. é hora de descobrirmos quem somos nós e relembrarmos que somos muito bacanas. - afirma Heloísa.

Oficinas e 'Workshps'

O evento que começa às 14h, é dividido em três módulos: as mesas de debates; as chamadas "redes de idéias", com exemplos de inovação; e as "redes de experiências" com casos que vão ser estudados. O evento é gratuito, senhas serão distribuídas duas horas antes de cada rodada. A programação completa está em http://www.cultura.rj.gov.br/veraodacultura.

Em paralelo, oficinas e workshops acontecerão até amanhã e três espaços expositivos vão reunir trabalhos de novos artistas, com Antônio Bokel e Rodrigo Villas Boas com curadoria de Marcos Antônio Teobaldo. Para encerrar o debate - e também o verão -, a Orquestra Voadora se apresenta amanhã, às 20h.

Fonte: Jornal O GLOBO -Segundo Caderno (19/03)

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19 de mar de 2011

Pibão de emergente, com dívida social

Pobreza e desigualdade são mazelas de Brasil e demais Brics, que lideram crescimento global
Por Fabiana Ribeiro

Na nova ordem mundial, emergentes como Brasil, Índia, China e Rússia (que juntos formam o Bric) são potências econômicas a despeito de seus enormes passivos sociais. Uma realidade distante do que se via num passado recente, quando poderio econômico vinha junto de bem-estar social. Semana passada, o IBGE informou que a economia brasileira cresceu a uma taxa recorde de 7,5% em 2010. Com isso o país foi alçado ao posto de sétima maior economia do planeta. China e Índia também tiveram elevadas taxas de expansão no ano passado, de 10,3% e 8,6% respectivamente. Estima-se que o Bric, em 2050, estarão entre as cinco maiores economias do mundo.

Mas, enquanto os líderes econômicos costumavam frequentar as primeiras posições também no ranking do índice no Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU, os emergentes ainda tem uma longa dívida com os mais pobres - além de sua enorme desigualdade de renda. Se o Brasil hoje é a sétima maior economia do planeta, está na 70a posição do ranking em IDH. A China, a segunda maior economia do planeta está em 890 lugar em desenvolvimento humano. A Índia tem o décimo maior Produto Interno Bruto (PIB conjunto de bens e serviços produzidos pelo país em um ano), mas o 1190 IDH.

Novo padrão global: dinamismo nem sempre traz bem-estar social

Um cenário que leva o economista Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central (BC), a afirmar que a nova dinâmica econômica do planeta não coloca como pré-requisito ter um alto desenvolvimento humano.
- No Brasil, estamos dando um vôo de águia, e não mais de galinha. Porém esse crescimento, vem de um novo padrão mundial, no qual o dinamismo econômico não traz, na mesma magnitude, o bem-estar social. Mas quando um país como o Brasil tem como perspectivas com, por exemplo, o pré-sal, certamente estamos falando de avanços econômicos, mas também sociais.

Índia e China que tiveram excepcional desempenho econômico nos últimos anos, aumentaram a desigualdade. O Brasil, nesse quesito, foi no caminho oposto - apesar de ainda ter uma gigantesca dívida social.
- Apesar das mazelas sociais, o crescimento brasileiro traz redução da pobreza. É o crescimento a favor dos pobres. Mas emergentes, como o Brasil chegarão ao topo com uma alta dívida social. Por isso, torna-se mais que importante manter taxas de crescimento econômico sustentáveis a longo prazo do ponto de vista social, certamente, e ainda do ponto de vista ambiental. Tudo isso para não comprometer as gerações futuras - afirma Bruno Saraiva economista de País do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no Brasil.

Para se ter idéia do tamanho do gargalo social no Brasil, a média de anos de estudo no País é igual à do Zimbábue, o pior IDH do mundo. A média de escolaridade para pessoas com mais de 25 anos no Brasil é de 7,2 anos. Pelo critério do Pnud, o ideal seria o que foi registrado nos Estados Unidos em 2000, 13,2 anos.

A Rússia, por sua vez, desmantelou seu estado de bem-star social após a queda do comunismo. No país que detêm uma das maiores reservas de petróleo e gás do mundo, a expectativa de vida beira a 65 anos. No ranking do IDH, a Rússia aparece na 650 posição. E o país tem o 110 maior PIB do planeta.

Alfredo Coutinho, diretor da Moodys.com para a América Latina, frisa que, se o Brasil crescer numa velocidade de 5% ao ano, já seria capaz de ultrapassar a Inglaterra nos próximos cinco anos.
- Na próxima década, há a possibilidade de ultrapassar a França e ser a quinta economia do mundo.
 Fonte: Jornal O globo - Caderno Economia 06/03/2011

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Leitura é função da escola?





Prof. Ana Maria de Andrade

Pais e professores têm impacto direto na atitude e no comportamento das crianças com relação à leitura. A maior parte dos bons leitores declara que é filho e aluno de pessoas que leem com prazer e os ajudaram a encontrar livros interessantes para ler e desenvolver o gosto pela leitura. O problema existe no mundo inteiro: na média, 3 de cada 10 adultos que aprenderam a ler e a escrever só conseguem entender textos muito curtos e simples. O problema da dificuldade com a leitura é menor nos países de Educação Infantil mais desenvolvida e generalizada, e onde os pais e professores leem mais, alimentando com o exemplo o entusiasmo das crianças pela leitura. 
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13 de mar de 2011

Segurança na Saúde





Walter Mendes e Wilson Shcolnik


Há uma recente preocupação com a qualidade dos serviços oferecidos na área de saúde, em virtude dos erros continuamente propagados pela mídia. O debate sobre erros na área de saúde e a segurança dos pacientes tem como referência o relatório do Instituto de Medicina da Academia Nacional de Medicina dos Estados Unidos da América, intitulado "Errar é humano" ("To err is human"), de 1999.

A segurança dos pacientes tem merecido a atenção da Organização Mundial de Saúde. Erros representam também um grave prejuízo financeiro. No Reino Unido e na Irlanda do Norte, o prolongamento do tempo de permanência no hospital devido a erros custa cerca de dois bilhões de libras ao ano, e o gasto anual do Sistema Nacional de Saúde com questões litigiosas associadas a eventos adversos é de 400 milhões de libras. Nos EUA, os custos anuais são estimados entre 17 e 29 bilhões de dólares anuais.

A maioria dos erros que podem afetar os pacientes são cometidos por pessoas capazes de realizar as tarefas com segurança, que já as realizaram várias vezes no passado. Eles enfrentaram consequências pessoais significativas.

A pergunta que importa é: "Será que o erro ocorrerá de novo?" Cabem duas principais abordagens: a de caráter pessoal tem longa tradição e localiza os erros ou violações de procedimentos por pessoas diretamente envolvidas nas operações (médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem). Ela pressupõe que esses erros são originários de processos mentais aberrantes, como esquecimentos, desatenção, falta de motivação, descuido, negligência, imprudência e cansaço.

As medidas para se combater tais erros são dirigidas principalmente a variabilidade indesejável do comportamento humano. Os seguidores dessa abordagem tendem a tratar os erros como assuntos morais, assumindo que coisas ruins ocorrem com pessoas ruins. A abordagem pessoal tem sérias deficiências e o apoio a ela não contribui para odesenvolvimento de instituições de saúde mais seguras.

Já a abordagem sistêmica parte de premissa de que seres humanos são falíveis e erros acontecem, mesmo nas melhores organizações. Os erros são considerados como consequências, ao invés de causas, não sendo atribuídos à perversidade da natureza humana. Isto inclui a recorrência de erros ocasionados por "armadilhas" no local de trabalho ou nos processos organizacionais. As medidas para evitar esses erros são baseadas na suposição de que embora não se possa modificar a condição humana, pode-se modificar as condições nas quais os seres humanos trabalham. Quando acontecem, o importante não é saber quem cometeu, mas verificar como e porque as defesas falharam.

Outro componente já bem conhecido em outras indústrias, como a da aviação e a nuclear, e tido como como de fundamental importância no setor de saúde, é o "fator humano". Não se pode esperar alto desempenho de trabalhadores da saúde provenientes de outros plantões, cansados, apressados, famintos, ou estressados.

Nenhuma organização de prestação de serviços de saúde pode se exluir das iniciativas para minimizar a ocorrência de erros. Mudanças em sua cultura, estrutura e processos são condições necessárias para garantir a segurança dos clientes, dos resultados e, porque não, a sua própria existência.

Na medida em que os dados sobre erros se tornam públicos, o papel dos consumidores deverá ser de grande importância para promover mudanças de atitudes e investimentos na melhoria dos serviços. Por outro lado, é preciso que os consumidores e contratantes entendam e aprendam a valorizar os serviços que continuam investindo em qualidade e segurança.

Para que se alcance a satisfação e a confiança da sociedade é preciso adotar sistemas transparentes, abertos, onde a informação seja dividida livremente e as responsabilidades de cada parte sejam amplamente aceitas.

Encarar a questão dos erros não como uma fataidade ou responsabilidade individual, mas como parte do planejamento dos sistemas de trabalho e exercício profissional, parece ser o melhor caminho da saúde.

_____________________
Walter Mendes é médico e pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Fiocruz/RJ). Wilson Shcolnik é médico e diretor da Sociedade Brasileira de Patoogia Clínica e Medicina Laboratorial.
Fonte: Jornal O GLOBO - Opinião dia 05/03










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12 de mar de 2011

"No meio do caminho tinha uma pedra" - As contrariedades da vida

Por Regina Bomfim

Pedindo licença ao Carlos Drummond de Andrade para usar uma parte deste seu emblemático poema... 

Aprender a lidar com o fato das coisas não sairem da maneira como foram planejadas, é complicado ainda pra mim. É um bloqueio, uma pedra colocada na mente, porque obstrui o raciocínio das soluções.

O "abacaxi" está ali e é preciso descascá-lo e descascá-lo significa pensar na melhor maneira de fazê-lo "sem ferir as mãos com os espinhos e a faca". Na verdade, a vida é cheia de contingências, contrariedades de toda ordem e há momentos em que não é possível evitar. O caminho mais "fácil" quase sempre é o desespero, a agitação que obstrui a análise que precisa ser racional.

Encontrar um canto na alma para respirar fundo e analisar com serenidade uma situação é um exercício, uma arte que siginifica colocar-se como responsável pelos próprios atos  estabelecendo com as situações uma escolha dos sentimentos que deseja estejam presentes. Isso é autocontrole.

Encontrar o caminho certo ou errado, é um exercício como quem afina um instrumento à procura da nota desejada. Ouso dizer que viver é como tocar um instrumento; podemos fazer lindas canções, mas também podemos desafinar...

Desafinar nunca se quer, mas quem sabe se na nota que foi tocada erradamente, possa surgir uma nova canção, talvez até melhor que antes? E você? Com lida com o imprevisível? Costuma "espernear" ou administra com racionalidade e consegue agir?

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8 de mar de 2011

Psicologia - uma visão pessoal onde me incluo como aprendiz

Por Regina Bomfim

As coisas só fazem sentido quando o sentido passa a fazer sentido para mim, do contrário serão conceitos vazios em relação ao que percebo do mundo. 

É neste momento que a relação psicólogo /cliente se difere da conversa-desabafo que costumamos ter com nossos amigos e dos conselhos que surgem desta troca que é tão tão rica e jamais deve ser ignorada.

O psicólogo dentro da sua técnica nas diferentes abordagens, vai procurar investigar como foram construídos estes sentidos que o indivíduo carrega independente desta busca ser no passado ou no presente, o que é diferente de dizer:  - "Você deve fazer isso ou aquilo", mas aproveitando o que o outro traz para ir empreendendo junto essa "viagem' de muitas paisagens entre flores e pedregulhos...

Pouco a pouco o sentido começa a fazer sentido como propriedade do indivíduo e  com posse de si mesmo, pode seguir se permitindo, mudando de idéia, rindo, chorando, vivendo as experiências. Nem "Super- Herói", nem "pobre coitado" mas apenas sendo gente, porque, como diz Caetano, "gente é pra brilhar e não pra morrer de fome".
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6 de mar de 2011

Reflexões de Carnaval



Minha Missão

Composição: João Nogueira e Paulo César Pinheiro

Quando eu canto
É para aliviar meu pranto
E o pranto de quem já
Tanto sofreu
Quando eu canto
Estou sentindo a luz de um santo
Estou ajoelhando
Aos pés de Deus
Canto para anunciar o dia
Canto para amenizar a noite
Canto pra denunciar o açoite
Canto também contra a tirania
Canto porque numa melodia
Acendo no coração do povo
A esperança de um mundo novo
E a luta para se viver em paz!
Do poder da criação
Sou continuação
E quero agradecer
Foi ouvida minha súplica
Mensageiro sou da música
O meu canto é uma missão
Tem força de oração
E eu cumpro o meu dever
Aos que vivem a chorar
Eu vivo pra cantar
E canto pra viver
Quando eu canto, a morte me percorre
E eu solto um canto da garganta
Que a cigarra quando canta morre
E a madeira quando morre, canta!


MISSÃO

Por Regina Bomfim

Nada como um samba deste que foi um dos grandes poetas da canção popular para saudar este como tantos homens e mulheres que algumas vezes com baixo nível de instrução, foram capazes de nos emocionar e fazer pensar com suas melodias e textos tão precisos, nestes encontros de letra e música que se fundem de uma forma perfeita. Letra e música quando se encontram com acerto e beleza é pura magia. Minha reverência a todos estes seres que fizeram da música um modo de expressão que nos toca de modo tão indescritível.
Em geral  quando se pensa em missão vem à mente algo espiritual como a de um ser predestinado, com atribuições, capacidades acima da média ou então a missão de uma empresa que é o papel desempenhado pela mesma em seu negócio, o oue torna possível, objetivo aquilo que se propõe.

No meu entendimento, cada um de nós tem uma missão a desempenhar neste mundo que é ser o melhor de si mesmo dentro daquilo que nos faz únicos, especiais, dentro da verdade de encararmos a nós mesmos com nossos erros e acertos. Ser o melhor de si mesmo é se conhecer melhor, além da educação que recebemos que muitas vezes  nos definimos a partir destes conceitos que quase sempre não são nossos. 

Cada um de nós tem um caminho, uma história na nossa vida comum de simples mortais, tem uma missão e esta é uma busca individual. A busca de toda uma Vida. Não em termos do Grande Sentido, mas o que nos faz sentido, nos faz melhores pra gente mesmo e para o mundo. A psicologia em suas várias abordagens, busca contribuir para este encontro. Afinal qual é a sua Missão?
http://letras.terra.com.br/joao-nogueira/376470
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5 de mar de 2011


Contribuições da psicologia para as intervenções em meio ambiente 

 

Isabella Bello Secco Psicóloga pela PUCPR. Especializanda em Gestão Ambiental pela FAE Business School. Consultora da Comportamento - Psicologia do Trabalho. Membro da Comissão de Psicologia Ambiental do CRP 08 - Paraná. 

Artigo publicado na Revista Contato em novembro de 2008.
Atualmente somos bombardeados com notícias referentes ao meio ambiente e que nos revelam uma situação assustadora que exige uma mudança dos comportamentos e valores da sociedade frente a tais questões. Pode-se dizer que 2006 foi o ano em que a humanidade tomou consciência de que a crise ambiental é real e seus efeitos, imediatos. Uma prévia do relatório anual da Organização Metereorológica Mundial, órgão da ONU que avalia o clima na Terra, divulgado em dezembro de 2006, demonstra que este ano foi marcado por recordes sombrios no terreno das alterações climáticas e catástrofes ambientais. O aumento repentino da temperatura planetária e das alterações no meio ambiente se deve à ação humana, com escassa contribuição de qualquer outra influência da natureza. E as alterações climáticas são apenas algumas das conseqüências desta crise na relação homem ambiente, outras inúmeras podem ser mencionadas como, por exemplo, a escassez de água potável, redução na biodiversidade global, extinção de algumas espécies, piora na qualidade do ar, incêndios, diminuição das áreas verdes, efeitos adversos sobre a produção de alimentos e maior transmissão de doenças.


Muitos são os movimentos que já vêm ocorrendo no sentido de tentar reverter este quadro e muitas são também as controvérsias referentes ao prognóstico do nosso planeta. Porém, mesmo diante de tantos desencontros, uma coisa é certa: a sociedade atual está sendo convocada a repensar suas formas de se relacionar e utilizar o meio ambiente no qual estão inseridos, uma vez que, se tais mudanças não ocorrerem de forma urgente, não será somente o futuro das próximas gerações que estará em jogo, pois a humanidade já vem sofrendo sérias conseqüências da crise ambiental.


Durante anos várias ciências se preocuparam em entender e conhecer os fenômenos naturais e verificar quais seriam as conseqüências que a má utilização dos recursos naturais poderia acarretar para o planeta e todas as formas de vida nele existentes. Diante das diversas questões percebidas envolvendo a relação homem – meio ambiente, a Psicologia também é convocada a direcionar esforços e contribuir com tais estudos uma vez que é a ciência que tem como objeto de estudo o comportamento humano, vindo assim a contribuir e muito na atuação interdisciplinar considerando que a união de conhecimentos técnicos com os psicológicos possibilitam uma atuação mais efetiva em projetos que objetivem a mudança de comportamento e percepção das pessoas frente ao meio ambiente que as cerca. Diante deste contexto, a Psicologia Ambiental vem contribuir com muitos de seus conceitos e, as intervenções voltadas para a preservação ambiental, se tornam um campo urgente e emergente de atuação profissional do psicólogo em nossa sociedade.
De acordo com Gifford (1997, p.1) citado por Pinheiro e Güinter (2008, p.317):


“Psicologia Ambiental é o estudo das relações entre as pessoas e seus cenários físicos. Nestas relações, as pessoas mudam o ambiente e seus comportamentos e experiências são modificados pelo ambiente. Ela envolve a pesquisa e prática dirigida à produção de edificações mais humanas e o melhoramento de nosso relacionamento com o ambiente natural”.


Acrescentando a tal perspectiva, Leff (2001, p. 187), afirma que a psicologia ambiental tem por objetivo analisar as formas como as condições ambientais afetam as capacidades cognitivas, mobilizando os comportamentos sociais que causam impacto à saúde mental dos indivíduos; além de contribuir para a análise das percepções e interpretações das pessoas sobre o meio ambiente. A psicologia ambiental vincula-se ao terreno da psicologia social no estudo da formação de uma consciência ambiental e seus efeitos na mobilização dos atores sociais.


A crescente demanda ecológica na atualidade pode ser considerada não apenas em resposta a uma necessidade crescente de preservação ao meio ambiente, mas uma necessidade de respeito à própria humanidade, e não se refere apenas ao coletivo do homem, mas também à subjetividade inerente ao mesmo (MARÇOLLA, 2002, P.125).


É importante destacar que noções ecológicas são repassadas e interpretadas desde a infância e considerá-las supõe considerar aspectos e parâmetros diversos. Para Bruner (1998, p.95), as crenças e intenções derivam do que ele considera o conceito fundamental da psicologia humana, a construção de significados e os processos e transações que se dão nessa construção. Desta forma, pode-se afirmar que a vida somente parece compreensível pelos indivíduos pela lente de algum sistema cultural de interpretação.


Uma das dificuldades encontradas parece ser a existência de uma “falha” impressão de que os recursos naturais sejam infinitos. Contudo, o risco eminente de escassez dos recursos naturais, exige uma mudança urgente de cultura de toda a sociedade; mudança que exige intervenções a médio e longo prazo por se tratar de um processo bastante complexo. E este objetivo pode ser alcançado por meio de diversas ações, sendo uma delas a educação ambiental, que é um instrumento de tomada de consciência do fenômeno do subdesenvolvimento e de suas implicações ambientais, que tem responsabilidade de promover estudos e de criar condições para enfrentar esta problemática eficazmente, portanto, se constitui numa ação conscientizadora que tem por objetivo levar o homem, nos seus diferentes papéis, a reassumir sua condição de comportamento no ecossistema que a civilização moderna vem negando e que, numa visão prospectiva, poderá inviabilizar sua própria sobrevivência (GUIMARÃES, 1995, p.20).


Amplamente pode-se afirmar que a educação traduz-se por uma das maneiras de melhorar os comportamentos pró-ambientais sobre o planeta Terra. Se for considerada a crise ambiental em que o mundo se encontra, evidencia-se a necessidade de uma educação que amplie as teorias acerca do mesmo, como, por exemplo, deve-se ultrapassar a idéia de não finitude dos recursos naturais, moderando os padrões de consumo dos mesmos, diminuindo as fontes de poluição e desenvolvendo novas formas de produção menos agressivas e nocivas ao ambiente.


A educação ambiental aponta para propostas pedagógicas centradas na conscientização, na mudança de comportamento, no desenvolvimento de competências, na capacidade de avaliação e na participação dos educandos de todas as idades e inseridos nos mais diversos contextos. A relação entre meio ambiente e educação assume um papel cada vez mais desafiador, demandando novos saberes para apreender processos sociais cada vez mais complexos e riscos ambientais cada vez mais intensos. Assim, a reflexão sobre as práticas sociais, em um contexto marcado pela degradação permanente do meio ambiente e do seu ecossistema, envolve uma necessária articulação com a produção de sentidos sobre a educação ambiental.

No contexto organizacional não é diferente, sendo ele também reflexo de toda esta cultura e valores da sociedade. Os Sistemas de Gestão Ambiental hoje são uma variável importante no planejamento estratégico considerando o contexto globalizado que exige cada vez mais que sejam revistas as formas de manejo com o meio ambiente. Entre os fatores que determinam tais exigências, pode-se incluir os movimentos ecológicos, as mudanças no perfil dos consumidores, que estão cada vez mais preocupados com a origem dos produtos que adquirem, além das pressões do regime regulatório internacional e da necessidade urgente de que a sociedade se desenvolva de uma forma sustentável, ou seja, se desenvolva de forma a ser capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações.


A Psicologia pode contribuir no contexto organizacional auxiliando no processo de desenvolvimento, implantação e manutenção de sistemas de gestão ambiental (inclusive nos casos de certificação ISO 14001) além de desenvolver projetos de educação ambiental, pesquisas de percepção e apropriação dos ambientes e recursos, auxílio no manejo dos ativos e passivos ambientais resultantes do processo, entre outros. De acordo com Macêdo e Oliveira (2005), cabe ao psicólogo atuar na sensibilização dos trabalhadores envolvidos, providenciar o desenvolvimento dos profissionais que serão os gestores dos programas e também desenvolver mecanismos que facilitem as mudanças culturais que facilitarão o processo de implantação dos projetos e minimizarão as resistências a eles, promovendo a divulgação destes e favorecendo a comunicação entre todos os setores da organização integrando os cuidados ambientais a rotina operacinal.
É importante que as organizações reconheçam a gestão do meio ambiente como uma prioridade, como fator determinante do desenvolvimento sustentável e ainda estabeleçam políticas, programas e procedimentos para conduzir as atividades de modo ambientalmente seguro (MACÊDO; OLIVEIRA, 2005). Com isso as oportunidades no mercado em rápido crescimento serão maiores, além de haver a diminuição do risco de responsabilização por danos ambientais, redução de custos, melhoria da imagem da empresa, maiores chances de consolidação no mercado, desenvolvimento de dimensões éticas e morais no contexto organizacional e, à sociedade, uma expectativa de vida mais saudável e longeva. 


Contudo, fica destacada a importância de que os psicólogos busquem a inserção nas atuações relacionadas com as questões ambientais já que, além de ser uma área bastante evidenciada e sedenta de ações, são muitas as contribuições a serem dadas por este profissional em equipes interdisciplinares interessadas em desenvolver projetos voltados ao meio ambiente. São muitos os desafios diante de um caminho novo a se construir, porém, algumas iniciativas já surgem com sucesso. Sintam-se convidados, e por que não dizer, “convocados” a atuar e contribuir para essa mudança que não é apenas um “modismo”, mas sim uma questão de sobrevivência; mais que isso, implica em contribuir para sobrevivência com qualidade de vida desta e das futuras gerações.

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